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Body of War: Songs That Inspired an Iraq War Veteran

segunda-feira, 2 de maio de 2011


O documentário Body of War conta a história de um veterano da guerra do Iraque, o ex-soldado Tomas Young, que após ser atingido por uma bala ficou paralítico. Após o ocorrido, Tomas se tornou um ativista contra a ocupação do Iraque. A trilha sonora do filme conta com 30 canções de diferentes grupos, ela foi montada pelo próprio soldado. "De acordo com entrevista de Young à Billboard, as músicas escolhidas lhe serviram de inspiração "para continuar lutando em busca da força necessária para lidar com minhas limitações enquanto muitas partes do meu corpo e meu cérebro estão me dizendo para parar"". ¹

As músicas percorrem diferentes estilos, folk, rock, rap. Sempre com um grande significado e mensagem por trás das letras.

Informações
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Disco 1

"Hero's Song" - Brendan James
"American Terrorist" - Lupe Fiasco
"Light Up Ya Lighter" - Michael Franti e Spearhead
"Guerilla Radio" - Rage Against The Machine
"Son of a Bush" - Public Enemy
"Empty Walls" - Serj Tankian
"Let Them Eat War" - Bad Religion
"White People for Peace" - Against Me!
"Letter from Iraq" - Bouncing Souls
"War" - Dilated Peoples
"Overcome (The Recapitulation)" - RX Bandits
"Fields of Agony" - No Use For A Name
"Bushonomics" - Talib Kweli & Cornel West
"The 4th Branch - Immortal Technique
"B.Y.O.B." - System Of A Down
"No More" (ao vivo) - Eddie Vedder e Ben Harper

Disco 2

"Devils & Dust" - Bruce Springsteen
"Masters of War" (ao vivo) - Pearl Jam
"When the President Talks to God" - Bright Eyes
"Gimme Some Truth" - John Lennon
"The Restless Consumer" - Neil Young
"Battle Hymns" - The Nightwatchman
"Anthrax" - Kimya Dawson
"WMD" - Blow Up Hollywood
"State of the Union" - David Ford
"Yo George" - Tori Amos
"Love Vigilantes" - Laura Cantrell
"Black Rain" - Ben Harper
"To Kill the Child" - Roger Waters
"Day After Tomorrow" - Tom Waits



1. Trecho retirado do Site Omelete

Vote em Jesus!

terça-feira, 26 de abril de 2011

            Políticos são apenas marionetes de um cenário econômico mundial. São marionetes das grandes empresas, cujos donos eu não elegi. Nesse cenário, eles vêm o progresso como avanço econômico, eles enxergam um pais como um produto e não uma nação de dever democrático.
            Eu tenho essa imagem na cabeça: Jesus andando pelas ruas de Jerusalém, dando as mãos para todo mundo, sendo aclamado pela sua vitória. Viva! É a mesma cena que vejo nos anos de eleição, na vitória dos políticos. E antes deles ganharem, ocorreu a mesma coisa: Jesus curou os doentes, confortou os pobres, prometeu uma vida melhor, se candidatou a salvador do povo.
            O final não foi muito diferente: promessas que não são cumpridas. Que um raio caia sobre mim se alguém já foi para o Céu! Jesus não passa de outro político. Marionete de algo maior. Marionete do poder da Igreja, da religião. O papa vive no luxo. Padres abusam criancinhas. Guerras são criadas em nome de Deus, cruzadas, a guerra contra os muçulmanos. Onde estão as promessas de Jesus agora? Eu não vejo paz, não vejo solidariedade. Religião é industria.
            Domingo é o único dia que os pais têm de folga de seus trabalhos e, ao invés de tentar reaver o romance com suas esposas e ensinar seus filhos a jogarem bola, eles preferem ir na Igreja, ficar clamando a deus, pedindo perdão por viverem.
            Eu não elegi deus nenhum para a minha vida. Não vou desperdiçar meu tempo na dúvida entre existir ou não a salvação. Minha salvação procuro eu mesmo.
            Entendo que algumas pessoas precisam acreditar em alguma coisa. Eu, por exemplo, acredito que nunca me crescerão asas.

Hidrelétrica a preço de cultura

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ai vai um texto de opinião que escrevi para uma aula de redação a respeito da polêmica de Belo Monte.



Durante a ditadura, foi criado um projeto de construção de uma usina hidrelétrica no Norte do país, que causaria enormes impactos ambientais. 30 anos depois, esse projeto aparece novamente, com algumas reformas e com um novo nome: Belo Monte.
            O projeto visa construir uma hidrelétrica no rio Xingu, no Pará, prometendo uma produção de 11 mil MW em energia, reduzindo a área alagada em relação ao projeto original, porém, com um desvio do rio, que causará uma seca eterna, prejudicando as populações locais e ribeirinhas da região. O orçamento do projeto é de no mínimo 30 bilhões de reais.
            Esse projeto soa muito suspeito e levanta muitas questões. Primeiramente, acredita-se que durante de 6 a 8 meses, boa parte das turbinas instaladas estarão ociosas, reduzindo o potencial da hidrelétrica. O projeto não é só ambientalmente viável, como também economicamente. Aparentemente nosso governo não conhece o conceito do custo benefício. O que nosso governo quer com esse projeto? Quem são os verdadeiros ganhadores desse empreendimento?
            A política brasileira é protegida por um sistema capitalista corrupto. Esse projeto não passa de mais um esquema sujo para lucrar. Políticos são apenas marionetes das grandes empresas. Os financiadores do projeto são empresas públicas e os fundos de pensões são de empresas estatais. As empreiteiras são quem lucram nesse esquema.
            30 bilhões de reais é uma quantia muito grande. O pior: esse dinheiro está sendo investido em nome de algum progresso supérfluo, sendo que ainda vivemos num país com condições precárias de: saúde pública, educação, saneamento básico e outros direitos fundamentais que faltam à maioria da população! O governo brasileiro só é uma pecinha querendo aparecer no meio de um cenário econômico mundial.
            Não podemos esquecer de que comunidades indígenas serão removidas de seus lugares e movidas para outros locais. O que é um absurdo! A cultura indígena é o marco cultural brasileiro. O índio estava aqui antes de o país ser colonizado. Isso é um abuso contra a própria cultura brasileira! Isso é um ato antidemocrático em nome da própria democracia!
            Mas o que é cultura para o cenário econômico quando envolve lucro? Sabemos que o projeto será aprovado e teremos que ver esse absurdo se desenvolver. A maioria de uma população tem mais consciência política devido à exatamente sua capacidade física. A população tem o dever reservado de agir contra um governo tirano. Esse caso é só um exemplo dos ataques feito pelo nosso governo contra a nossa própria cultura, a nossa própria inocência! Não merecemos isso. A ação possibilita, precisamos de conscientização e participação popular nesse tipo de decisões, caso contrário, o abuso não terá fim.

