27/01/2011
às 20:38A Revolta da Catraca - Pais, vigiem os seus filhos; eles podem ser seduzidos pelo grupo que quer acabar com o capítalismoPor Reinaldo AzevedoNo Estadão Online, podemos ler: “Milhares de manifestantes realizam desde o fim da tarde desta quinta-feira, 27, um novo protesto contra o aumento da tarifa de ônibus. O ato começou em frente ao Teatro Municipal, passou pela sede da Prefeitura e segue em direção à Câmara dos Vereadores.”
Parece que é texto feito a partir de release dos realizadores do protesto. Por quê? Os “milhares” não passavam de 500, segundo a Polícia Militar, que costuma dar números realistas sobre manifestações.
A turma se manifestava contra o aumento da passagem de ônibus, que passou a R$ 3. O protesto é promovido por um certo MPL, Movimento Passe Livre. É aquele grupo que pretende pôr fim ao capitalismo começando pela expropriação dos meios de transporte. Juro! Este é o objetivo do movimento: acabar com a propriedade privada!
Sempre aparecem um moleque ou outro falando em nome da turma. Os oportunistas maiores de idade se escondem. Escolhem a hora em que a garotada sai das escolas, dos cursinhos, do trabalho etc. para promover a bagunça. Até o Diogo Mainardi já depredou banco quando tinha 16 anos. Foi engolfado por uma passeata. Não tinha nada com aquilo. Levou uma porrada da polícia e aderiu ao outro lado. É justo quando se tem 16 anos…
O tal MPL se define como não-político, mas deixa claro não ser contra a política, entenderam? É claro que a meninada já está sendo usada como boi piranha de espertalhões. 2012 já está na ruas. Agora só falta o Oded Grajew.
Ah, sim: certa imprensa confere aos manifestantes a entonação romântica dos libertários. Entendo. Afinal, por enquanto, eles querem andar de graça nos ônibus. Esse é o meio. O fim, como sempre, é o socialismo. Hobsbawm já disse por que ele gosta tanto da América Latina. Por aqui, ele se sente em pleno fim do século 19. Esses “garotos” vão aparecer muito até 2012.
O grande medo da VEJA
In mídia, In sensacionalismodomingo, 6 de março de 2011
Surpresa: a Tunísia era uma ditadura
In mídia, In politicaquinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Quando eu ingressei como redator na editoria de assuntos internacionais da Folha de S.Paulo, um colega veterano me ensinou como se fazia para definir quais, entre as centenas de notícias que recebíamos diariamente, seriam merecedoras de destaque no jornal do dia seguinte. "É só olhar os telegramas das agências e ver o que elas acham mais importante", sentenciou. Pragmático, ele adotava esse método como um meio seguro de evitar que o noticiário da Folha destoasse dos jornais concorrentes, os quais, por sua vez, se comportavam do mesmo modo. Na realidade, portanto, quem pautava a cobertura internacional da imprensa brasileira era um restrito grupo de três agência noticiosas -- Reuters, Associated Press e United Press International, todas afinadíssimas com as prioridades geopolíticas dos Estados Unidos.
Passadas mais de duas décadas, a cobertura internacional da mídia brasileira ainda se orienta por diretrizes estrangeiras. A única diferença é que agora as agências enfrentam a competição de outros fornecedores de informação, como a CNN e os serviços de empresas como a BBC e o New York Times, oferecidos pela internet. Mas o conteúdo é o mesmo. O resultado é que as informações internacionais que circulam pelo planeta, reproduzidas com mínimas variações em todos os continentes, são quase sempre aquelas que correspondem aos interesses de Washingon.
Quem confia nessa agenda está condenado uma visão parcial e distorcida, uma ignorância que só se revela quando ocorrem "surpresas" como a rebelião popular que derrubou o governo da Tunísia. De repente, o mundo tomou conhecimento de que a Tunísia -- um país totalmente integrado à ordem neoliberal e um dos destinos favoritos dos turistas europeus -- era governada há 23 anos por um ditador corrupto, odiado pelo seu povo. Como é que ninguém sabia disso?
