
Traduções Bukows #5 e 6: "um poema é uma cidade" e "poema de uma noite escura"
In bukowski, In literatura, In Poemas, In traduçõessábado, 29 de setembro de 2012

Traduções Bukowski #4: "gato malhado"
In bukowski, In literatura, In Poemas, In traduçõessexta-feira, 21 de setembro de 2012
gato malhado
(Charles Bukowski)
Traduzido por Felipe Ribeiro
Traduções Bukowski #3: "o cadarço"
In bukowski, In literatura, In Poemas, In traduçõessexta-feira, 14 de setembro de 2012
o cadarço
uma mulher, um
pneu furado, uma
doença, um
desejo; medos na sua frente,
medos que se seguram tão firme
que você pode estuda-los
como peças em um
tabuleiro de xadrez...
não são as coisas grandes que
mandam um homem para o
hospicio. para a morte ele está preparado, ou
assassinato, incesto, roubo, incendio, inundação...
não, é a série contínua de pequenas tragédias
que mandam um homem para o
hospicio...
não a morte de seu amor
mas um cadarço que se arrebenta
sem tempo de sobra...
o pavor da vida
é essa multidão de trivialidades
que podem matar mais rápido do que cancer
e que sempre estão presentes –
emplacamentos ou impostos
ou uma carteira de motorista vencida,
ou contração ou demissão,
fazendo-os ou tendo-os feito a você, ou
constipação
multas de transito
formigas ou grilos ou ratos ou cupins ou
baratas ou moscas ou um
gancho quebrado em uma
rede, ou sem gasolina
ou com gasolina demais,
a pia entupiu, o senhorio está bebado,
o presidente não se importa e o governador está
louco.
interruptor quebrado, colchão como um
porco-espinho;
$105 por um ajuste, carburador e bomba de combustível na
Sears Roebuck;
e a conta de telefone subiu e o mercado
caiu
e a corrente da descarga está
quebrada,
e a luz está queimada –
a luz do salão, a luz da frente, a luz de trás,
a luz interior; está
mais escuro do que o inferno
e duas vezes mais
caro.
então há sempre chatos e unhas encravadas
e pessoas que insistem que são
seus amigos;
há sempre tudo isso e pior;
torneira vazando, Cristo e o Natal;
salame estragado, 9 dias de chuva,
abacates de 50 centavos
e língua de figado
roxeada.
ou fazendo-o
como uma garçonete do Norm’s na troca de turnos,
ou como um esvaziador de
penicos,
ou como um lava-rápidos ou um assistente de garçons
ou um ladrão de bolsas de velhinas
deixando-as gritando nas calçadas
com braços quebrados aos 80
anos de idade.
subitamente
2 luzes vermelhas no seu retrovisor
e sangue na sua
cueca;
dor de dente, e $979 por um canal
$300 por um dente de
ouro,
e a China a Rússia e a América, e
cabelo longo e cabelo curto e
cabelo nenhum, e barbas e sem
rostos, e um monte de zigzag mas sem sucesso
nenhum, exceto talvez por um cara mijando e
o outro em volta das suas
tripas.
com cada cadarço arrebentado
de cem cadarços arrebentados,
um homem, uma mulher, uma
coisa
entra num
hospicio.
então cuidado
quando você
se curvar.
(Charles Bukowski)
Traduzido por Felipe Ribeiro
Traduções Bukowski #2: "o inferno é um lugar solitário"
In bukowski, In literatura, In Poemas, In traduçõesdomingo, 9 de setembro de 2012
o inferno é um lugar solitário
(Charles Bukowski)
Traduzido por Felipe Ribeiro
Traduções Bukowski #1: "a crise"
In bukowski, In literatura, In Poemas, In traduçõesquarta-feira, 5 de setembro de 2012
Traduções Bukowski
a crise
demais
de menos
gordo demais
magro demais
ou ninguém.
risadas e
lágrimas
odiadores
amantes
estranhos com rostos iguais
à parte de trás de
uma taxinha
exércitos correndo pelas
ruas de sangue
acenando garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um cara velho em um quarto barato
com uma foto de M. Monroe.
existe uma solidão tão grande nesse mundo
que é possível vê-lá no lento movimento
dos ponteiros de um relógio.
pessoas tão cansadas
multiladas
ora por amor ora por falta de amor.
as pessoas simplesmente não são boas entre si
uma a uma
o rico não é bom com o rico
o pobre não é bom com o pobre.
nós estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz
que todos nós somos
vencedores bundões.