PAISAGEM DA JANELA - Joálisson Gusmão

sexta-feira, 15 de abril de 2011


PAISAGEM DA JANELA

Joálisson Gusmão // Janeiro, 03 de 2011


Hoje deparei-me com o vento a desanuviar o céu, quando, ao abrir a janela do meu quarto, contemplava o nascer do sol nos primeiros dias do ano, e percebi que, na vida, tudo é efêmero, como a brisa que balançava a cortina, ao entrar pela janela de vidro aberta.


Do alto, vi pessoas andando, indo e vindo, num vai-e-vem desenfreado, como se a vida se resumisse em pequenos passos que formam uma curta jornada. O pior é que assim é a realidade. Caminhar para a morte; à eternidade, para alguns, já outros... as reticências falam por si só.


Observei que nas ruas havia máquinas sustentadas por quatro circunferências, duas ou mais e questionei-me por que tantas invenções passavam por ali. Talvez as pessoas usem isso para fugir da realidade, para se protegerem, para se sentirem superiores. Afinal, somos todos iguais, vivendo de aparências, abolindo o interior.


Olhando o céu novamente, revoadas passavam sem destino contrastando a escuridão do horizonte poluído pelo bicho-eu, pelo bicho-você, pelo bicho-ser-humano.


Na travessia da rua, pais exortavam seus filhos no meio da faixa de pedestres, no momento em que o sinal vermelho alertava os passageiros. Mais uma vez começou a correria, a competição de quem chegava primeiro: se o homem, com suas duas pernas – uma ou nenhuma – ao outro lado da rua ou se os automóveis até o próximo sinal que já se fechara.


Após fazer toda esta análise, afastei-me da janela. Tudo isso foi observado em questão de segundos, porém atentei-me apenas quando comecei a escrever. Percebi que uma lágrima, ao banhar meus olhos, delineava meu rosto e atentei-me que tudo aquilo era minha vida: rápida, suja, conflituosa, apressada, maquiada e instantânea como a paisagem que, num estalar de dedos, se desfez.




Thirty Seconds to Mars - This is War

quarta-feira, 6 de abril de 2011


Uma videoclipe muito bom, que contém cenas que se tornaram normais, onde milhares de pessoas ao redor do mundo morrem por interesses políticos e econômicos. Dotada de uma letra para se refletir, essa música contém fortes críticas a tudo que acontece hoje, e deixa clara a mensagem de que se não acabarmos com as guerras, elas acabarão conosco.





Um aviso para as pessoas,
O bem e o mal,

Isto é uma guerra,

Para o soldado,
O civil,
O mártir,
A vítima,

Isto é uma guerra,

É o momento da verdade e o momento para mentir,
É o momento para viver e o momento para morrer,
O momento para lutar, o momento para lutar,
Para lutar, para lutar, para lutar,

Pela direita,
Pela esquerda,
Nós vamos lutar até a morte,
Até o fim da Terra,
É um admirável mundo novo,
Do último até o primeiro,

Pela direita,
Pela esquerda,
Vamos lutar até a morte,
Até o fim da Terra,
É um admirável mundo novo,
É um admirável mundo novo,

Um aviso ao profeta,
O mentiroso,
O honesto,

Isto é uma guerra,

Para o líder,
O pária,
A vítima,
O Messias,

Isto é uma guerra,

É o momento da verdade e o momento para mentir,
É o momento para viver e o momento para morrer,
O momento para lutar, o momento para lutar,
Para lutar, para lutar, para lutar,

Pela direita,
Pela esquerda,
Nós vamos lutar até a morte,
Até o fim da Terra,
É um admirável mundo novo,
Do último até o primeiro,

Pela direita,
Pela esquerda,
Nós vamos lutar até a morte,
Até o fim da Terra,
É um admirável mundo novo,
É um admirável mundo novo,
É um admirável mundo novo,

Eu acredito na luz,
Levante suas mãos para o céu,
O combate está acabado,
A guerra está ganha,
Levanta as tuas mãos em direção ao sol,
Em direção ao sol,
Em direção ao sol,
Em direção ao sol,
A guerra está ganha,

Luta Luta Luta Luta Luta (coral)

Pela direita,
Pela esquerda,
Vamos lutar até a morte,
Até o fim da Terra,
É um admirável mundo novo
Do último até o primeiro,

Pela direita,
Pela esquerda,
Vamos lutar até a morte,
Até o fim da Terra,
É um admirável mundo novo,

Um admirável mundo novo,
Um admirável mundo novo,

Um admirável mundo novo,
A guerra está ganha,
A guerra está ganha,
Um admirável mundo novo,

Eu acredito em nada, nem no fim nem no início,
Eu acredito em nada, nem na Terra nem nas estrelas,
Eu acredito em nada, nem do dia nem do escuro,
Eu acredito em nada, só no bater dos nossos corações,
Eu acredito em nada, 100 sóis até partirmos,
Eu acredito em nada, nem em Satanás nem em Deus,
Eu acredito em nada, nem na paz nem na guerra,
Eu acredito em nada, só na verdade de quem somos.

http://www.vagalume.com.br/30-seconds-to-mars/this-is-war-traducao.html#ixzz1In1TPzQt

Abertura dos Simpsons no estilo Banksy

terça-feira, 22 de março de 2011

Banksy

A ironia é desejar e nunca ter

sábado, 19 de março de 2011

     Querem ser bonitos, mas são feios. Querem ser legais, mas são chatos. Querem ser ricos, mas são pobres. Querem ser inteligentes, mas são burros. Querem ser um monte de coisa, mas esquecem de ser puros, de simplesmente ser; ser eles mesmos.
     A ironia é desejar de tudo, e nunca ter o suficiente. Sempre podemos ter mais, mas isso nunca vai preencher seja lá o que estiver faltando.
    Parafraseando o surfista Rob Machado: Todos procuram a vida perfeita. O trabalho perfeito, a casa perfeita, o visual perfeito, o amor perfeito. Mas quando eles conseguem tudo isso, na verdade queriam outras coisas.