A mídia silenciou sobre o despotismo na Tunísia porque se tratava de um regime servil aos interesses políticos e econômicos dos EUA. O ditador Ben Ali nunca foi repreendido por violações aos direitos humanos e, mesmo quando ordenou que suas forças repressivas abrissem fogo contra manifestantes desarmados, matando dezenas de jovens, o presidente estadunidense Barack Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, permaneceram em silêncio. Não abriram a boca nem mesmo para tentar conter o massacre. Só se manifestaram depois que Ben Ali fugiu do país, como um rato, carregando na bagagem mais de uma tonelada de ouro.
O caso da Tunísia não é o único na região.
No vizinho Egito, outro regime vassalo dos EUA, Hosni Mubarak governa ditatorialmente desde 1981. Suas prisões estão lotadas de opositores políticos e as eleições ocorrem em meio à fraude e à violência, o que garante ao governo quase todas as cadeiras parlamentares. Mas o que importa, para o "Ocidente", é o apoio da ditadura egípcia às posições estadunidenses no Oriente Médio, em especial sua conivência com o expansionismo israelense.
Por isso, a ausência de democracia em países como a Tunísia e o Egito nunca recebe a atenção da mídia convencional, ao contrário da condenação sistemática de regimes autoritários não-alinhados com os EUA, como o Irã e o Zimbábue. É sempre assim: dois pesos, duas medidas.
*Artigo publicado originalmente no Brasil de Fato. Igor Fuser é jornalista, doutorando em Ciência Política na USP, professor na Faculdade Cásper Líbero e membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato.
Fonte: OperaMundi
O tráfico que a TV não mostra
In Brasil, In charge, In mídiadomingo, 28 de novembro de 2010
Por Carlos Latuff
Carta ao Prates (o ódio, versão RBS de S. C.)
In Brasil, In Desigualdade, In impunidade, In mídia, In preconceito, In reflexãosegunda-feira, 22 de novembro de 2010
Para ler a carta clique em "Leia Mais" abaixo:
RATM, Tom Morello e Roger do Ultraje a Rigor.
In Ativismo, In Brasil, In luta popular, In mídia, In Movimentos Sociais, In Musicaquarta-feira, 17 de novembro de 2010

Recebi o link de uma matéria muito boa, escrita e postada no blog do Marcel Bittencourt. O texto, escrito pelo próprio Marcel, retrata a posição política que Tom Morello se colocou diante do quadro eleitoral brasileiro, e a represália sofrida por Roger da banda Ultraje a Rigor. Recomendo a visita/leitura do blog, além dessa, muitas outras postagens excelentes.
Em sua passagem pelo Brasil, a banda se encontrou com pessoas do MST, movimento que tem o apoio declarado da banda.
Ontem, através do Twitter o guitarrista Tom Morello declarou apoio à candidata Dilma Rouseff, do PT, definindo-a como “candidata dos pobres, da classe trabalhadora e dos jovens”. No mesmo dia, veio uma reação extremamente imprevisível e agressiva de Roger da Rocha Moreira, do Ultraje à Rigor, que respondeu “What the fuck you know, you asshole?” (algo como “que porra tu sabe ô cuzão?”).
Hoje Morello reafirmou sua posição dizendo “O Brasil está aprendendo o que os outros sabem há anos: Rage não é apenas uma banda para bater cabeça, também temos ideias. Apoio Dilma Rousseff e o MST, convivam com isto!”
Ok. Diante de todas essas informações, aqui vai minha opinião:
O Rage Against the Machine sempre foi uma banda políticamente engajada. Quem conhece a história do Rage Against the Machine sabe que sempre foram uma banda bastante ligada aos movimentos revolucionários. A estrela vermelha (um dos símbolos do comunismo) sempre esteve presente no material gráfico e nos shows da banda (como pode ser visto no SWU). A banda relmente sempre levou a mensagem de que uma revolução é necessária para que tenhamos um mundo mais igualitario e socialmente responsável. Tom Morello é declaradamente socialista e nada mais coerente a se esperar de um socialista do que apoio à um movimento que luta pela reforma agrária em um país continental que NUNCA se preocupou em estabelecer uma política nesse sentido.
Quanto ao apoio à Dilma, não se trata de petismo. Trata-se do olhar do cara sobre as políticas que cada um representa. Um socialista pode apoiar o não Dilma e o PT. Um socialista nunca apoiaria o Serra e o PSDB. Opinião pessoal. Uma coisa que hoje em dia está muito difícil respeitar. Coisa que, aliás, demonstrou o Roger.
