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O grande medo da VEJA

domingo, 6 de março de 2011


Acessando os comentários do 8º ato encontrei essa notícia. A pequena ponta escrita por Reinaldo Azevedo à revista Veja, só alimenta o sentimento de nojo que eu sinto ao ouvir falar dessa revista. É como até mesmo meu professor de economia dizia sobre um outro economista, também colaborador da revista, ele defende de forma deselegante a sua posição política e se mostra mais do que tendencioso. O pior de tudo é que são os mesmo leitores desse monte de porcaria que só tem como objetivo alimentar um medo de quem ainda vive na guerra fria, apesar dos anos serem outros.

Abaixo você pode ler o que ele diz sobre o movimento, e ainda abaixo colocarei algumas fotos do 3ºato, que é o "analisado" por Reinaldo.

27/01/2011

às 20:38
A Revolta da Catraca - Pais, vigiem os seus filhos; eles podem ser seduzidos pelo grupo que quer acabar com o capítalismo

No Estadão Online, podemos ler: “Milhares de manifestantes realizam desde o fim da tarde desta quinta-feira, 27, um novo protesto contra o aumento da tarifa de ônibus. O ato começou em frente ao Teatro Municipal, passou pela sede da Prefeitura e segue em direção à Câmara dos Vereadores.”

Parece que é texto feito a partir de release dos realizadores do protesto. Por quê? Os “milhares” não passavam de 500, segundo a Polícia Militar, que costuma dar números realistas sobre manifestações.

A turma se manifestava contra o aumento da passagem de ônibus, que passou a R$ 3. O protesto é promovido por um certo MPL, Movimento Passe Livre. É aquele grupo que pretende pôr fim ao capitalismo começando pela expropriação dos meios de transporte. Juro! Este é o objetivo do movimento: acabar com a propriedade privada!

Sempre aparecem um moleque ou outro falando em nome da turma. Os oportunistas maiores de idade se escondem. Escolhem a hora em que a garotada sai das escolas, dos cursinhos, do trabalho etc. para promover a bagunça. Até o Diogo Mainardi já depredou banco quando tinha 16 anos. Foi engolfado por uma passeata. Não tinha nada com aquilo. Levou uma porrada da polícia e aderiu ao outro lado. É justo quando se tem 16 anos…

O tal MPL se define como não-político, mas deixa claro não ser contra a política, entenderam? É claro que a meninada já está sendo usada como boi piranha de espertalhões. 2012 já está na ruas. Agora só falta o Oded Grajew.

Ah, sim: certa imprensa confere aos manifestantes a entonação romântica dos libertários. Entendo. Afinal, por enquanto, eles querem andar de graça nos ônibus. Esse é o meio. O fim, como sempre, é o socialismo. Hobsbawm já disse por que ele gosta tanto da América Latina. Por aqui, ele se sente em pleno fim do século 19. Esses “garotos” vão aparecer muito até 2012.

Por Reinaldo Azevedo

Bom, se a polícia militar disse que só teve 500 pessoas, então eu certamente devo acreditar, afinal quem adora aumentar os números desse tipo de manifestação de tendência puramente marxista, sem razão alguma de existir (Afinal, o transporte é barato e confortável para todos - um orgulho para todos os paulistanos). É simplesmente perturbador saber que ainda hoje, uma pessoa olhe um movimento como esse, e a única coisa que a pessoa sente é medo, medo de uma revolução comunista!




Esse alias foi o primeiro ato em que compareci, tive a felicidade de levar a maquina e tirar essa foto, quase metade do ato já havia passo por mim, e muitos ainda dobravam a esquina descendo a rua. Agora o que era um profundo desgosto pela revista Veja se transformou em nojo. Seria bom se o jornalista, mais um dos críticos de sofá comparecesse em um movimento antes de falar com tanto convicção sobre ele! Fiquemos de olho, logo o movimento dos ciclistas em Porto Alegre poderá ser o novo taxado de comunista.

Surpresa: a Tunísia era uma ditadura

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011


Quando eu ingressei como redator na editoria de assuntos internacionais da Folha de S.Paulo, um colega veterano me ensinou como se fazia para definir quais, entre as centenas de notícias que recebíamos diariamente, seriam merecedoras de destaque no jornal do dia seguinte. "É só olhar os telegramas das agências e ver o que elas acham mais importante", sentenciou. Pragmático, ele adotava esse método como um meio seguro de evitar que o noticiário da Folha destoasse dos jornais concorrentes, os quais, por sua vez, se comportavam do mesmo modo. Na realidade, portanto, quem pautava a cobertura internacional da imprensa brasileira era um restrito grupo de três agência noticiosas -- Reuters, Associated Press e United Press International, todas afinadíssimas com as prioridades geopolíticas dos Estados Unidos.

Passadas mais de duas décadas, a cobertura internacional da mídia brasileira ainda se orienta por diretrizes estrangeiras. A única diferença é que agora as agências enfrentam a competição de outros fornecedores de informação, como a CNN e os serviços de empresas como a BBC e o New York Times, oferecidos pela internet. Mas o conteúdo é o mesmo. O resultado é que as informações internacionais que circulam pelo planeta, reproduzidas com mínimas variações em todos os continentes, são quase sempre aquelas que correspondem aos interesses de Washingon.

Quem confia nessa agenda está condenado uma visão parcial e distorcida, uma ignorância que só se revela quando ocorrem "surpresas" como a rebelião popular que derrubou o governo da Tunísia. De repente, o mundo tomou conhecimento de que a Tunísia -- um país totalmente integrado à ordem neoliberal e um dos destinos favoritos dos turistas europeus -- era governada há 23 anos por um ditador corrupto, odiado pelo seu povo. Como é que ninguém sabia disso?