Limites da Solidariedade.

sexta-feira, 18 de março de 2011


Obviamente a compaixão por um ser indefeso e irracional vale ABSOLUTAMENTE mais do que a defesa por um semelhante, marginalizado e miserável.


visto no treta

Tweets solidários. A luta por um mundo virtualmente melhor.

terça-feira, 15 de março de 2011

            A nova tragédia do Japão é chocante. É difícil levar as imagens a sério. Parece mentira. Existe algo no meu subconsciente que me diz : “Foda, mas só são imagens, não está acontecendo mesmo”.
            É apenas a Natureza mostrando quem manda. A humanidade cresce, destrói, constrói. A Natureza anarquiza, manda tudo pro saco num piscar de olhos. Eu não sinto dó. Eles não merecem essa tragédia, óbvio. Mas dó é um sentimento muito feio. Dó é egoísmo.
            Eu entro no twitter e vejo pessoas falando sobre o Japão. Como eles estão sofrendo e são coitados por isso. As pessoas acham que estão fazendo o papel de solidariedade delas através de redes sociais. Essa é a simples confusão que fazem entre satisfação de dó e solidariedade. Assim como acontece no Natal, assim como aconteceu com o Rio.
            Talvez elas estejam pensando que seus seguidores vão te achar mais legal por você twittar pelo Japão. Vamos todos twitar juntos, e vamos fazer do mundo um lugar melhor para viver! Me lembra daquela música do Sapo Banjo: Ei, mendigo virtual, onde está sua vida real?
            Quem se importa de verdade, quem é realmente solidário, não faz com que a solidariedade seja sobre o Japão, ou sobre o Rio. O Japão se fudeu, e você se manifestou, o Rio se fudeu e você se manifestou, mas tem gente se fudendo o dia inteiro, a vida inteira, e você nunca fez nada. Se seu manifesto é através do twitter, você deveria twitar todos os dias pelos que sofrem.
            Não existem pessoas solidárias. Essas pessoas do twitter estão apenas tentando conseguir retweets, eles querem mais seguidores, querem agradar aos que já tem.
            Então, não me venha dizer que se importa, porque você ta falando merda.
            Mas não tem problema, tá tudo certo. Hoje comprei um travesseiro da Nasa, confortável demais. Vou fazer uma oração antes de dormir. Não sei se adianta, mas vou ficar esperando Deus resolver nossos problemas.

            

Kansas - Dust in the Wind

sexta-feira, 4 de março de 2011

Uma mensagem do que representamos. Não importa o quão importante você se considere, nem a quantidade de zeros na sua conta, no final tudo o que somos é poeira no vento. Apenas uma gota de agua na imensidão do oceano.

Uma das melhores músicas que eu já escutei na minha vida, e provavelmente a melhor do Kansas.





Precisamos de mais consumidores chatos e nervosos

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Acompanhei um amigo que foi fazer compras no supermercado. Estranhei a escolha da loja, pertencente a uma grande rede, pois havia sido nela, tempos atrás, que o mesmo fora destratado pela gerência ao tentar devolver um produto estragado. Ao indagá-lo que raios ele estava fazendo ali, respondeu com um misto de resignação e estranhamento: “mas é assim em todo o lugar, não faz diferença”.

Sei que dá preguiça brigar com uma grande empresa que insiste em não garantir o tratamento que lhe é de direito ou continue a empurrar produtos sem qualidade social e ambiental. Ainda mais quando constatamos a dificuldade de determinados grupos econômicos de escutar algo que não seja o tilintar das receitas batendo no seu cofre. Surdez seletiva, diga-se de passagem. Pois como diria Dona Rosa, poço de sabedoria do Vale do Jequitinhonha, tem coisa que é como o feijão, só funciona na pressão.

Pressão esta que não precisa ficar restrita a investigações da mídia ou às ações do Ministério Público. Lembro de casos como o de donas de casa que protestaram contra um grande magazine de roupas por conta da revelação de trabalho escravo em sua linha de produção. Isso assusta. E muito. Ainda mais em um país onde acredita-se que o andar de baixo seja gado dócil. Quando ocorre um estouro de boiada, ninguém sabe o que faz.

Sempre vi minha mãe reclamando como consumidora. Talvez tenha sido uma das melhores lições que ela me passou. Enquanto isso, tenho amigos que saem de perto quando vou questionar o gerente de uma loja por mais informação ou exigir a solução de um determinado problema. Dizem que sentem vergonha alheia, que “uma pessoa educada não compra esse tipo de briga”, que “brigar por dinheiro é o fim da picada”. E aí reside o problema: a sociedade gosta de criar bezerros para o abate e não seres autônomos. Criado como boi, boi será – a menos que seja conscientizado do contrário. Da mesma forma que nós homens, de um forma geral, somos educados para sermos machistas, também crescemos para sermos compradores e não cidadãos.

E o ceticismo na relação é a praxe. Uma pesquisa dos instituto Akatu e Ethos sobre consumo aponta que 44% das pessoas não acreditam no que as empresas divulgam em termos de responsabilidade social. Outros 32% dizem que isso depende de que empresa estamos falando.

Além do mais, nossa sociedade é de panos quentes, do deixa disso. Quem sai dessa toada, é taxado de maluco. É só dar uma espiada nos posts que trato dos protestos contra o aumento na tarifa do ônibus em São Paulo para ver a quantidade de comentários de pessoas que defendem com unhas e dentes o reajuste acima da inflação em São Paulo e chamam os manifestantes de baderneiros e vagabundos. Isso seria uma inversão de lógica cidadã se a lógica ou a cidadania fizessem sentido por aqui.