Sempre fui fã do Roger. E do Ultraje. Roger foi um dos primeiros caras que segui no Twitter. Sempre achei um cara inteligente e sagaz. Até ontem. A atitude dele de simplesmente ofender diante de um posicionamento político diferente do seu foi, como bem definiu meu irmão Murilo, “atitude de moleque”. Feio.
Outro amigo meu defendeu fortemente a idéia de que Morello como estrangeiro não pode tecer opiniões desse tipo e que isso seria entrar na casa dos outros cagando ditando regras. Entendo o posicionamento, mas discordo. Acho que o fato de não morarmos em um país não nos impossibilita de criticar quando discordamos de algo. O exemplo Estados Unidos x Iraque ilustra perfeitamente isso. Acho que o Rage Against na posição de uma grande banda tem sim o direito de dar sua opinião e tentar fazer sua parte seja qual for a questão.
Mas isso não é nada. Tem uma coisa que está me incomodando mais que tudo nessa história toda.
Estou vendo muita gente (como, por exemplo, o repórter que entrevistou a banda) usar o argumento de que o Rage Against the Machine não tem o direito de posicionar assim ou nem mesmo de defender o socialismo pelo fato de serem RICOS.
Pelo amor de Deus. Desde quando a pessoa que ficou rica não pode querer um mundo melhor? Ou um mundo com mais igualdade? Ou um sistema socialista? Mesmo que fosse muito rico eu ia querer um mundo mais igualitário por um motivo simples: Não me preocupo só comigo. E é assim que, provavelmente, o Rage Against the Machine pensa.
Se determinada pessoa é rica, bom pra ela que pode aproveitar sua riqueza. Doar esse dinheiro não vai mudar o problema central, que é o sistema. Mesmo que se faça muita caridade o sistema vai continuar alimentando a desigualdade. Seria paleativo. As pessoas deveriam entender que o socialismo não prega a pobreza, e sim a igualdade. Quem faz voto de pobreza é monge.
A única certeza nisso tudo é que eu sou, cada vez mais, fã do Rage Against the Machine."
Agradecimento a dica do Thales.
Credibilidade em questão: O poder de persuasão da mídia
In Brasil, In mídia, In politicaterça-feira, 2 de novembro de 2010
Assim como sabemos que após uma chuva a cidade fica molhada, sabemos também que é imenso o poder de persuasão que os meios de comunicação têm atualmente junto à sociedade: as manchetes dos jornais, as chamadas na TV, as notícias instantâneas na internet, os comentários nas emissoras de rádio, todos esses "suportes" do campo midiático ganham imediata repercussão, espraiando-se pela sociedade com velocidade alucinante.
Ainda que em alguns casos não seja algo feito de caso pensado, é fato que a utilização de manchetes de jornais e capas de revistas em programas eleitorais dos candidatos à presidência da República tornou-se mais que corriqueiro no presente pleito de 2010. O candidato José Serra foi brindado com dezenas de manchetes, capas e ilustrações constantes de veículos da mídia impressa, com direito a que locutores leiam os textos e adicionem observações de condenação a quem já é contumaz condenado pelo jornalismo de nossas revistas e jornais de maior circulação.
Nos últimos dias da campanha, algumas manchetes do jornal Folha de S.Paulo sobre comprovada corrupção em licitação para construção de linhas do metrô paulista também se transformaram em material televisivo para a campanha de Dilma Rousseff. Mas nesse jogo de ver bola levantada na imprensa escrita em apoio candidato Serra, o tucano ganhou de lavada: converteu a cada semana diversas capas de jornais em material de sua propaganda política. A ocorrência do expediente só fez crescer o sentimento de que nossa imprensa mais vistosa não apenas tinha seu candidato ao Planalto como também se mostrou seu mais importante instrumento para alavancar votos e constranger sua principal oponente. E como tudo tem um custo – porque também na mídia não existe almoço grátis –, quem paga o preço mesmo é essa coisa muitas vezes intangível chamada credibilidade jornalística.