A mídia silenciou sobre o despotismo na Tunísia porque se tratava de um regime servil aos interesses políticos e econômicos dos EUA. O ditador Ben Ali nunca foi repreendido por violações aos direitos humanos e, mesmo quando ordenou que suas forças repressivas abrissem fogo contra manifestantes desarmados, matando dezenas de jovens, o presidente estadunidense Barack Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, permaneceram em silêncio. Não abriram a boca nem mesmo para tentar conter o massacre. Só se manifestaram depois que Ben Ali fugiu do país, como um rato, carregando na bagagem mais de uma tonelada de ouro.
O caso da Tunísia não é o único na região.

No vizinho Egito, outro regime vassalo dos EUA, Hosni Mubarak governa ditatorialmente desde 1981. Suas prisões estão lotadas de opositores políticos e as eleições ocorrem em meio à fraude e à violência, o que garante ao governo quase todas as cadeiras parlamentares. Mas o que importa, para o "Ocidente", é o apoio da ditadura egípcia às posições estadunidenses no Oriente Médio, em especial sua conivência com o expansionismo israelense.

Por isso, a ausência de democracia em países como a Tunísia e o Egito nunca recebe a atenção da mídia convencional, ao contrário da condenação sistemática de regimes autoritários não-alinhados com os EUA, como o Irã e o Zimbábue. É sempre assim: dois pesos, duas medidas.


*Artigo publicado originalmente no Brasil de Fato. Igor Fuser é jornalista, doutorando em Ciência Política na USP, professor na Faculdade Cásper Líbero e membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato.

Fonte: OperaMundi

O tráfico que a TV não mostra

domingo, 28 de novembro de 2010

Carta ao Prates (o ódio, versão RBS de S. C.)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Após os comentários preconceituosos, sórdidos e completamente tendenciosos feitos por Luiz Carlos Prates no Jornal do Almoço de Santa Catarina em 15/11/2010. Um professor, Plínio Ferreira Guimarães resolveu rebater o discurso infeliz feito por esse "jornalista" elitista e superficial.

O discurso de Prates e a carta em resposta de Plínio seguem abaixo:




Para ler a carta clique em "Leia Mais" abaixo:





Esse problema só nos mostra que ainda vivemos numa sociedade com sobras do pensamento escravista de outrora. Uma pessoa como Prates, com a influência que um jornalista exerce sobre o público, dizer tamanha bobagem acaba por alienar telespectadores que poderão partilhar da mesma infeliz e preconceituosa opinião que esse senhor elitista, conversador e preconceituoso.

Enquanto tivermos pessoas que pensam dessa forma, nunca alcançaremos a humanidade de fato, e continuaremos a presenciar injustiças e desigualdades provenientes daqueles que tem mais do que precisam ter.



Agradecimento a dica do Pedro.

Carta disponível em: ConversaAfiada


RATM, Tom Morello e Roger do Ultraje a Rigor.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010


Recebi o link de uma matéria muito boa, escrita e postada no blog do Marcel Bittencourt. O texto, escrito pelo próprio Marcel, retrata a posição política que Tom Morello se colocou diante do quadro eleitoral brasileiro, e a represália sofrida por Roger da banda Ultraje a Rigor. Recomendo a visita/leitura do blog, além dessa, muitas outras postagens excelentes.

Segue a matéria:

Rage Against The Machine, Tom Morello, Roger do Ultraje, Socialismo e Coerência.

"Na ultima semana houve muita polêmica envolvendo o Rage Against the Machine e o Brasil. Começou com uma reportagem da Globo onde o repórter perguntou sobre o fato de a banda só viajar de primeira classe. A pergunta foi polemista, intencional, e, na minha opinião, infundada. Na seqüência explico o porquê.

Em sua passagem pelo Brasil, a banda se encontrou com pessoas do MST, movimento que tem o apoio declarado da banda.

Ontem, através do Twitter o guitarrista Tom Morello declarou apoio à candidata Dilma Rouseff, do PT, definindo-a como “candidata dos pobres, da classe trabalhadora e dos jovens”. No mesmo dia, veio uma reação extremamente imprevisível e agressiva de Roger da Rocha Moreira, do Ultraje à Rigor, que respondeu “What the fuck you know, you asshole?” (algo como “que porra tu sabe ô cuzão?”).

Hoje Morello reafirmou sua posição dizendo “O Brasil está aprendendo o que os outros sabem há anos: Rage não é apenas uma banda para bater cabeça, também temos ideias. Apoio Dilma Rousseff e o MST, convivam com isto!”

Ok. Diante de todas essas informações, aqui vai minha opinião:

O Rage Against the Machine sempre foi uma banda políticamente engajada. Quem conhece a história do Rage Against the Machine sabe que sempre foram uma banda bastante ligada aos movimentos revolucionários. A estrela vermelha (um dos símbolos do comunismo) sempre esteve presente no material gráfico e nos shows da banda (como pode ser visto no SWU). A banda relmente sempre levou a mensagem de que uma revolução é necessária para que tenhamos um mundo mais igualitario e socialmente responsável. Tom Morello é declaradamente socialista e nada mais coerente a se esperar de um socialista do que apoio à um movimento que luta pela reforma agrária em um país continental que NUNCA se preocupou em estabelecer uma política nesse sentido.

Quanto ao apoio à Dilma, não se trata de petismo. Trata-se do olhar do cara sobre as políticas que cada um representa. Um socialista pode apoiar o não Dilma e o PT. Um socialista nunca apoiaria o Serra e o PSDB. Opinião pessoal. Uma coisa que hoje em dia está muito difícil respeitar. Coisa que, aliás, demonstrou o Roger.

Sempre fui fã do Roger. E do Ultraje. Roger foi um dos primeiros caras que segui no Twitter. Sempre achei um cara inteligente e sagaz. Até ontem. A atitude dele de simplesmente ofender diante de um posicionamento político diferente do seu foi, como bem definiu meu irmão Murilo, “atitude de moleque”. Feio.