É sensacional o fato da maior parte da população brasileira acreditar em um ser sobrenatural que tudo vê, seja ele ou ela quem for, e não ter fé no potencial transformador de suas próprias ações ou na capacidade da sociedade de se organizar. Sei que as ações para despertar o nível de consciência de todos sobre esse potencial dificilmente são patrocinadas. Ou são ensinadas nas escolas.

Daí a importância de cada chato passar adiante essa chatice e não deixar seu amigo entrar no supermercado que o destratou ou pelo menos garantir que ele vá fazer uma reclamação sobre isso. Levar desaforo para casa não.


Fonte: Blog do Sakamoto

Medo de Mudança

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


Até que ponto chega o medo de mudança? O medo que o desconhecido afete nossas vidas ou nossa percepção da realidade? Até que ponto lutar contra essas mudanças é positivo?

A própria história demonstra o quão reacionário os homens podem ser, e como nos agarramos a uma única ideia e fazemos de tudo para torna-la realidade. Como se ao inves de fazermos uma interpretação do mundo que nos cerca, imaginássemos um mundo aleatório e tentássemos adequa-lo ao que é, de fato, real. Diferente do que você possa pensar, não venho fazer uma critica aos sonhadores, mas sim àqueles que adotam uma verdade universal e não tem nem ao menos a sabedoria de confronta-la com os contrapontos que lhe aparecem no caminho.

Seria sábio simplesmente revogar uma outra explicação, ignora-la sem nem ao menos tentar compreende-la? Acredito que não. Porém, ainda hoje, no ano de 2011, as pessoas são tão ultrapassadas quanto eram há um século atrás. Tão ultrapassadas quanto a igreja que não aceitava a teoria heliocêntrica, tão ultrapassadas quanto as pessoas que acreditavam que os negros possuíam capacidade intelectual inferior e deveriam portanto permanecer escravos, e assim por diante. Exemplos concretos disso são, em muitos casos, nossos avós ou até mesmo nossos pais. Às vezes quando tentamos mostrar a eles uma diferente forma de enxergar o mundo, eles simplesmente a negam, sem nem ao menos nos dizer o porquê, da mesma forma que uma criança desinformada nega um prato de comida delicioso simplesmente por não gostar do que vê. Mas não quero me focar nessa relação. Venho aqui para enviar uma mensagem àqueles que se proclamam modernos, e pior, aqueles que se consideram o estágio final da evolução social. Nós somos tão retrógrados quanto nossos pais, e a cada dia isso vai ficar mais evidente. E assim como seus antepassados, ao invés de abrir sua mente para novas possibilidades (claro, isso é uma generalização) você simplesmente coloca culpa na ingenuidade e ignorância dos demais, sem perceber que o único ignorante é você.

Ser deixado pra trás pode ser muitas vezes inevitável, e o mínimo que podemos fazer é abrir nossa mente pra alternativas, pra um novo mundo de possibilidades, sem nos prender a conceitos e preconceitos que se formam como castelos de areia, que um dia serão destruídos pela ação do tempo. A verdade não é um conceito pronto, mas em constante mutação. É por isso que não devemos simplesmente nos prender a algo, e entrarmos na zona de conforto de suas explicações. Devemos sempre aprender e renovar nossos conceitos, e jamais termos convicção de algo, pois como diria Nietzsche, "As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras", e são essas convicções que vão lhe fazer temer as mudanças de paradigma, por conta delas você será apenas mais um homem que teme as diferentes verdades do mundo.

Acredito que a mensagem do texto já está clara, se um dia lhe confrontarem com algo que não lhe parece verdade, ou que não lhe agrada, tenha pelo menos o mínimo de consciência de se informar sobre o que o outro lhe diz, não seja apenas mais um que nem ao menos tem argumentos para sustentar o que pensa, ao contrário, saiba argumentar e os contra-argumentar tudo que lhe diz respeito, para que quando questionado sua resposta não seja apenas "Não acredito nisso... porque não".

O espírito jovem sedento por Revolução

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Em nosso círculo social geralmente encontramos pessoas com o mesmo pensamento, com as mesmas conversas e com os mesmos objetivos pessoais. O pensamento mostra-se na maioria dos casos alienado e conservador; as conversas baseiam-se em status, luxo e poder; e os objetivos pessoais fatidicamente se voltam para dinheiro, reconhecimento profissional e lucro.


Numa conversa, mesmo que breve, assuntos que envolvam capital sempre vêm a tona. Parece às vezes que as pessoas se sentem pressionadas a falar sobre tais coisas, sob pena de exclusão se não estiverem interados desses assuntos. E isso não tem idade, desde os jovens, até os mais velhos incutem o valor de “ser alguém na vida” (leia-se ser rico). Enquanto a nova geração narra suas pretensões, sua ânsia por ter um carro novo com um motor potente, por ter roupas de marca, dinheiro e fama; os adultos/idosos contam sobre o que conquistaram, quanto dinheiro conseguiram e como viveram confortavelmente em sua fartura, em sua riqueza, no pleno conforto da presença em materiais mas ausência em ideais.


Invariavelmente a ideologia capitalista passa de forma notória, mas imperceptível de pai para filho. A propaganda, com sua contribuição generosa dá o empurrão final para tornar qualquer cidadão um consumidor em potencial, servo das tendências de mercado. São poucas as pessoas conscientes, que não sobrepõem produtos a pessoas, que não se tornam fantoches da mídia, que pensam e sabem da importância de não ser apenas mais uma peça do sistema.


A futilidade humana chega a ser por vezes impressionante, cada um se preocupa com seu próprio potencial em fazer dinheiro. Os ideais em comum, interesses do “homem médio” muitas vezes são esquecidos por ele próprio, que está preocupado demais com sua rotina, cansado demais de seu árduo dia de trabalho para questionar erros na sociedade e falhas na política.