ele não nos disse nada
sobre as sarjetas
ou sobre os suicídios.
ou sobre o terror de uma pessoa
agonizando em qualquer lugar
sozinha
intocado
não mencionado.
regando uma planta.
as pessoas não são boas entre si.
as pessoas não são boas entre si.
as pessoas não são boas entre si.
suponho que elas nunca serão.
eu não peço que elas sejam.
mas algumas vezes eu penso sobre
isso
as contas vão pendurar
a nuvens vão nublar
e o assassino vai decapitar a criança
como morder um pedaço de um sorvete em cone.
demais
de menos
gordo demais
magro demais
ou ninguém
mais odiadores do que amantes.
as pessoas não são boas entre si.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam assim tão tristes.
enquanto isso eu olho para a haste das
garotas jovens
flores da chance.
deve haver uma maneira.
com certeza deve haver uma maneira da qual ainda
não pensamos.
quem colocou esse cérebro dentro de mim?
ele chora
ele exige
ele diz que há uma chance
eu não vou dizer
“não”.
(Charles Bukowski)
Traduzido por Felipe Ribeiro
PAISAGEM DA JANELA - Joálisson Gusmão
In Cultura, In Poemas, In reflexão, In Sociedadesexta-feira, 15 de abril de 2011

PAISAGEM DA JANELA
Joálisson Gusmão // Janeiro, 03 de 2011
Hoje deparei-me com o vento a desanuviar o céu, quando, ao abrir a janela do meu quarto, contemplava o nascer do sol nos primeiros dias do ano, e percebi que, na vida, tudo é efêmero, como a brisa que balançava a cortina, ao entrar pela janela de vidro aberta.
Do alto, vi pessoas andando, indo e vindo, num vai-e-vem desenfreado, como se a vida se resumisse em pequenos passos que formam uma curta jornada. O pior é que assim é a realidade. Caminhar para a morte; à eternidade, para alguns, já outros... as reticências falam por si só.
Observei que nas ruas havia máquinas sustentadas por quatro circunferências, duas ou mais e questionei-me por que tantas invenções passavam por ali. Talvez as pessoas usem isso para fugir da realidade, para se protegerem, para se sentirem superiores. Afinal, somos todos iguais, vivendo de aparências, abolindo o interior.
Olhando o céu novamente, revoadas passavam sem destino contrastando a escuridão do horizonte poluído pelo bicho-eu, pelo bicho-você, pelo bicho-ser-humano.
Na travessia da rua, pais exortavam seus filhos no meio da faixa de pedestres, no momento em que o sinal vermelho alertava os passageiros. Mais uma vez começou a correria, a competição de quem chegava primeiro: se o homem, com suas duas pernas – uma ou nenhuma – ao outro lado da rua ou se os automóveis até o próximo sinal que já se fechara.
Após fazer toda esta análise, afastei-me da janela. Tudo isso foi observado em questão de segundos, porém atentei-me apenas quando comecei a escrever. Percebi que uma lágrima, ao banhar meus olhos, delineava meu rosto e atentei-me que tudo aquilo era minha vida: rápida, suja, conflituosa, apressada, maquiada e instantânea como a paisagem que, num estalar de dedos, se desfez.

Fusil contra Fusil - Silvio Rodriguez
In America Latina, In Che Guevara, In Cuba, In Musica, In Poemasquarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Abaixo a música Fusil contra Fusil, uma homenagem do músico, poeta e compositor cubano Silvio Rodriguez ao grande ídolo e inspiração de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro Ernesto CHE Guevara.
Letra:Fusil Contra Fusil
El silencio del monte va
preparando su adiós
la palabra que se dirá
in memoriam será la explosión.
Se perdió el nombre de este siglo allí
su nombre y su apellido son:
fusil contra fusil.
Se quebró la cáscara del viento al sur
y sobre la primera cruz
despierta la verdad.
Todo el mundo tercero va
a enterrar su dolor
con granizo de plomo harán
su agujero de honor, su canción.
Dejarán el cuerpo de la vida allí
su nombre y su apellido son:
fusil contra fusil
cantaran su luto de hombre y de animal
y en vez de lágrimas echar
con plomo lloraran
Alzará al hombre de la tumba al sol
y el nombre se repartirán
fusil contra fusil
fusil contra fusil.