Outro amigo meu defendeu fortemente a idéia de que Morello como estrangeiro não pode tecer opiniões desse tipo e que isso seria entrar na casa dos outros cagando ditando regras. Entendo o posicionamento, mas discordo. Acho que o fato de não morarmos em um país não nos impossibilita de criticar quando discordamos de algo. O exemplo Estados Unidos x Iraque ilustra perfeitamente isso. Acho que o Rage Against na posição de uma grande banda tem sim o direito de dar sua opinião e tentar fazer sua parte seja qual for a questão.

Mas isso não é nada. Tem uma coisa que está me incomodando mais que tudo nessa história toda.

Estou vendo muita gente (como, por exemplo, o repórter que entrevistou a banda) usar o argumento de que o Rage Against the Machine não tem o direito de posicionar assim ou nem mesmo de defender o socialismo pelo fato de serem RICOS.

Pelo amor de Deus. Desde quando a pessoa que ficou rica não pode querer um mundo melhor? Ou um mundo com mais igualdade? Ou um sistema socialista? Mesmo que fosse muito rico eu ia querer um mundo mais igualitário por um motivo simples: Não me preocupo só comigo. E é assim que, provavelmente, o Rage Against the Machine pensa.

Se determinada pessoa é rica, bom pra ela que pode aproveitar sua riqueza. Doar esse dinheiro não vai mudar o problema central, que é o sistema. Mesmo que se faça muita caridade o sistema vai continuar alimentando a desigualdade. Seria paleativo. As pessoas deveriam entender que o socialismo não prega a pobreza, e sim a igualdade. Quem faz voto de pobreza é monge.

A única certeza nisso tudo é que eu sou, cada vez mais, fã do Rage Against the Machine."



http://eraoquetinha.wordpress.com/2010/10/16/rage-against-the-machine-tom-morello-roger-do-ultrage-socialismo-e-coerencia/

Agradecimento a dica do Thales.

Credibilidade em questão: O poder de persuasão da mídia

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Assim como sabemos que após uma chuva a cidade fica molhada, sabemos também que é imenso o poder de persuasão que os meios de comunicação têm atualmente junto à sociedade: as manchetes dos jornais, as chamadas na TV, as notícias instantâneas na internet, os comentários nas emissoras de rádio, todos esses "suportes" do campo midiático ganham imediata repercussão, espraiando-se pela sociedade com velocidade alucinante.


Ainda que em alguns casos não seja algo feito de caso pensado, é fato que a utilização de manchetes de jornais e capas de revistas em programas eleitorais dos candidatos à presidência da República tornou-se mais que corriqueiro no presente pleito de 2010. O candidato José Serra foi brindado com dezenas de manchetes, capas e ilustrações constantes de veículos da mídia impressa, com direito a que locutores leiam os textos e adicionem observações de condenação a quem já é contumaz condenado pelo jornalismo de nossas revistas e jornais de maior circulação.


Nos últimos dias da campanha, algumas manchetes do jornal Folha de S.Paulo sobre comprovada corrupção em licitação para construção de linhas do metrô paulista também se transformaram em material televisivo para a campanha de Dilma Rousseff. Mas nesse jogo de ver bola levantada na imprensa escrita em apoio candidato Serra, o tucano ganhou de lavada: converteu a cada semana diversas capas de jornais em material de sua propaganda política. A ocorrência do expediente só fez crescer o sentimento de que nossa imprensa mais vistosa não apenas tinha seu candidato ao Planalto como também se mostrou seu mais importante instrumento para alavancar votos e constranger sua principal oponente. E como tudo tem um custo – porque também na mídia não existe almoço grátis –, quem paga o preço mesmo é essa coisa muitas vezes intangível chamada credibilidade jornalística.


Interesses determinados


Uma análise mais detida dará conta que os processos comunicativos e os processos político-eleitorais são mais entrelaçados do que podemos imaginar. São vasos comunicantes em que se misturam tanto desprezo quanto preconceitos comezinhos pelo governo de plantão, com a almejada e incontida pressão para que haja alternância na chefia do Poder Executivo. É assim que práticas de corrupção em qualquer escalão do governo parecem estar sempre a poucos centímetros do presidente da República. O mesmo não ocorre com práticas similares afeitas à territorialidade do estado de São Paulo.


Enquanto a campanha situacionista precisou se desdobrar para prover esclarecimentos, tomar ações administrativas de supetão, a campanha oposicionista pôde até "dar de ombros" para qualquer acusação que já foi suficiente para estancar qualquer iniciativa mais arrojada para continuar a investigação jornalística. Para um qualquer, onda pode se transformar em tsunami indonésio, enquanto para outro qualquer tsunami aterrador pode se transmutar em pequena marola de beira de praia.


A política, por estar representada com pessoas de diversas origens partidárias e ideológicas – seja pelo pouco "escolado" Tiririca ou por um "especialista em educação" Gabriel Chalita –, continua sendo palco para encenações e necessita da visibilidade proporcionada pelo campo midiático, já que qualquer acontecimento ou indivíduo só comprova que existe na sociedade se estiver representado na mídia. A visibilidade midiática e a complexidade desse meio levam os media a se constituírem enquanto campo social, isto é, a possuir regras e valores (axiologia), código e gramática próprios, e as costumeiras tensões com outros campos, além da busca por legitimidade, traço natural de qualquer campo social.


Conflitos e dinâmica da política diferem bastante daqueles que caracterizam o campo social da mídia. Política e mídia atraem para seu entorno um campo simbólico de disputa, onde parece reinar nossa velha conhecida lei da selva, segundo a qual cada um tem como principal missão defender seus próprios interesses. Principalmente os imediatos. Assim como a política exerce papel de articulação – articula ideias, lideranças, formulação legislativa e supervisiona a execução de políticas públicas –, a mídia também não prescinde desse mesmo papel e é a mídia que articula a informação que se transforma em notícia, a notícia que abastece a opinião e que desemboca na sociedade em uma mistura nem sempre palatável de fatos reais, fatos imaginados e opiniões sobre um e outro. A mídia sabe que para ter credibilidade – ser crível, digna de confiança dos consumidores de seus produtos – precisa, antes de tudo, ser pautada pela transparência e para a "publicidade" de fatos, com ênfase maior para aqueles carimbados como espetaculares ou pela simples ocultação ou supressão destes quando conflitarem com seus interesses.