O exemplo perfeito para essa situação foi o 5º ato contra o aumento das tarifas de ônibus em SP, do dia 10/02. O número de manifestantes não passou de 5 mil, um fato curioso, já que um número absurdamente maior de pessoas faz uso dos transportes metropolitanos todos os dias. Aonde estão esses trabalhadores na hora de questionar seus direitos? Onde estão os milhões de votantes, que elegeram o prefeito Gilberto Kassab e agora sofrem com o preço absurdo colocado nos transportes? Em que lugar se escondem os famosos “reclamões de sofá”, que assistem Jornal Nacional e resmungam da política diariamente no conforto de seus lares?


O ativismo hoje é tema de deboche, foi o que pude perceber ao participar dos atos e me sentir mais perto do povo. As pessoas passam nas ruas, nas lojas, em seus carros, e até mesmo nos próprios ônibus lotados e riem um sorriso insosso, amarelo, que sente “vergonha” daquele movimento e crê que aquela passeata é algo passageiro, coisa de jovem “bagunceiro” que não tem mais o que fazer. Irônico pensar que jovens ativistas são vistos dessa maneira, que as poucas pessoas conscientes, que lutam por seus direitos são marginalizados pela mesma sociedade que eles estão lutando para conscientizar e mudar.


Estamos dentro de um contexto ambicioso, que arquiteta planos para tornar a sociedade cada vez mais piramidal e desnivelada. Essa estrutura de organização social pode ser facilmente comparada com nossa estrutura de organização intelectual, onde, um grupo cada vez mais seleto se põe a disposição do todo, da massa, da revolução. A grande maioria, focada em seu egocentrismo hipócrita se esconde a trás da máscara de mentiras que o dinheiro proporciona. A verdadeira liberdade de pensamento, o verdadeiro ativismo está além do que a televisão te mostra, está na mobilização consciente, semelhante ao que pude ver nos Atos que tive o prazer de ir. Se sentir mais um no meio de tantos seres que partilham de seus ideais e de sua descrença em nossa atual situação é no mínimo emocionante.


“Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética” foi o que disse certa vez El Fuser, um de meus maiores heróis. E mesmo ainda sendo exceção, no meio de uma juventude cada vez mais transviada e despreocupada com o mundo que a cerca, sinto-me feliz, livre dos grilhões do pensamento padronizado e disposto a alimentar cada vez mais meu espírito sedento por revolução. O seu dinheiro pode comprar tudo, menos minha vontade de fazer justiça

Reflexão...

"Quando o homem que alimenta o mundo através do duro trabalho nos campos é privado de seus direitos básicos de alimentação, moradia e de cuidar de sua família, a comunidade inteira desse homem está doente."

Cesar Chavez

Somos todos malabaristas de farol

domingo, 6 de fevereiro de 2011


“Essa é sua vida, e está terminando a cada minuto”, você acorda no carro, preso no trânsito, exposto ao calor intenso do litoral, esperando pacientemente pela troca de cores do semáforo. Olha pra esquerda e vê um garoto, de aproximados 10 anos de idade, sem camiseta, sem chinelos, apenas uma bermuda cobrindo seu corpo magro e moreno. Seu rosto não expressa nada, não transmite nada, apenas te olha, fixamente e vai a sua direção.


Com seus pequenos pés descalços ele anda até a frente do carro, suas mãos seguram malabares, com os quais ele tentará ali, naqueles poucos segundos ganhar uma moeda, uma nota, mas, provavelmente ganhará um “não tenho nada, meu filho”. Num gesto quase que mecânico, automático, de quem não faz aquilo por diversão, mas sim pela ânsia de sobreviver ele inicia os movimentos, uma peça de cada vez, até tê-las todas no ar, girando, equilibrando por um curto espaço de tempo, torcendo para que o motorista se impressione com sua habilidade, ou, o mais provável, dê-lhe dinheiro para que ele saia de lá logo.


Ele termina seu trabalho, se aproxima do carro, de vidros fechados que resguarda um refrescante ar condicionado, luxo para poucos, no meio daquele calor úmido e desgastante. Pelo vidro é possível ver seus olhos verdes, contrastantes com sua pele morena e seu cabelo enrolado, marcas profundas da miscigenação brasileira, a qual aquela criança foi exposta, fruto não só de heranças físicas, mas também herdeiro da pobreza e da desigualdade.


O vidro se abre, o motorista indaga o que o menino quer. Prontamente ele responde: “dinheiro!”. Ah, o dinheiro! A palavra mágica, a poderosa máquina de deturpar mentes, mover barreiras e gerar intrigas. Nada mais justo do que presentear o garoto com aquelas poucas moedas, troco de alguma compra que ficaram ali, no carro, exatamente para uma situação como essa. Num mundo onde tudo é lucro, tudo se compra, e nada é de graça, outra resposta vinda daquele menino seria no mínimo inusitada. As moedas passam da mão do motorista para aquela pequena mão, suja e áspera, marcada pelo trabalho, pela ausência de diversão.


De sua boca ressecada, ele pronuncia um agradecimento rápido e tímido, e eu, consigo olhar por uma última vez aqueles olhos marcantes, sinceros e tristes, antes que a pequena criança vire as costas e corra na direção de outros 5 jovens, trajados da mesma forma que ele, semelhantes fisicamente e também marcados como alvos da desigualdade.


É exatamente ai, nesse ponto, que me dou conta que somos todos malabaristas de farol, estamos todos seminus, expostos, vítimas do sistema que nos obriga a ser o que querem que sejamos. Nossos malabares são nossos amigos, nossos sonhos, nosso caráter, que estão em jogo, sendo apostados, podendo cair e se perder. Arriscamos pessoas que amamos, nossos objetivos pessoais, nossos sonhos de igualdade, nossa luta por justiça, nossa dignidade para ter dinheiro. Somos uma geração de caçadores de recompensa, sedentos por “ser alguém” dentro do mundo corporativo, por ser reconhecido profissionalmente num lixo de emprego que talvez nem gostemos, mas que provavelmente será necessário para nos adequar ao mundo capitalista e não nos tornar igual a aquele menino, e seu incerto trabalho nos semáforos das cidades. No final das contas, todos morreremos, e todas as nossas “realizações profissionais” serão apagadas da história, nem seu chefe, nem seu subordinado se lembrará de você, sua vida passageira termina e você se torna somente sombra e pó, nada mais.