Interesses determinados
Uma análise mais detida dará conta que os processos comunicativos e os processos político-eleitorais são mais entrelaçados do que podemos imaginar. São vasos comunicantes em que se misturam tanto desprezo quanto preconceitos comezinhos pelo governo de plantão, com a almejada e incontida pressão para que haja alternância na chefia do Poder Executivo. É assim que práticas de corrupção em qualquer escalão do governo parecem estar sempre a poucos centímetros do presidente da República. O mesmo não ocorre com práticas similares afeitas à territorialidade do estado de São Paulo.
Enquanto a campanha situacionista precisou se desdobrar para prover esclarecimentos, tomar ações administrativas de supetão, a campanha oposicionista pôde até "dar de ombros" para qualquer acusação que já foi suficiente para estancar qualquer iniciativa mais arrojada para continuar a investigação jornalística. Para um qualquer, onda pode se transformar em tsunami indonésio, enquanto para outro qualquer tsunami aterrador pode se transmutar em pequena marola de beira de praia.
A política, por estar representada com pessoas de diversas origens partidárias e ideológicas – seja pelo pouco "escolado" Tiririca ou por um "especialista em educação" Gabriel Chalita –, continua sendo palco para encenações e necessita da visibilidade proporcionada pelo campo midiático, já que qualquer acontecimento ou indivíduo só comprova que existe na sociedade se estiver representado na mídia. A visibilidade midiática e a complexidade desse meio levam os media a se constituírem enquanto campo social, isto é, a possuir regras e valores (axiologia), código e gramática próprios, e as costumeiras tensões com outros campos, além da busca por legitimidade, traço natural de qualquer campo social.
Conflitos e dinâmica da política diferem bastante daqueles que caracterizam o campo social da mídia. Política e mídia atraem para seu entorno um campo simbólico de disputa, onde parece reinar nossa velha conhecida lei da selva, segundo a qual cada um tem como principal missão defender seus próprios interesses. Principalmente os imediatos. Assim como a política exerce papel de articulação – articula ideias, lideranças, formulação legislativa e supervisiona a execução de políticas públicas –, a mídia também não prescinde desse mesmo papel e é a mídia que articula a informação que se transforma em notícia, a notícia que abastece a opinião e que desemboca na sociedade em uma mistura nem sempre palatável de fatos reais, fatos imaginados e opiniões sobre um e outro. A mídia sabe que para ter credibilidade – ser crível, digna de confiança dos consumidores de seus produtos – precisa, antes de tudo, ser pautada pela transparência e para a "publicidade" de fatos, com ênfase maior para aqueles carimbados como espetaculares ou pela simples ocultação ou supressão destes quando conflitarem com seus interesses.
Para escrever o futuro
Não faz muito tempo que a academia passou a considerar a mídia também como produtora de sentidos, e não somente mediadora entre os campos. E é no contexto da mídia como produtora de sentidos que percebemos que a visibilidade midiática se revela quase sempre através da massificação dos conteúdos jornalísticos, que movimentam um verdadeiro mercado no qual o consumo da informação não tem fronteiras econômicas, políticas, sociais, culturais ou comportamentais. É fato que em nossa sociedade do consumo da informação, da agilidade e da instantaneidade das notícias, ocorre a busca pelo que carregue nas tintas da diferença, do não-similar, do que trafega entre o grandioso e o épico, da aberração que se encaminha para a espetacularização pura e simples, se assim podemos dizer.
Não é arriscado inferir que se antes éramos buscadores de notícias, hoje a situação piramidal se inverteu por completo: são as notícias que nos buscam. E isso nos faz ter a sensação de que os telejornais são todos iguais, com variações meramente cosméticas, superficiais, e que a imprensa escrita, por trabalhar com as mesmas pautas, só pode se diferenciar uma da outra através da carga ideológica despejada no suporte por quem sabe apenas produzir jornalismo opinativo.
Crescendo o espaço de colunas de opinião, nos distanciamos mais dos fatos, da realidade factual, para tocar nas franjas de aspirações ideológicas. Mas se todos os colunistas rezam pela mesma cartilha ideológica, se tomam caminhos os mais diversos para trilhar e, ainda assim, insistem e forçam a barra para chegarem todos eles ao mesmo lugar e ao mesmo tempo, então estamos construindo um imenso edifício da singularidade em campanha aberta à pluralidade de pensamento. Enquanto o mundo se reorganiza em várias áreas de atuação, encontramos pesadas barricadas da mídia para manter tudo como está: não mexer em nada, fazer de conta que o mundo todo pode mudar, menos os seus conceitos do que é o jornalismo e a concepção de como poder ser exercido.