Para escrever o futuro


Não faz muito tempo que a academia passou a considerar a mídia também como produtora de sentidos, e não somente mediadora entre os campos. E é no contexto da mídia como produtora de sentidos que percebemos que a visibilidade midiática se revela quase sempre através da massificação dos conteúdos jornalísticos, que movimentam um verdadeiro mercado no qual o consumo da informação não tem fronteiras econômicas, políticas, sociais, culturais ou comportamentais. É fato que em nossa sociedade do consumo da informação, da agilidade e da instantaneidade das notícias, ocorre a busca pelo que carregue nas tintas da diferença, do não-similar, do que trafega entre o grandioso e o épico, da aberração que se encaminha para a espetacularização pura e simples, se assim podemos dizer.


Não é arriscado inferir que se antes éramos buscadores de notícias, hoje a situação piramidal se inverteu por completo: são as notícias que nos buscam. E isso nos faz ter a sensação de que os telejornais são todos iguais, com variações meramente cosméticas, superficiais, e que a imprensa escrita, por trabalhar com as mesmas pautas, só pode se diferenciar uma da outra através da carga ideológica despejada no suporte por quem sabe apenas produzir jornalismo opinativo.


Crescendo o espaço de colunas de opinião, nos distanciamos mais dos fatos, da realidade factual, para tocar nas franjas de aspirações ideológicas. Mas se todos os colunistas rezam pela mesma cartilha ideológica, se tomam caminhos os mais diversos para trilhar e, ainda assim, insistem e forçam a barra para chegarem todos eles ao mesmo lugar e ao mesmo tempo, então estamos construindo um imenso edifício da singularidade em campanha aberta à pluralidade de pensamento. Enquanto o mundo se reorganiza em várias áreas de atuação, encontramos pesadas barricadas da mídia para manter tudo como está: não mexer em nada, fazer de conta que o mundo todo pode mudar, menos os seus conceitos do que é o jornalismo e a concepção de como poder ser exercido.


E não era, absolutamente, para ser assim. As transformações tecnológicas, os avanços da ciência que impactam tanto o que entendíamos como "acúmulo de conhecimento humano", tomaram de assalto os caminhos da informação desde sua produção até o seu usufruto. A concorrência dos suportes midiáticos tradicionais com os novos suportes – e o rápido acesso das massas da humanidade a seus poderes semimágicos a transitar entre o real e o virtual – formam um poderoso quebra-cabeças do que será a comunicação deste futuro-que-se-torna-presente quase que imediatamente.


A hesitação – ou seria o desnorteio? – dos que detêm o processo decisório sobre nossos veículos tradicionais de comunicação é que determina o tempo de sobrevida que lhes resta. Sábios e prudentes são os que aproveitam este momento atual para escrever o seu futuro, um futuro prenhe de coisas como pluralidade de pensamento, delegação de poder decisório, desconcentração de propriedade, abertura inaudita ao que é novo e ao que privilegia a velha e santa atividade de pensar.


Poderosos desdobramentos


A revolução no campo das comunicações, para sermos francos, ainda nem começou. Estamos vendo apenas os ingredientes serem apresentados um a um. Muitos destes nem se tornaram ainda conhecidos. Isto porque não existe caso na literatura humana que diga que as grandes revoluções do conhecimento começaram de fora para dentro. Não foram as máquinas que chegaram primeiro. Nem os tipógrafos, nem os foguetes chegaram primeiro ao mundo da existência. Primeiros eles brotaram dentro do ser humano e foram, como flor que é despetalada, se ajeitando, se organizando, encontrando seu lugar no mundo real.


Não demora mais três ou cinco anos e teremos condições de saber tudo o que acontece no mundo, do jeito que acontece, por que acontece desse e não daquele jeito e quais as consequências imediatas, no curto, médio e longo prazos do que aconteceu. E tudo isso será acessível a todos sem que paire sobre todos nós a ameaçadora sombra da incerteza e da dúvida.


Da mesma forma, não causará espanto algum se aqueles há tanto tempo marginalizados pela mídia, como se inexistentes fossem, resolverem ir a campo e criar seus próprios veículos de comunicação, seus próprios impérios de produção de sentidos e assumirem, eles mesmos, a mediação entre os campos em que se dá a atividade humana em toda a sua extensão e plenitude.


O futuro dos meios de comunicação tradicionais (rádio, jornal, televisão) precisa parar de lutar ante a evidência a que ele chegou, e daqui para a frente veremos não mais que seus poderosos desdobramentos. É tempo para se perceber como metáfora completa do dilema da comunicação estes versos de Pablo Neruda:


"Tu eras também uma pequena folha/ que tremia no meu peito./ O vento da vida pôs-te ali./ A princípio não te vi: não soube/ que ias comigo,/ até que as tuas raízes/ atravessaram o meu peito,/ se uniram aos fios do meu sangue,/ falaram pela minha boca,/ floresceram comigo."



Por Washington Araújo em 2/11/2010 ao Observatório da Imprensa

SOBRE MÍDIA, POLÍTICA E ELEIÇÕES

terça-feira, 26 de outubro de 2010

1) Tropa de Elite 2 é um bom filme. Com restrições, mas um bom filme. Digo isso basicamente por dois motivos: a) o filme tem um personagem inspirado na história do deputado estadual Marcelo Freixo, que tem sido um grande aliado do povo fluminense, é um sujeito correto; b) o filme mostra as chamadas milícias do jeito que são, e também revela suas ligações com políticos. Por outro lado, o Bope continua sendo apresentado como o supra-sumo da polícia. “O Bope é uma peça fundamental na nossa política de segurança”, diz lá o cap. nascimento. E o que faz essa peça fundamental? Entra na favela e mata bandido pobre, o lado barato do negócio, sem tocar na questão do tráfico internacional de drogas e armas. Assim, a criminalização da pobreza é naturalizada. É nesse ponto que a película, distribuída pela Globo Filmes, se encontra com o noticiário do Jornal Nacional a respeito das favelas.