Essa epifania serviu pra entender que somente realizações sociais, ativismo político, luta por mudanças fica marcado. As pessoas (as boas pessoas) se lembrarão de você por quem você foi e como agiu, e não pelo quanto de dinheiro tinha no bolso. A questão que fica é: Sendo malabaristas de farol, o que passa em nossas mentes, o que estamos dispostos a fazer se o motorista nos nega dinheiro? Até onde somos capazes de ir para ter o “precioso”.


“Você não é o seu trabalho. Você não é quanto dinheiro tem no banco. Você não é o carro que dirige. Você não é o conteúdo de sua carteira. Você não é nem o lixo das suas calças. Você é a merda ambulante do mundo”.

Não trabalhe.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

           Nesse mês de Janeiro eu decidi trabalhar. Queria ver como é acordar com a cidade e seguir a rotina daqueles que estão mantendo a sobrevivência. Queria ver como é ter meu próprio dinheiro, não importando a quantidade, apenas que seja meu, e não do meu pai. Não queria ser igual meus amigos, malandros que iam dormir na alta madrugada e acordavam na baixa tarde. Não queria ser igual aqueles que reclamam dos problemas políticos e sociais e não pegam no batente, seja lá o que isso significa. Eu queria contato, queria pisar no asfalto. Mas na verdade, eles não perdem muita coisa.
            Ou as pessoas realmente acordam para trabalhar, ou ainda estão completamente dormindo... tudo o que elas falam enquanto trabalham, é sobre o trabalho. A impressão que tive, era que todo dia era o primeiro dia de trabalho. A “necessidade” das pessoas desabafarem seu cansaço é irritante. Todos os dias, eu ouvia os mesmos suspiros, as mesmas exclamações, os mesmos “aiai”, sendo que nada doía. Ninguém realmente sente dor, ou realmente está cansado. Quem realmente sente um dos dois, não exclama, não solta gemidos. Quem sofre de verdade, sofre em silêncio. Não é a toa que só fazem esses barulhos quando tem alguém por perto. Querem atenção. Isso não me afeta em dois sentidos: sempre que chegavam perto de mim, me diziam o quanto eles estavam cansados, o quanto tinham trabalhado, o quanto estavam de saco cheio... eu não respondia, era evidente que não esperavam essa reação de mim. Esse seria meu jeito delicado de dizer um foda-se. E eu também não soltava esses sons. Desde que percebi isso nas pessoas, decidi tentar parar de falar um pouco. Todos falam muito.
            Trabalho é perigoso. Eu acordava todo dia, quase inconformado de ter que ir trabalhar, poderia ficar dormindo. Mas, infelizmente, eu chegava no trabalho e sentia um certo conforto. É o conforto da obediência. Eu iria ficar sentado o dia inteiro, fazendo o que me pediam para fazer. Não questionava. Apenas obedecia, e isso alivia bastante. Os que lá estão trabalhando, questionam as coisas erradas.
            Me dei bem no trabalho. Recebi elogios. Trabalhar é bem fácil. É só turvar os objetivos. Talvez eu, por estar consciente, tenha trabalhado tão bem. Ou na verdade, deveria ser o contrário.
            Era tudo bem estranho para mim. Espero que isso nunca se apegue a mim um dia. Queria que alguém me explicasse essas novas leis da Natureza, e por que elas mandam a favor da própria derrota. Por que as pessoas cantam a favor da própria derrota? Tudo me lembra de um certo pesadelo que costumo ter: tudo fica girando, tudo fica longe, mas está perto, tudo fica pequeno, mas é grande. Tudo dilata, tudo lateja. Tudo cresce na minha mão, tudo escorrega da minha mão. Quando acordo, eu continuo assim. E realmente tudo está assim pra mim. Tudo é estranho, tudo é longe, nada é real. Tudo é a tal cópia da cópia da cópia, de que uma vez ouvi falar.
            As pessoas são chatas no trabalho. Elas gostam de provocar, e fazem de tudo pra isso. E não sei quem são os piores, se são esses, ou se são os que se deixam ser provocados. Me lembro de uma mulher que me ligou. Não consegui resolver o problema dela. Ela disse “é complicado”, umas vinte vezes. Devia ta esperando eu explodir de raiva e cair na provocação. Mas eu decepcionei ela, fiquei em silêncio a ligação inteira, e usei a voz mais rabugenta que consegui. No fim ela pagou o que devia.
            Eu recebi, tenho 750 reais guardados. Não sei por que eu tenho eles. É como tentar preencher um quarto vazio com poeira. E mesmo que colocamos as mobílias mais bonitas, ele sempre terá espaço vazio. Trabalhamos em empregos que não gostamos, para comprarmos coisas que não precisamos, desejamos ser completos um dia, sermos perfeitos.
            Por um tempo eu tentei entender essa idéia de aperfeiçoamento x perfeição. A perfeição é inatingível, não dá para ser perfeito. Agora o aperfeiçoamento, além de ser o objetivo, é o próprio caminho. E na verdade é muito fácil, é só manter a cabeça aberta e o livro em cima da estante.
            Eu que o diga:
            Que eu jamais seja completo.
            Que eu jamais seja perfeito.
            A solução não é auto-aperfeiçoamento.
            A solução é auto-destruição.
            É uma geração criada de forma errada.
            Deus criou nossos ancestrais, nossos avós, nossos pais. E todos eles falharam. Agora o que isso nos diz sobre Deus? Já chegou na hora de aceitarmos a idéia de que Deus não liga para a gente, ele não gosta da gente, e ele provavelmente odeia a gente. Então ele que se dane, não precisamos dele. Não iremos desperdiçar a dor.
            A solução é fácil. Vá em shows de hardcore, e se bata com quem não conhece. Beba até não conseguir andar. Não tenha amor ou respeito-próprio. Esqueça tudo o que pensa que sabe sobre amizade, amor, família ou qualquer coisa. Não trabalhe. Não tenha filhos para sustentar. Ah, inferno! Não tenha nem um “você mesmo” para sustentar. Pare tudo e escolha a personalidade que quiser, arrisque tudo e seja quem você quer ser. Não tenha nada, não seja nada. Aceite seu destino, você vai morrer. E quem sabe um dia andaremos nas ruínas das cidades, caçando para sobreviver. Ah... a anarquia. Eu por exemplo, ando falando pouco. Quase não me irrito mais, tentar me provocar é em vão. Como rápido, porque assim não tenho que ficar na mesa ouvindo as merdas que uns têm para dizer aos outros.
             Não é tão fácil. Precisamos esquecer os dias vergonhosos do passado. Queimar a memória. Todos temos nossa Marla Singer para arruinar nosso plano.
             Na minha vida eu fiquei procurando algo, algo nunca vem, só vem o nada. Eu não sou mais idiota, não quero mais ficar recomeçando, em algum lugar novo.
            Acho que ta todo mundo confundindo o conceito de igualdade, se for para sermos iguais, não é para vivermos todos numa casa confortável, é para ficarmos todos na mesma merda. Zeraríamos tudo, voltaríamos aos primórdios, evolução natural tudo de novo, acabaria com todo e qualquer pedaço de História que restasse. Usaríamos a mesma camisa de flanela e calça jeans e botas até o dia que morrermos. Viveríamos uma vida real.
            Simplifique, a fome só é real uma vez por dia. Durma pouco. A vida não é sobre o carro que você dirige, nem quanto dinheiro tem, nem sobre a cor do seu cabelo, e nem sobre a marca da porra da sua calça.
            Está na hora de viver intensamente, enfrentar somente os fatos essenciais da vida e ver se não poderia aprender o que ela tinha a ensinar, em vez de, vindo a morrer, descobrir que não tinha vivido. Não quero viver o que não for vida, tão caro que é viver.
Quero lapidar a vida, remover tudo o que não for vida. Pois muitos por aí, vivem em desespero, na duvida de saber se a vida é uma obra do demônio ou de Deus, e todos têm concluído de forma muito apressada que a vida seja sobre “glorificar Deus e goza-lo para sempre”.
            Não preciso de um trabalho para ser completo. Não preciso de roupa para ser completo. Não preciso nem de um pai para ser completo.
            Pare de tentar controlar tudo.
            Escorregue.