E não era, absolutamente, para ser assim. As transformações tecnológicas, os avanços da ciência que impactam tanto o que entendíamos como "acúmulo de conhecimento humano", tomaram de assalto os caminhos da informação desde sua produção até o seu usufruto. A concorrência dos suportes midiáticos tradicionais com os novos suportes – e o rápido acesso das massas da humanidade a seus poderes semimágicos a transitar entre o real e o virtual – formam um poderoso quebra-cabeças do que será a comunicação deste futuro-que-se-torna-presente quase que imediatamente.
A hesitação – ou seria o desnorteio? – dos que detêm o processo decisório sobre nossos veículos tradicionais de comunicação é que determina o tempo de sobrevida que lhes resta. Sábios e prudentes são os que aproveitam este momento atual para escrever o seu futuro, um futuro prenhe de coisas como pluralidade de pensamento, delegação de poder decisório, desconcentração de propriedade, abertura inaudita ao que é novo e ao que privilegia a velha e santa atividade de pensar.
Poderosos desdobramentos
A revolução no campo das comunicações, para sermos francos, ainda nem começou. Estamos vendo apenas os ingredientes serem apresentados um a um. Muitos destes nem se tornaram ainda conhecidos. Isto porque não existe caso na literatura humana que diga que as grandes revoluções do conhecimento começaram de fora para dentro. Não foram as máquinas que chegaram primeiro. Nem os tipógrafos, nem os foguetes chegaram primeiro ao mundo da existência. Primeiros eles brotaram dentro do ser humano e foram, como flor que é despetalada, se ajeitando, se organizando, encontrando seu lugar no mundo real.
Não demora mais três ou cinco anos e teremos condições de saber tudo o que acontece no mundo, do jeito que acontece, por que acontece desse e não daquele jeito e quais as consequências imediatas, no curto, médio e longo prazos do que aconteceu. E tudo isso será acessível a todos sem que paire sobre todos nós a ameaçadora sombra da incerteza e da dúvida.
Da mesma forma, não causará espanto algum se aqueles há tanto tempo marginalizados pela mídia, como se inexistentes fossem, resolverem ir a campo e criar seus próprios veículos de comunicação, seus próprios impérios de produção de sentidos e assumirem, eles mesmos, a mediação entre os campos em que se dá a atividade humana em toda a sua extensão e plenitude.
O futuro dos meios de comunicação tradicionais (rádio, jornal, televisão) precisa parar de lutar ante a evidência a que ele chegou, e daqui para a frente veremos não mais que seus poderosos desdobramentos. É tempo para se perceber como metáfora completa do dilema da comunicação estes versos de Pablo Neruda:
"Tu eras também uma pequena folha/ que tremia no meu peito./ O vento da vida pôs-te ali./ A princípio não te vi: não soube/ que ias comigo,/ até que as tuas raízes/ atravessaram o meu peito,/ se uniram aos fios do meu sangue,/ falaram pela minha boca,/ floresceram comigo."
SOBRE MÍDIA, POLÍTICA E ELEIÇÕES
In Brasil, In mídia, In politicaterça-feira, 26 de outubro de 2010
1) Tropa de Elite 2 é um bom filme. Com restrições, mas um bom filme. Digo isso basicamente por dois motivos: a) o filme tem um personagem inspirado na história do deputado estadual Marcelo Freixo, que tem sido um grande aliado do povo fluminense, é um sujeito correto; b) o filme mostra as chamadas milícias do jeito que são, e também revela suas ligações com políticos. Por outro lado, o Bope continua sendo apresentado como o supra-sumo da polícia. “O Bope é uma peça fundamental na nossa política de segurança”, diz lá o cap. nascimento. E o que faz essa peça fundamental? Entra na favela e mata bandido pobre, o lado barato do negócio, sem tocar na questão do tráfico internacional de drogas e armas. Assim, a criminalização da pobreza é naturalizada. É nesse ponto que a película, distribuída pela Globo Filmes, se encontra com o noticiário do Jornal Nacional a respeito das favelas.