Elegia Che Guevara por Allen Ginsberg
In Poemas, In reflexãoterça-feira, 21 de dezembro de 2010
jovem garoto radiante feminino imberbe
tombado de costas sorrindo para cima
Calmo como se lábios de damas estivessem beijando invisíveis partes do corpo
Cadáver sereno de angélico garoto envelhecido
perceptivo Doutor Argentino, Comandante Cubano petulante
cachimbo na boca & escritor fiel de seus Diários
em meio aos mosquitos, Amazonas
Adormecido numa colina, tedioso trono de Havana renunciado
Mais sexy teu pescoço do que os tristes pescoço enrugados de
Johnson, de Gaulle, Kossygin,
ou o pescoço perfurado à bala de John Kennedy
Olhos mais vivazes encarando os jornais da morte
Que Câmaras do Congresso preucupadas e vívidas convertendo
os pontos de tela em sombras televisivs, olhos vítreos
de MacNamara, Dulles na velhice ardente... Mulheres com chapéu-coco sentadas nos arredores enlameados
com dor de cabeça em La Paz
vendendo batatas trazidas de cabanas com teto de barro
desde puno nos lábios da montanha
teriam adorado teu desejo e adorado tua Face
novo Cristo
Elas erguerão uma máscara de guerra com olhos rubros de bulbos
colmilhos brancos para amedrontar soldaditos-fantasmas
que dispararam perfurando teus pulmões
Incrível!um garoto que abandonou a sala cirúrgica
deixou de curar hepatite no Pampa
Para enfrentar armazéns da ALCOA, Míriade de Assassinos do Conselho Diretivo da United Fruit
Trustes poluentes de Chicago
Advogados fantasmas alinhados com a morte
com firma reconhecida de John Foster Dulles' Dillon & Reed
O bigode de Acheson, o chapéu ossudo de Truman
Para enlouquecer e esconder-se na selva numa mula & apontar
seu rifle contra a OAS contra as cortesias egocêntricas,
distribuição de tropas metálicas do Pentâgono
Publicitários intrépidos e intelectuais obtusos
desde o Time até a CIA
Um garoto contra a Bolsa de Valores toda a Wall Street aos gritos
desde que Norris escreveu The pit
temeroso que chovessem dólares do terraço do Observatório
jogados por irmãos mais jovens debochados,
Contra a indústria de Enlatados,contra os serviços Telegráficos
contra o senso infra-vermelho dos cientistas obcecados
por dinheiro
do Capitalismo Telepata
contra Universitários aos milhões vendo Wichita Family de na TV
Rosto radiante enlouquecido com um rifle
Confrontando emissoras em cadéia elétrica.
de Alma Beat
L&PM editores, 1984
Também publicado em A queda da América, de Allen Ginsberg, com Tradução de Paulo Brito
Editora Brasiliense, 1984
Bertolt Brecht - Aos que virão depois de nós
In Bertolt Brecht, In Poemas, In reflexãoquinta-feira, 25 de março de 2010
Uma linguagem sem malícia é sinal de
estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a
quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
II
Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
III
Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.
Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.
Gabriel, o Pensador - Fala Sério!
In Musica, In Poemas, In reflexãosexta-feira, 19 de março de 2010
Fazendo estardalhaço
De onde vem o dinheiro do mensalão?
Olha a nuvem de fumaça desviando a atenção
Tem culpa eu, seu delegado?
Tem culpa eu?
Tem culpa eu, seu deputado?
Tem culpa eu?
Tem culpa eu, seu senador?
Tem culpa eu?
Tem culpa eu, presidente?
Por favor!
Por que divulgar uma conversa sem valor?
Por quê?
Pra tentar calar a voz do pensador?
Por quê?
Pra tentar pegar uma capa de revista?
Por quê?
Pra dizer que a culpa é toda dos artistas?
Por quê?
Ah não, artista não. É maconheiro!
Sustenta o traficante que sustenta o mundo inteiro
Se eu fosse um maconheiro que comprasse um camarão,
Será que o meu dinheiro ia parar no mensalão?
Não sei, só sei que eu não preciso dizer nada
Se eu fumo, se eu bebo... tremenda palhaçada!
Falei sobre a maconha há mais de 6 anos atrás
Compra o disco, delegado, toca o Cachimbo da Paz
Ou então pode comprar o CD pirata
Tem sempre alí na esquina, pode ser mais vantajoso,
Mas cuidado pra não ser pego em flagrante
Posar de vagabundo sustentando criminoso.
Todos nós sustentamos criminosos,
Eu confesso que sustento,
Sustento, mas não gosto.
Mas não é nada disso que você tá pensando
Eu tô falando dos bandidos que recebem meus impostos.