"A velha senhora asmática"

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


Segue abaixo uma passagem do livro "De moto pela América do Sul" de Ernesto CHE Guevara (seu diário que relata os acontecimentos de sua viagem). Nesta passagem Che e Alberto estão na cidade de Valparaíso, Chile, e durante sua estadia nesse lugar, Ernesto vai ver uma velha senhora que conheceu num bar local que está muito doente e necessita das habilidades médicas do rapaz. O trecho em questão tem caráter altamente reflexivo e faz críticas à hierarquia social que colocou a velha mulher em situação de não conseguir pagar por medicamentos tendo apenas que esperar a chegada da morte.


" É em casos como esses, quando um médico percebe que não pode fazer nada, que ele deseja a mudança; uma mudança que impedisse a injustiça de um sistema no qual até um mês atrás essa pobre mulher tinha de ganhar seu sustendo trabalhando como garçonete, respirando com dificuldade, ofegando, mas, encarando a vida com dignidade. Nestas circunstâncias, as pessoas de famílias pobres que não podem se sustentar são rodeadas por uma atmosfera de aspereza mal disfarçada; deixam de ser pais, mães, irmã ou irmão para tornar-se apenas um fator negativo na luta pela sobrevivência e, por extensão, fonte de amarguras para os membros sadios da comunidade que se ressentem de sua doença como se fosse um insulto pessoal contra aqueles que têm que apoiá-los. É ai, no final para as pessoas cujos horizontes nunca ultrapassam o dia de amanhã, que nós percebemos a profunda tragédia que circunscreve a vida do proletariado em todo o mundo.Nesses olhos moribundos existe uma humildade apelo por perdão e também, muitas vezes, um pedido desesperado de consolação que se perde no vácuo, da mesma maneira como seu corpo desaparecerá logo em meio ao vasto mistério que nos cerca.Quanto tempo mais esta ordem atual, baseada na ideia absurda de classes sociais, vai durar eu não sei, mas é chegada a hora em que o governo gaste menos tempo propagandeando suas próprias virtudes e comece a gastar mais dinheiro, muito mais dinheiro, financiando projetos úteis para a sociedade. Não havia muito que eu pudesse fazer por aquela mulher doente. Eu simplesmente aconselhei-a quanto a sua dieta e receitei um diurético e algumas pílulas para asma. Eu ainda tinha alguns tabletes de dramamina e deixei-os com ela. Quando saí, fui seguido pelas palavras de agradecimento da pobre velha e pelo olhar indiferente dos familiares".

Seja apenas quem você é

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Seja apenas quem você é e não dê a mínima para o mundo.

Então você sentirá um imenso sossego e uma profunda paz no coração. Isso é o que os zen-budistas chamam de "face original" — sossegada, sem tensão, sem pretensão, sem hipocrisia, sem as assim chamadas disciplinas acerca de como deve se comportar.

E, lembre-se, a face original é uma belíssima expressão poética, mas não significa que você terá um rosto diferente. Essa mesma face que você tem se livrará de toda tensão, ficará descontraída, não julgará ninguém nem coisa alguma, não achará que ninguém é inferior.

Essa mesma face, sob esses novos valores, será sua face original.

Osho, em "Coragem — O Prazer de Viver Perigosamente"

What Happened? - H2O / One Life One Chance

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Com musicas na maioria das vezes se tratando de situações cotidianas, a banda H2O sempre eleva seu lado critico e o questionamento do porque a nossa sociedade é do jeito que é. Abaixo segue a música What Happened? composta por Toby Morse, que além de grande compositor é o fundador do projeto social One Life One Chance cujo principal objetivo é alertar estudantes do ensino fundamental sobre os problemas que o álcool e as drogas trazem para a sociedade.