2) O Vox Populi desta segunda-feira, dia 25, deu 14 pontos de frente para Dilma: 57% a 43% dos votos válidos. Hoje, terça, tem Datafolha, cuja última sondagem apontou vantagem de Dilma de 56% a 44%. O debate que está sendo realizado agora na TV Record não criou um fato suficientemente explosivo para mudar o quadro eleitoral. No conjunto da obra, considerando também os programas eleitorais da noite, diria que José Serra levou ligeira vantagem. Isso porque, pela primeira vez, o tucano puxou uma pergunta sobre a Petrobrás e conseguiu encostar Dilma no córner ao falar que ela também privatizou campos de petróleo – repetindo o início do seu programa eleitoral. Como não houve negativa firme, pode-se dizer que o tema ficou um pouco embolado na percepção do eleitor comum – e este era um dos grandes trunfos da campanha da petista. Por outro lado, Serra fugiu da primeira pergunta sobre criação de empregos (15 milhões no governo Lula contra 5 milhões no governo FHC). Na segunda, não teve jeito. Tentou falar da criação de empregos na saúde, depois passou a acusar Dilma de má gestão (mudando de assunto). Apesar do empate técnico no debate, não acho que a eleição esteja decidida, apesar da razoável vantagem da petista. Durante a semana ainda pode acontecer muita coisa, incluindo as ações da campanha subterrânea tucana – e-mails e panfletos apócrifos. E também ações midiáticas, como a da bolinha de papel. Mais do que nunca, a militância de todo o campo progressista deve estar atenta.
3) O governo Lula conclui essa semana o primeiro curso de formação para policiais atuarem na proteção de defensores dos direitos humanos ameaçados, que se encontram dentro do programa de proteção do governo federal. Serão formados 60 policiais militares do Distrito Federal em Direitos Humanos e técnicas de proteção a pessoas ameaçadas. A iniciativa, inédita no país, é uma parceria do Ministério da Justiça, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e da Polícia Militar do Distrito Federal. As aulas quebram a lógica da velha doutrina militar, que identificava como inimigos lideranças populares, os tais subversivos de outrora. Agora, os membros de movimentos sociais são valorizados. Os policiais recebem cursos sobre conflitos agrários e urbanos, que revelam as raízes das desigualdades e mostram a responsabilidade do latifúndio na produção da violência. A ordem é “proteger a todo o povo, e não só as autoridades tradicionais”.
Por @MarceloSallesJ ao FazendoMedia

Veja vs. IstoÉ
In Brasil, In eleições, In mídiaJN e o meteorito de papel
In Brasil, In mídia, In politicaGoverno X Imprensa: uma guerra sem inocentes
In Brasil, In mídia, In politicaquarta-feira, 6 de outubro de 2010
O protagonismo eleitoral da imprensa e o futuro da indústria jornalística no Brasil
In mídia, In politicadomingo, 3 de outubro de 2010
A imprensa sempre foi um protagonista relevante em eleições no Brasil, mas, até agora, a sua participação era menos importante do que o posicionamento dos candidatos. As polêmicas sobre o papel da midia se limitavam à sua estratégia editorial. Os candidatos faziam as denúncias e os jornais, revistas, TV e rádios repercutiam.
Em 2010 surgiu um novo enfoque na questão do protagonismo eleitoral da imprensa, pois ela passou a ser percebida como um partido de oposição. Esta percepção é uma consequência do fato de as denúncias terem sido feitas primariamente por orgãos da imprensa, cabendo a repercussão posterior aos candidatos.
Esta inversão de papéis é uma das causas do surgimento da idéia de que a publicação de escândalos de corrupção e de abuso do poder durante a campanha eleitoral de 2010 teria sido o resultado de uma operação coordenada, que equivaleria a uma ação típica de um partido político.
É importante ressaltar que tudo isto ocorre no terreno da percepção, ou seja, a forma como as pessoas percebem fatos, processos ou dados por meio dos seus sentidos. Numa campanha eleitoral, as percepções são alimentadas basicamente pelos veículos de comunicação e pelos formadores de opinião.
Mesmo sendo imateriais, elas (as percepções) são usadas hoje como base para estudos sobre comportamento humano no mesmo pé de igualdade que os fatos concretos. Em politica é corrente o jargão de que as versões (as percepções) podem ser até mais importantes do que os fatos.