Alimentam, se alimentam da miséria,
Mas quem vai na favela é o craque ou o artista
A foto do corrupto já deu muita matéria
A foto do famoso vende muito mais revista.
É...político no crime já não é mais novidade
Prefiro uma fofoca diferente
Mesmo se não for crime de verdade,
Mas é celebridade. Diz que é crime pra ficar mais atraente,
Mas quem é que alimenta a miséria que oprime
E empurra o favelado pro lado do crime?
Alguns vão ser cantores, alguns vão jogar bola,
Mas muitos sem escola acabam na pistola.
Morrendo, matando, o mundo se acabando
E tanta gente de braços cruzados.
Parece que ta tudo combinado
O que eu sei vocês já sabem
Espero que eu tenha colaborado.
Seu Alfredo, o poeta sertanejo que sonhava com a escola.
In Brasil, In Poemas, In reflexão, In solidariedadesábado, 6 de março de 2010
O cheiro do café passado na hora abre as portas para uma longa conversa sobre a vida, sonhos e a arte, despertada em 1985, quando seu município de origem, Lapão-BA, tentava se emancipar. Em versos simples, de um homem que nunca foi à escola, Fredo foi de encontro aos velhos coronéis da terra e declamou com garra e coragem a seguinte estrofe:
• "Não tinha como estudar, e chorava"
Frequentar uma sala de aula foi o maior sonho do poeta sertanejo, porém os tempos difíceis da época de criança não deixaram sua aspiração virar realidade. Apesar de não poder ir à escola, sua vontade era maior que a maioria dos obstáculos. Com uma "banda" de toucinho de um porco gordo, doado pelo seu avô, foi para cidades vizinhas vender a mercadoria. Ao todo conseguiu 200 réis, dinheiro suficiente para comprar um livro ensinando a arte do ABC. "Quando meu avô trouxe o livro, só fui dormir quando aprendi a primeira carreira de letra, gravei até o "é", depois fui tocando meus estudos para frente. Em quinze dias, já sabia ler. Meu avô morreu na grande crise de 32, e fomos trabalhar numa roça que só tinha onça e caititu. Lá, passei de inteligente e fiquei conhecido por fazer um cavaquinho com uma faca com apenas 12 anos, ficou tão bom que muitas pessoas quiseram comprar, acabei vendendo para comprar uma roupa bem bonita que fazia tempo que não tinha".
Apesar do esforço, o garoto promissor ainda não sabia escrever até que a noiva do tio questionou: "Você já sabe fazer seu nome?" triste e envergonhado ele respondeu: "Não". Foi então que a jovem segurou em sua mão e com um toco de madeira riscou o nome do menino para ele copiar. "Fiquei muito feliz, gravei aquilo e nunca vou me esquecer, saí correndo para mostrar a todos, mas muita gente não acreditou. Meus parentes só acreditaram de verdade quando a moça chegou e confirmou tudo. Sonhava tanto em aprender que quando ia comprar alguma coisa montado no lombo de um jumento, passava por perto da escola, amarrava o animal e ficava ouvindo eles aprenderem e passava a tarde toda. Quando chegava em casa minha mãe questionava você foi no Lapão ou no Japão?", lembra o poeta.
"Hoje sei escrever um pouquinho e fazer umas continhas. Não leio cantando como um formado, mas graças a Deus, não sou cego", ele diz. Mas, nem só de poesia se inspira Alfredo, o poeta sertanejo, que também "toca uns tonzinhos" para se divertir. "Comecei a tocar com 12 anos, na época que fiz o cavaquinho, via meu tio fazendo uns tons e fui aprendendo. Logo as pessoas me chamavam para bater uma sanfona e tocar violão, mas hoje é só para se divertir em casa. Toco umas músicas de igreja, uns sambinhas e uns sucessos de Amado Batista, Waldick Soriano, Vicente Celestino e Alvarenga e Ranchinho".
Alfredo casou a primeira vez com 16 anos, teve dois filhos e ficou viúvo. Ainda jovem começou a labuta. Após a vida do campo, trabalhou durante 40 anos como barbeiro e marceneiro e conta orgulhoso que todo serviço era feito com prazer. "Gostava quando cortava o cabelo e o cliente exigia o corte e qualidade no serviço. Se fosse fazer um móvel, fazia com todo capricho, escolhia sempre uma madeira boa e buscava a perfeição. Fiz móveis que até hoje nunca descolaram uma placa. Ganhei fama por aqui, o povo comentava: "Esse é bom no machado"."