2) O Vox Populi desta segunda-feira, dia 25, deu 14 pontos de frente para Dilma: 57% a 43% dos votos válidos. Hoje, terça, tem Datafolha, cuja última sondagem apontou vantagem de Dilma de 56% a 44%. O debate que está sendo realizado agora na TV Record não criou um fato suficientemente explosivo para mudar o quadro eleitoral. No conjunto da obra, considerando também os programas eleitorais da noite, diria que José Serra levou ligeira vantagem. Isso porque, pela primeira vez, o tucano puxou uma pergunta sobre a Petrobrás e conseguiu encostar Dilma no córner ao falar que ela também privatizou campos de petróleo – repetindo o início do seu programa eleitoral. Como não houve negativa firme, pode-se dizer que o tema ficou um pouco embolado na percepção do eleitor comum – e este era um dos grandes trunfos da campanha da petista. Por outro lado, Serra fugiu da primeira pergunta sobre criação de empregos (15 milhões no governo Lula contra 5 milhões no governo FHC). Na segunda, não teve jeito. Tentou falar da criação de empregos na saúde, depois passou a acusar Dilma de má gestão (mudando de assunto). Apesar do empate técnico no debate, não acho que a eleição esteja decidida, apesar da razoável vantagem da petista. Durante a semana ainda pode acontecer muita coisa, incluindo as ações da campanha subterrânea tucana – e-mails e panfletos apócrifos. E também ações midiáticas, como a da bolinha de papel. Mais do que nunca, a militância de todo o campo progressista deve estar atenta.

3) O governo Lula conclui essa semana o primeiro curso de formação para policiais atuarem na proteção de defensores dos direitos humanos ameaçados, que se encontram dentro do programa de proteção do governo federal. Serão formados 60 policiais militares do Distrito Federal em Direitos Humanos e técnicas de proteção a pessoas ameaçadas. A iniciativa, inédita no país, é uma parceria do Ministério da Justiça, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e da Polícia Militar do Distrito Federal. As aulas quebram a lógica da velha doutrina militar, que identificava como inimigos lideranças populares, os tais subversivos de outrora. Agora, os membros de movimentos sociais são valorizados. Os policiais recebem cursos sobre conflitos agrários e urbanos, que revelam as raízes das desigualdades e mostram a responsabilidade do latifúndio na produção da violência. A ordem é “proteger a todo o povo, e não só as autoridades tradicionais”.

Por @MarceloSallesJ ao FazendoMedia



Veja vs. IstoÉ

Nas ultimas semanas, diversos boatos e notícias tendenciosas invadiram as casas de diversos brasileiros, na reportagem a seguir a Record relata algo que nunca é mostrado pela mídia: a briga entre as maiores revistas do Brasil e como isso afeta o voto do eleitor brasileiro.

Vale a pena conferir de que forma as revistas de referem a certos aspectos da política do PT e do PSDB e ainda assim se perguntar: Será que todas essas informações são confiáveis? Já tenho um certo histórico de desgosto com a revista Veja que adora fazer de boatos notícias, e apesar do contraponto proposto pela IstoÉ percebe-se que ela utiliza-se, de certa forma, das mesmas armas (pelo menos foi o que eu percebi com a divulgação de boatos) para ir contra o jornalismo partidário da revista daeditora Abril. Porém não condeno a atitude, já que a VEJA não pega leva quando o assunto é inventar notícias, e que adora induzir conclusões dos seus leitores que reflitam seus interesses, ao invés de como a mídia em geral deveria ser, apenas lançar os dados para que cada um possa tirar sua própria conclusão.

É difícil falar sobre mídia, porém só peço a todos que procurem se informar antes de acreditar cegamente nas noticias de A ou B. Só assim teremos um país verdadeiramente democrático, onde as idéias não representam apenas o que parcela de poderosos quer.






JN e o meteorito de papel

Ânimos exaltados fazem aflorar ainda mais a partidarização da imprensa no corrente pleito de 2010. Esta é uma campanha presidencial sui generis. Tudo o que não é fato vira notícia e tudo o que tem potencial de notícia deixa de ser divulgado. Chama a atenção o vocabulário corriqueiro dos candidatos à Presidência da República: o adversário é sempre mentiroso, não importa qual seja a situação, a mentira antecede o depoimento, a desfaçatez nubla a face da verdade e o que acusa o outro de mentiroso o faz sem a contração de qualquer músculo facial.

Na tarde da quarta-feira (20/10), no Rio de Janeiro, tivemos o próprio "Efeito Borboleta": uma simples bolinha de papel, pesando não mais que 5 ou 8 gramas, bateu na cabeça do candidato José Serra. Mas foi suficiente para produzido o festejado efeito cinematográfico: ocupou espaço nobre no Jornal Nacional, edição mais que caprichada com direito a inserção de vídeo com foto, de entrevista de médico com áudio de repórter, ampliações desmesuradas com o intuito nada ingênuo de transformar o choque de uma bolinha de papel sobre um ser humano com a gravidade e contundência de meteorito se chocando com o planeta Terra.

Fabricação de realidades

A idéia da TV Globo era usar todos os recursos de dramaturgia acessíveis. Apenas a emissora líder não contava com o baixo desempenho da protagonista... Com uma bolinha de papel não dá para escrever capítulo muito emocionante, algo que seja digno de novela das 9.