Esta "viajada" teórica visa mostrar como o protagonismo eleitoral da imprensa transformou-se num "fato", mesmo sendo fruto de uma percepção. E é isto que gera uma situação nova com desdobramentos imprevisíveis.
Se a imprensa não adotar comportamentos que desmanchem as percepções desenvolvidas durante a campanha eleitoral, a credibilidade e independência de alguns jornais, revistas e emissoras de rádio ficará abalada. Sem credibilidade, o negócio da imprensa perde o seu principal ativo.
A sociedade brasileira não pode abrir mão da imprensa porque ela faz parte do conjunto de meios que levam e trazem informação, para e do público. A internet ocupou um bom espaço daquilo que era uma espécie de monopólio da imprensa escrita e audiovisual, mas não é hegemônica e nem onipresente.
Assim, o que provavelmente começaremos a assistir, passadas as eleições e dependendo dos acontecimentos imediatamente posteriores, é umquestionamento do papel das empresas jornalisticas no Brasil, num processo que não tem nada a ver com liberdade de expressão.
Muito pelo contrário, dependendo do tipo de questionamento e da reação dos principais grupos midiáticos do país, o processo pode gerar uma inédita revisão das relações entre empresas e consumidores de informação.
Ninguém quer a ditadura de uma única percepção da realidade — portanto, se as empresas jornalísticas desejarem continuar cumprindo o seu papel de provedoras de informação terão que colocar a diversidade informativa como um dos seus objetivos centrais. Isto pode ajudar a anular a percepção de que a imprensa transformou-se num partido político.
A diversidade informativa levará também as empresas a rever o seu relacionamento com o público, porque ele hoje não é mais um consumidor passivo de noticias, mas um protagonista proativo no processamento de informações — não apenas no papel de cobrador de serviços qualificados, mas também como de fornecedor de matéria prima informativa, como é o caso de alguns weblogs.
Por Carlos Castilho ao Observatório da Imprensa
Alienação: O Mal Atemporal
In Cultura, In educação, In filosofia, In mídia, In reflexãosegunda-feira, 23 de agosto de 2010




A preferência por manter-se alheio à realidade pode encontrar-se em diversas situações e ultrapassa os limites temporais.
A grande quantidade de informações oferecidas pela mídia garante a muitas pessoas o sentimento de pleno conhecimento sobre os mais variados assuntos, e seus programas de entretenimento asseguram a permanência do telespectador em frente ao televisor, atrapalhando as relações familiares, e principalmente, impedindo análises e discussões acerca do conteúdo e de sua forma de abordagem pelos veículos midiáticos. Esses fatores contribuem para a alienação das massas que, muitas vezes preferem manter-se distantes da verdadeira realidade por pura preguiça de procurar novas informações ou pelo medo da rejeição do grupo ao qual pertencem por possuírem ideias diferentes das dos demais.
A percepção dessa situação não é recente e pode ser encontrada no “Mito da Caverna” de Platão, no qual os três prisioneiros julgavam como única verdade as sombras que enxergavam (já que eram sua única “visão” do mundo exterior) e caso algum escapasse da prisão e tivesse real conhecimento do que o cercava iria preferir manter-se calado a ser julgado como diferente ou até mesmo ser morto.
Mesmo após muitos séculos do mito, o homem encontrou outros meios de permanecer preso “olhando as sombras”, através da mídia e sobretudo da televisão, que lhe oferece notícias prontas e comentadas, diversão, conforto, etc. A facilidade com que essas informações chegam até o público, e a veracidade com que são transmitidas servem para que a grande massa as tenha como verdades absolutas, sem questioná-las por temerem conflitos e julgamentos que podem surgir, além disso, a força das mídias é grande e tenta silenciar aqueles que dela discordam, utilizando todas as armas de que dispõem, inclusive a censura e a coação que ficam encobertas por belos comerciais, novelas, seriados e noticiários de credibilidade que estão presentes e enraizados há tanto tempo nas famílias mundiais.
Cabe à população romper com essa visão conformada e atentar-se mais e questionar, criticar e investigar aquilo que lhe é transmitido, saindo de sua “zona de conforto” e de sua ignorância para assim construir países mais justos, políticos mais honestos e adquirir um papel mais ativo e fundamental na sociedade, pois sem grande revoluções ideológicas não seriam alcançadas tantas medidas hoje consideradas básicas.
Por: M. Beatriz