Apesar de nunca ter lido um livro de poesia, os versos de Alfredo brotam com naturalidade. Com uma linguagem regional, rica em detalhes e lembranças de um povo sofrido e lutador, o poeta sonha em publicar seus versos, já impressos artesanalmente, feito cordel, e distribuído na cidade. Porém, esse almanaque vivo, simples, inocente e sábio, precisa de apoio para imortalizar suas lembranças, seja para falar de um sorriso de uma criança, uma gameleira ou de uma gruta, Alfredo deseja publicar um livro, e contribuir para deixar escrita na história a riqueza e a poesia do homem do campo.
CONTATO:
Telefone para recados: (074) 3657-1372
Pra nunca mais esquecermos!
In Bertolt Brecht, In Poemas, In reflexãoquinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

American Way of Life e Outras Banalidades.
In capitalismo, In consumismo, In Poemas, In politicasegunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
De Que Serve A Bondade?
In Bertolt Brecht, In Pensadores, In Poemas, In reflexãoquarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
De que serve a bondade?
Se os bons são imediatamente liquidados,ou são liquidados
Aqueles para os quais eles são bons?
De que serve a liberdade?
Se os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão?
Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?
Em vez de serem apenas bons,esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade
Ou melhor:que a torne supérflua!
Em vez de serem apenas livres,esforcem-se
Para criar um estado de coisas que liberte a todos
E também o amor à liberdade
Torne supérfluo!
Em vez de serem apenas razoáveis,esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo
Um mau negócio.
Bertolt Brecht
O sol nasce para todos
In democracia, In luta popular, In Poemas, In reflexãoterça-feira, 26 de janeiro de 2010
O sol nasce para todos.
Da mesma maneira, brilhando por igual,
Sem se importar com sua etnia, sua nacionalidade.
Sua religião, sexo ou idade.
Ele é imparcial, mesmo sabendo do poder que tem,
Mesmo sendo essencial para nossa vida,
Ele continua a iluminar o mundo todo,
Parte por parte,
Pessoa por pessoa.
Todos o enxergam, mas nem todos o vêem,
Você precisa vê-lo com seu coração,
Precisa perceber tudo que o cerca,
Admirar nosso lindo planeta
Respirar fundo e se sentir bem
Por estar ali, vivo, são e diante de um mundo tão grande
E tão bonito.
E se dar conta de que tudo aquilo nos pertence,
E será nosso pra sempre, se essa for nossa vontade.
Quando for capaz de notar tudo isso
Vai sentir a sensação de liberdade
De paz,
Pois a paz chega aos poucos,
Vagarosa e silenciosamente,
E nos invade com sua imensa tranqüilidade
E sua profunda sabedoria.
E na essência dessa sabedoria
Passamos a enxergar além do nosso ego
Passamos a ver e a sentir as pessoas,
Passamos a notar o sentimento por trás de um sorriso,
Ou de um choro.
E finalmente, ao nos darmos conta da existência de tudo isso
Entenderemos que assim como o sol nasce para todos,
Nosso coração também, deve sentir
E amar todos,
Para que a paz chegue às pessoas
Junto da igualdade, da justiça e da liberdade.
Transformando todo esse sonho, em realidade.
Autor Desconhecido.
postado por Luccas M.
A incerteza de Einstein
In Poemas, In reflexãoterça-feira, 19 de janeiro de 2010
Albert Einstein
Reflexão por Martin Luther King
In Martin Luther King, In Poemas, In reflexãodomingo, 17 de janeiro de 2010
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver!
Os pensamentos são livres
In Karl Marx, In Poemas, In reflexãoquinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Os pensamentos são livres!
Quem pode adivinhá-los?
Eles passam voando
Como sombras da noite.
Ninguém pode sabê-los,
Ninguém pode atingí-los,
Não há como mudar:
Os pensamentos são livres!
Eu penso o que eu quero,
E tudo o que me agrada,
Mas tudo em silêncio
Sem chamar a atenção.
Meu desejo e meu anseio
Ninguém pode impedir.
Não há como mudar:
Os pensamentos são livres!
E se eu for aprisionado
No mais sinistro calabouço,
Tudo isto será obra
Inútil e também vã;
Pois os meus pensamentos
Partem os grilhões
E os muros em dois:
Os pensamentos são livres!
Por isto para sempre
Deixarei de lado preocupações
Deixarei de lado para sempre
Os meus temores
Pois no coração sempre
Será possível rir e ser alegre
E ao mesmo tempo pensar:
Os pensamentos são livres.