Com um corpo cheio de tatuagens, Toby Morse desafia o estereótipo de modo de vida de um músico. Em uma indústria famosa por uso de drogas, morte relacionada a drogas e comportamentos auto-destrutivo em geral, Toby escolheu um caminho diferente para andar, em seus 40 anos, ele nunca experimentou tabaco, álcool ou drogas.

Toby visita escolas e faz palestras de como ser alguém com um estilo de vida positivo, e como esquivar de situações com drogas e álcool vivendo em torno delas.

Link do site com fotos e explicação do projeto: http://www.onelifeonechance.com/



When it began, for those who don’t know
it didn’t matter how you looked or what you wore to a show
dress codes, FUCK NO! we didn’t care
about the brand of your jeans and all that shit in your hair

But now the biggest part is all about the image and not the art
Fashion before passion!
And at nights, it makes me mad that I should have to ask:
What happened to the passion? (passion!)
What happened to the reason for screaming?
What happened the music and the message that I love?
What happened to the hard work? (hard work!)
And why does everybody look the same?
What happened the music and the message that I love?

And I know, that people change
and we go through different stages in life
and I’m not here to criticize
but the reason I scream, is a feeling inside

But now the biggest part is all about the image and not the art
Fashion before passion!
And at nights, it makes me mad that I should have to ask:
What happened to the passion? (passion!)
What happened to the reason for screaming?
What happened the music and the message that I love?
What happened to the hard work? (hard work!)
And why does everybody look the same?
What happened the music and the message that I love?

Lost (1,2,3,4) lifetime ago it seems
you gave up on your wildest dreams
but i refuse to let mine go
I took an oath, you can find me here
with an open heart and ears
refusing to surrender
I can’t believe they don’t remember
what it feels like to be young

What happened to the passion? (passion!)
What the reason for screaming?
What happened the music and the message that I love?
What happened to the hard work? (hard work!)
And why does everybody look the same?
What happened the music and the message that I love?

A revolução por favor

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Toda mudança de paradigma civilizatório é precedido por uma revolução na cosmologia (visão do universo e da vida). O mundo atual surgiu com a extraordinária revolução que Copérnico e Galileo Galilei introduziram ao comprovarem que a Terra não era um centro estável, mas que girava ao redor do sol. Isso gerou enorme crise nas mentes e na Igreja, pois parecia que tudo perdia centralidade e valor. Mas lentamente impôs-se a nova cosmologia que fundamentalmente perdura até hoje nas escolas, nos negócios e na leitura do curso geral das coisas. Manteve-se, porém, o antropocentrismo, a ideia de que o ser humano continua sendo o centro de tudo e as coisas são destinadas ao seu bel-prazer.

Se a Terra não é estável -pensava-se - o universo, pelo menos, é estável. Seria como uma incomensurável bolha dentro da qual se moveriam os astros celestes e todas as demais coisas.

Eis que esta cosmologia começou a ser superada quando em 1924 um astrônomo amador Edwin Hubble comprovou que o universo não é estável. Constatou que todas as galáxias bem como todos os corpos celestes estão se afastando uns dos outros. O universo, portanto, não é estacionário como ainda acreditava Einstein. Está se expandindo em todas as direções. Seu estado natural é a evolução e não a estabilidade.

Esta constatação sugere que tudo tenha começado a partir de um ponto extremamente denso de matéria e energia que, de repente, explodiu (big bang) dando origem ao atual universo em expansão. Isso foi proposto em 1927 pelo padre belga, o astrônomo George Lemaître o que foi considerado esclarecedor por Einstein e assumido como teoria comum. Em 1965 Arno Penzias e Robert Wilson demonstraram que, de todas as partes do universo, nos chega uma radiação mínima, três graus Kelvin, que seria o derradeiro eco da explosão inicial. Analisando o espectro da luz das estrelas mais distantes, a comunidade científica concluiu que esta explosão teria ocorrido há 13,7 bilhões de anos. Eis a idade do universo e a nossa própria, pois um dia estávamos, virtualmente, todos juntos lá naquele ínfimo ponto flamejante.

Ao expandir-se, o universo se autoorganiza, se autocria e gera complexidades cada vez maiores e ordens cada vez mais altas. É convicção de notáveis dos cientistas que, alcançado certo grau de complexidade, em qualquer parte, a vida emerge como imperativo cósmico. Assim também a consciência e a inteligência. Todos nós, nossa capacidade de amar e de inventar, não estamos fora da dinâmica geral do universo em cosmogênese. Somos partes deste imenso todo.

Uma energia de fundo insondável e sem margens - abismo alimentador de tudo - sustenta e perpassa todas as coisas ativando as energias fundamentais sem as quais nada existe do que existe.

A partir desta nova cosmologia, nossa vida, a Terra e todos os seres, nossas instituições, a ciência, a técnica, a educação, as artes, as filosofias e as religiões devem ser resignificadas. Tudo e tudo são emergências deste universo em evolução, dependem de suas condições iniciais e devem ser compreendidas no interior deste universo vivo, inteligente, auto-organizativo e ascendente rumo a ordens ainda mais altas.

Esta revolução não provocou ainda uma crise semelhante a do século XVI, pois não penetrou suficientemente nas mentes da maioria da humanidade, nem da inteligentzia, muito menos nos empresários e nos governantes. Mas ela está presente no pensamento ecológico, sistêmico, holístico e em muitos educadores, fundando o paradigma da nova era, o ecozóico.

Por que é urgente que se incorpore esta revolução paradigmática? Porque é ela que nos fornecerá a base teórica necessária para resolvemos os atuais problemas do sistema-Terra em processo acelerado de degradação. Ela nos permite ver nossa interdependência e mutualidade com todos os seres. Formamos junto com a Terra viva a grande comunidade cósmica e vital. Somos a expressão consciente do processo cósmico e responsáveis por esta porção dele, a Terra, sem a qual tudo o que estamos dizendo seria impossível. Porque não nos sentimos parte da Terra, a estamos destruindo. O futuro do século XXI e de todas as COPs dependerá da assunção ou não desta nova cosmologia. Na verdade só ela nos poderá salvar.


Por Leonardo Boff ao Brasil de Fato

 

2009 ·Axis of Justice by TNB