A edição pareceu resultante de vitamina de atleta olímpico e tinha de tudo mesmo: bolinha de papel tocando o lado esquerdo da calva do presidenciável, caminhada de 20 minutos, presidenciável atendendo chamada no telefone celular, presidenciável passando a mão levemente sobre o lado direito da calva, presidenciável entrando na van, depois saindo da van, voltando a caminhar, e tudo isso tendo como pano de fundo bandeiras vermelhas e azuis, gritos, gente alvoroçada.

Depois corta para entrada do presidenciável em hospital, sinais de tontura e as primeiras aspas ouvidas por testemunhas de que "estou meio grogue". Depois saindo de clínica de saúde com médico dizendo que "o candidato não sofreu qualquer arranhão... nada externo".

Foi esse enredo que atravessou os programas dos presidenciáveis. O de José Serra, carregado de dramaticidade, tendo a locução de repórter desconhecida emulando a voz de Ilze Scamparini, aquela correspondente da TV Globo para assuntos do Vaticano e também da Itália em geral. O estilo de enunciar crise cardinalícia ou mesmo morte do pontífice ou então a eleição do novo sucessor no trono de Pedro. Impressiona a avidez com que emissoras de televisão se sentem tão à vontade para criar a realidade que lhes pareça melhor, mais adequada, conveniente ou ao menos plausível.

"Misterioso caso"

Na quinta-feira (21/10), temos discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva embrulhando os parágrafos acima e amarrando todo esse minitiroteiro com barbantes apertados. O aperto de quem denuncia o conteúdo do pacote como farsa, nada mais que farsa. Até o goleiro Rojas, aquele que simulou ter sido atingido por foguete em jogo no Rio de Janeiro, foi mencionado na fala presidencial. Uma vez mais o pano de fundo era desmascarar mais mentiras, mais inverdades, mais falsidade, mais realidade fabricadas.

Na edição do Jornal Nacional de quinta-feira (21/10), repetição de cenas do arquivo do dia anterior acrescidas de aula sobre bolinha de papel, rolo de fita crepe e a teoria pouco convincente – penso – de dois eventos estanques, isolados, completamente distintos. A aula foi ministrada com raro didatismo pelo ex-professor da Unicamp Ricardo Molina de Figueiredo em um veículo e em um horário em que cada segundo vale literalmente ouro em pó. Onde a eternidade é condensada aos 5, 10 ou 15 segundos de matéria levada ao ar.

A TV Globo, ao escolher o especialista Molina, deixou claro que neste jogo quer maior protagonismo. Afinal é o mesmo Molina quem vem abastecendo dezenas de matérias produzidas pelo mesmo Jornal Nacional ao longo das décadas: Seu nome se encontra de alguma forma envolvido com casos como a compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso; o acidente aéreo com os integrantes da banda Mamonas Assassinas; o pagamento de suborno no caso Waldomiro Diniz; as mortes de Celso Daniel e de Paulo César Farias; os atentados do PCC em São Paulo; e o caso da menina Eloá, em São Paulo.

Apesar da notoriedade, em suas aparições na mídia, o ex-professor Molina comumente faz declarações sobre ações da perícia criminal oficial, mesmo sem nunca ter sido perito criminal oficial. Certamente passará a lustrar mais sua fama com este "misterioso caso da bolinha de papel" na reta final da campanha presidencial de 2010.

De joelhos

Chegamos a uma encruzilhada perigosa em que a credibilidade de boa parte de nossa grande imprensa parece uma vez mais afundar: se dispomos das conclusões e se estas parecem sólidas, quase pétreas, por que não montar as variáveis do problema que possam se harmonizar de forma indolor e quase imperceptível com as conclusões? E é um processo retroalimentado diariamente: primeiro surge na coluna do jornalista Merval Pereira, depois ganha mais substância com o comentário da historiadora Lucia Hippolito na rádio CBN e pronto: logo os engenhosos e incompletos raciocínios pautarão as falas do presidenciável José Serra ao longo do dia.

Para chegar a tais conclusões basta um pouco de paciência: visitar os blogs dos citados e conferir vídeos no Youtube do presidenciável, em especial aqueles com suas aparições nos telejornais das TVs Globo, SBT, Record e Band.

O que é mais escasso no episódio é a ausência total de análises profundas sobre o acirramento de ânimos de parte a parte. O excesso de uso dos carimbos contendo palavras como "mentira", "inverdade", "falsidade". Revistas e jornais proclamam completa independência dos partidos postulantes à Presidência da República ao tempo em que os profissionais que assinam as matérias, colunas e também os simulacros de reportagens não fazem outra coisa que fazer diária e semanalmente sua profissão de fé na capacidade e experiência demonstrados por seu candidato ao Palácio do Planalto. Tal profissão de fé é sempre recorrente como recorrente tem sido a demonização do tal "outro lado" que atende também pelo nome de "campanha adversária".

Como linha auxiliar da oposição, parte considerável da grande mídia verbaliza o que pode ser apenas intuído por esta campanha. E se a "campanha adversária" decide não deixar passar em branco tão engenhosa estratégia partidária, então veremos que 10 em 10 vezes esta será atacada como atentatória à liberdade de imprensa, estará mostrando ranço autoritário, demonstrará assimetria entre a liturgia que se espera de detentor de cargo público e a função de militante político.

Ao momento, a profundidade a que me refiro é tal que uma formiga de joelhos poderia atravessar sem o menor risco de afogamento.


Por Washington Araújo ao Observatório da Imprensa


Governo X Imprensa: uma guerra sem inocentes

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Alguém que acompanhasse a realidade do país exclusivamente através dos grandes veículos de imprensa poderia ter a nítida impressão que uma verdadeira guerra se trava entre governo e a grande mídia.

De um lado, o governo Lula, imitando seus colegas da América Latina, estaria avançando de forma implacável sobre a liberdade de imprensa e de expressão, instalando uma verdadeira ditadura nos meios de comunicação. De outro, as grandes empresas de mídia conspirariam entre si para derrubar o governo do PT, constituindo um verdadeiro Partido da Imprensa Golpista, ou PIG, na terminologia criada pelos blogueiros pró-governo.

Polarização midiática
A relação entre o governo Lula e os principais veículos vem se estremecendo de uns tempos para cá. Com a campanha eleitoral, a guerra foi declarada e as duas partes começaram a se atacar aberta e mutuamente. Em um comício, Lula faz um chamado aos eleitores para “derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos”.

Junto a isso, entidades ligadas ao governo e ao PT realizaram um protesto público contra mídia, que reuniu organizações sindicais como a CUT, a CGTB e Fenaj, partidos da base governista como o próprio PT, PCdoB, PDT e até mesmo o MST. De outro lado, as grandes empresas de comunicação reagiram e, em editoriais, atacaram o que seria um avanço ditatorial do governo.

Os lances dessa escaramuça vem produzindo cenas tragicômicas. Como, por exemplo, um ato público em defesa da liberdade de imprensa em pleno Clube Militar no Rio de Janeiro, entidade que reúne os militares da reserva.

Estaríamos realmente vivendo uma conjuntura tão politicamente polarizada? Quem, no meio dessa batalha de versões tão diferentes, estaria com a razão?

Aspectos de uma batalha
Que as mais tradicionais empresas de comunicação no país nutram simpatia pelo PSDB não é novidade para ninguém minimamente informado. Assim, mesmo que apenas o Estadão tenha formalmente declarado voto no candidato José Serra, ninguém tem dúvidas das afinidades ideológicas de empresas como a Globo ou a Folha com o tucanato. São ligações históricas dessas empresas de porte nacional com o PSDB, similares às que estabelecem os veículos regionais com as respectivas oligarquias, quando não são essas oligarquias que, diretamente, detém a propriedade desses veículos.

O fato de que os principais veículos de mídia sejam ligados ao PSDB, com a revista Veja à frente, significa que estejam no extremo oposto ao governo e que sejam golpistas? Não é o que parece. Golpista foi, por exemplo, a imprensa venezuelana durante golpe de 2002 contra Chavez, em que os donos das empresas de comunicação tiveram ação decisiva, submetidas às ordens da embaixada norte-americana.

O que se tem nos principais veículos de mídia é, na verdade, uma campanha pró-PSDB, contra o governo e sua candidata, mas que não se aproxima do golpismo. Nem mesmo poderia, já que os grandes setores da burguesia, como os bancos, estão fechados com a candidatura Dilma.

A campanha da petista, por exemplo, angariou quase o triplo de doações eleitorais dos bancos e empreiteiras que o candidato tucano (R$11 milhões contra R$ 3 milhões), considerando os “recursos contabilizados”. É só constatar a superioridade técnica dos programas de TV de Dilma Roussef.

O que se tem, portanto, é a oposição política de uma burguesia específica, historicamente reacionária, talvez mais retrógrada que os próprios latifundiários, mas que não pode ser golpista, já que outros setores burgueses estão com Dilma e o governo. São rusgas de setores cujos interesses, ademais, não são antagônicos.

A democracia e a liberdade de imprensa
Um aspecto também ressaltado por setores alinhados ao governo é a hipocrisia dos veículos de mídia ao clamarem por democracia e liberdade de imprensa apesar de terem sido, eles próprios, agentes e beneficiários da ditadura militar no país.

Os principais jornais clamaram pelo golpe em 1964. As organizações Globo, por exemplo, se estabeleceram e se tornaram um império de mídia nesses 25 anos de regime de exceção e a Folha de S. Paulo, por sua vez, emprestava caminhonetes para a Operação Bandeirantes, como bem lembrou o documentário de Chaim Litewski, “Cidadão Boilense”.

São empresas que, amparadas pelo regime de exceção, consolidaram grandes monopólios de comunicação no país, a ponto de todo o setor ser controlado até hoje por apenas sete famílias. O que poucos lembram é que o governo nada fez contra isso. Muito pelo contrário, no governo Lula as rádios comunitárias, por exemplo, que exercem a duras penas um contraponto ao controle da grande mídia, enfrentaram uma repressão implacável da Polícia Federal.

Controle
A história nos mostra que a democracia não é um valor intrínseco aos grandes veículos de imprensa. Tampouco são paladinos da liberdade de expressão, uma vez que controlam o que é dito e discutido no país. Ou alguém leu alguma nota em algum jornal sobre a demissão em massa no paulista Diário de S. Paulo? Já teve a oportunidade de se inteirar sobre o controle acionário das grandes empresas? Pôde ver alguma reportagem sobre o trabalho estafante dos jornalistas nas redações? A liberdade de imprensa e expressão, no Brasil, é uma via de mão única.

Por outro lado, abundam matérias criminalizando os movimentos sociais, como o MST, ou advertindo sobre os perigos do excesso dos gastos do governo ou do suposto rombo da Previdência Social. Pontos, inclusive, não contraditórios à atual política econômica do governo Lula. Nessas eleições, tivemos ainda mais um capítulo desse controle autoritário da informação, no veto velado realizado às candidaturas dos pequenos partidos à Presidência, sobretudo os da esquerda.

Os recentes desentendimentos entre governo e grande mídia, por esse ângulo, parece ter muito mais motivação eleitoral do que expressar projetos políticos distintos.

Uma guerra sem inocentes
O presidente Lula tem razão em um ponto. A imprensa no Brasil age sim como um partido político, como bem já havia observado Perseu Abramo. Enganam-se os petistas, porém, ao atribuir-lhe o caráter golpísta. Em todos os escândalos políticos do último período, inclusive, do mensalão à recente queda de Erenice Guerra na Casa Civil, tirando o superdimensionamento e a manipulação, contavam com bases concretas.

Se a imprensa tem partido e ele não é o de Lula, por outro lado, as convergências entre os dois são bem, bem maiores que as eventuais divergências.


Por Diego Cruz ao PSTU.org


O protagonismo eleitoral da imprensa e o futuro da indústria jornalística no Brasil

domingo, 3 de outubro de 2010

A imprensa sempre foi um protagonista relevante em eleições no Brasil, mas, até agora, a sua participação era menos importante do que o posicionamento dos candidatos. As polêmicas sobre o papel da midia se limitavam à sua estratégia editorial. Os candidatos faziam as denúncias e os jornais, revistas, TV e rádios repercutiam.


Em 2010 surgiu um novo enfoque na questão do protagonismo eleitoral da imprensa, pois ela passou a ser percebida como um partido de oposição. Esta percepção é uma consequência do fato de as denúncias terem sido feitas primariamente por orgãos da imprensa, cabendo a repercussão posterior aos candidatos.


Esta inversão de papéis é uma das causas do surgimento da idéia de que a publicação de escândalos de corrupção e de abuso do poder durante a campanha eleitoral de 2010 teria sido o resultado de uma operação coordenada, que equivaleria a uma ação típica de um partido político.


É importante ressaltar que tudo isto ocorre no terreno da percepção, ou seja, a forma como as pessoas percebem fatos, processos ou dados por meio dos seus sentidos. Numa campanha eleitoral, as percepções são alimentadas basicamente pelos veículos de comunicação e pelos formadores de opinião.


Mesmo sendo imateriais, elas (as percepções) são usadas hoje como base para estudos sobre comportamento humano no mesmo pé de igualdade que os fatos concretos. Em politica é corrente o jargão de que as versões (as percepções) podem ser até mais importantes do que os fatos.


Esta "viajada" teórica visa mostrar como o protagonismo eleitoral da imprensa transformou-se num "fato", mesmo sendo fruto de uma percepção. E é isto que gera uma situação nova com desdobramentos imprevisíveis.


Se a imprensa não adotar comportamentos que desmanchem as percepções desenvolvidas durante a campanha eleitoral, a credibilidade e independência de alguns jornais, revistas e emissoras de rádio ficará abalada. Sem credibilidade, o negócio da imprensa perde o seu principal ativo.

A sociedade brasileira não pode abrir mão da imprensa porque ela faz parte do conjunto de meios que levam e trazem informação, para e do público. A internet ocupou um bom espaço daquilo que era uma espécie de monopólio da imprensa escrita e audiovisual, mas não é hegemônica e nem onipresente.


Assim, o que provavelmente começaremos a assistir, passadas as eleições e dependendo dos acontecimentos imediatamente posteriores, é umquestionamento do papel das empresas jornalisticas no Brasil, num processo que não tem nada a ver com liberdade de expressão.


Muito pelo contrário, dependendo do tipo de questionamento e da reação dos principais grupos midiáticos do país, o processo pode gerar uma inédita revisão das relações entre empresas e consumidores de informação.


Ninguém quer a ditadura de uma única percepção da realidade — portanto, se as empresas jornalísticas desejarem continuar cumprindo o seu papel de provedoras de informação terão que colocar a diversidade informativa como um dos seus objetivos centrais. Isto pode ajudar a anular a percepção de que a imprensa transformou-se num partido político.


A diversidade informativa levará também as empresas a rever o seu relacionamento com o público, porque ele hoje não é mais um consumidor passivo de noticias, mas um protagonista proativo no processamento de informações — não apenas no papel de cobrador de serviços qualificados, mas também como de fornecedor de matéria prima informativa, como é o caso de alguns weblogs.



Por Carlos Castilho ao Observatório da Imprensa

Alienação: O Mal Atemporal

segunda-feira, 23 de agosto de 2010







A preferência por manter-se alheio à realidade pode encontrar-se em diversas situações e ultrapassa os limites temporais.


A grande quantidade de informações oferecidas pela mídia garante a muitas pessoas o sentimento de pleno conhecimento sobre os mais variados assuntos, e seus programas de entretenimento asseguram a permanência do telespectador em frente ao televisor, atrapalhando as relações familiares, e principalmente, impedindo análises e discussões acerca do conteúdo e de sua forma de abordagem pelos veículos midiáticos. Esses fatores contribuem para a alienação das massas que, muitas vezes preferem manter-se distantes da verdadeira realidade por pura preguiça de procurar novas informações ou pelo medo da rejeição do grupo ao qual pertencem por possuírem ideias diferentes das dos demais.


A percepção dessa situação não é recente e pode ser encontrada no “Mito da Caverna” de Platão, no qual os três prisioneiros julgavam como única verdade as sombras que enxergavam (já que eram sua única “visão” do mundo exterior) e caso algum escapasse da prisão e tivesse real conhecimento do que o cercava iria preferir manter-se calado a ser julgado como diferente ou até mesmo ser morto.


Mesmo após muitos séculos do mito, o homem encontrou outros meios de permanecer preso “olhando as sombras”, através da mídia e sobretudo da televisão, que lhe oferece notícias prontas e comentadas, diversão, conforto, etc. A facilidade com que essas informações chegam até o público, e a veracidade com que são transmitidas servem para que a grande massa as tenha como verdades absolutas, sem questioná-las por temerem conflitos e julgamentos que podem surgir, além disso, a força das mídias é grande e tenta silenciar aqueles que dela discordam, utilizando todas as armas de que dispõem, inclusive a censura e a coação que ficam encobertas por belos comerciais, novelas, seriados e noticiários de credibilidade que estão presentes e enraizados há tanto tempo nas famílias mundiais.


Cabe à população romper com essa visão conformada e atentar-se mais e questionar, criticar e investigar aquilo que lhe é transmitido, saindo de sua “zona de conforto” e de sua ignorância para assim construir países mais justos, políticos mais honestos e adquirir um papel mais ativo e fundamental na sociedade, pois sem grande revoluções ideológicas não seriam alcançadas tantas medidas hoje consideradas básicas.


Por: M. Beatriz

 

2009 ·Axis of Justice by TNB