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União Homoafetiva - Bolsonaro fala sobre decisão do STF

segunda-feira, 9 de maio de 2011


Mais um show de stand up comedy do grande humorista Jair Bolsonaro (PP-RJ) em que ele comenta sobre a nova decisão do Supremo Tribunal Federal em relação à união estável homoafetiva.
Da mesma maneira homofóbica de sempre, o deputado expõe suas opiniões preconceituosas e cheias de ódio, além de sua clara apologia à Ditadura Militar e à censura.

Confiram abaixo a entrevista do deputado concedida à República TV:


O "Adolf Hitler" brasileiro, entrevista de Jair Bolsonaro no CQC

terça-feira, 29 de março de 2011


Temos um racista no congresso nacional. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP) deu declarações polêmicas para o programa CQC da rede bandeirantes exibido no dia 28/03/11. O vídeo abaixo contém respostas do deputado a perguntas feitas por cidadãos. Dentre a quantidade absurda de baboseiras totalitárias ditas por esse fascista disfarçado de político, destacam-se as declarações quanto a uma possível homossexualidade de seu filho, do envolvimento de seu filho com uma garota negra, etc. É possível perceber em suas respostas, o quão retrógrado e violento é esse deputado que defende a ditadura militar e exalta torturas e penas de morte como soluções para a problemática de nosso país. É por essas e outras que nossa política continua um recanto de vermes, que subdividem-se majoritariamente em parasitas burros (não entendem e não querem entender as questões sociais); totalitários nojentos (eleitos pela burguesia elitista, prometendo solucionar crimes através da violência e da repressão); e demagogos sociais (mascarados em sua faceta populista, mostram-se propensos a fazer reformas sociais, mas ficam apenas na promessa).



1 milhão sem preconceito

sábado, 5 de fevereiro de 2011




Faça parte da campanha para mostrar que juntos, somos mais fortes que o preconceito.

A meta:
Reunir um milhão de seguidores para o Thiago, voluntário do Grupo Vhiver, uma ONG que cuida de HIV positivos e é reconhecida pelo UNICEF.

É pensar grande?
Talvez. Mas talvez seja apenas pensar do tamanho que a causa merece.

A lógica é simples: você ajuda seguindo o Thiago no twitter @thiagovhiver. O Thiago ajuda o Grupo Vhiver, que passa por dificuldades financeiras, a conseguir mais visibilidade e recursos. E o Grupo Vhiver continua ajudando os soropositivos com apoio psicológico, alimentação e assistência básica.

Saiba mais do projeto acessando www.1milhaosempreconceito.com.br

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Segue abaixo, o vídeo da campanha:






Carta ao Prates (o ódio, versão RBS de S. C.)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Após os comentários preconceituosos, sórdidos e completamente tendenciosos feitos por Luiz Carlos Prates no Jornal do Almoço de Santa Catarina em 15/11/2010. Um professor, Plínio Ferreira Guimarães resolveu rebater o discurso infeliz feito por esse "jornalista" elitista e superficial.

O discurso de Prates e a carta em resposta de Plínio seguem abaixo:




Para ler a carta clique em "Leia Mais" abaixo:





Esse problema só nos mostra que ainda vivemos numa sociedade com sobras do pensamento escravista de outrora. Uma pessoa como Prates, com a influência que um jornalista exerce sobre o público, dizer tamanha bobagem acaba por alienar telespectadores que poderão partilhar da mesma infeliz e preconceituosa opinião que esse senhor elitista, conversador e preconceituoso.

Enquanto tivermos pessoas que pensam dessa forma, nunca alcançaremos a humanidade de fato, e continuaremos a presenciar injustiças e desigualdades provenientes daqueles que tem mais do que precisam ter.



Agradecimento a dica do Pedro.

Carta disponível em: ConversaAfiada


Como cultivar a exclusão social em São Paulo

domingo, 14 de novembro de 2010

Daqui a uma geração, quando estudarem a arquitetura de nossa época, além dos prédios em forma de melancia e dos espigões de aço e vidro azul, outra coisa, menos bonita por certo, chamará a atenção. Temos gasto muito tempo e inventividade para criar formas de excluir do convívio da cidade aqueles para os quais nunca abrimos as portas dos direitos econômicos – e isso não passará despercebido.

Reuni alguns desses métodos informais em forma de manual. Apesar de não estarem publicados e não seguirem padrões da ABNT, existem e fazem vítimas diariamente, ainda mais em noites frias e chuvosas como essas pelas quais estamos passando. Registrar isso serve para lembrar o quanto somos ridículos e ajudar o pessoal que vai nos julgar amanhã. Espero que não tenham dó ou piedade.

1) Áreas cobertas em viadutos, pontes, túneis ou quaisquer locais públicos que possam receber casas imaginárias do povo de rua devem ser preenchidas com concreto. A face superiora não deve ficar paralela à rua, mas com inclinação suficiente para que um corpo sem-teto nela estendido e prostrado de cansaço e sono role feito um pacote de carne velha até o chão.
1.1) Outra opção, caso seja impossível uma inclinação acentuada, é o uso de floreiras, cacos de vidro ou lanças de metal. É menos discreto, mas tem o mesmo resultado.

2) Prédios novos devem ser construídos sem marquises para impossibilitar o acúmulo de sem-teto em noites chuvosas.

2.1) Caso seja impossível por determinações estéticas do arquiteto, a alternativa é murar o edifício ou cercá-lo. A colocação de seguranças armados é outra possibilidade, caso haja recursos para tanto.

2.2) Em caso de prédios mais antigos, uma saída encontrada por um edifício na região central de São Paulo e que pode ser tomada como modelo é a colocação de uma mangueira furada no texto, emulando a função de sprinklers. Acionada de tempos em tempos, expulsa desocupados e usuários de drogas. Além disso, como deixa o chão da calçada constatemente molhado, espanta também possíveis moradores de rua que queiram tirar uma soneca por lá.

3) Bancos de praça devem receber estruturas que os separem em três assentos independentes. Apesar disso impossibilitar a vida de casais apaixonados ou de reencontros de amigos distantes, fará com que sem-teto não durmam nesses aparelhos públicos.

4) Em regiões com alta incidência de seres indesejáveis, recomenda-se o avanço de grades e muros para além do limite registrado na prefeitura, diminuindo ao máximo o tamanho da calçada. Como é uma questão de segurança, o fiscal pode “se fazer entender” da importância de manter a estrutura como está.

5) Cloro deve ser lançado nos locais de permanência de sem-teto, principalmente nas noites frias, para garantir que eles não façam suas necessidades básicas no local. Caso não seja suficiente, talvez seja necessária a utilização de produtos químicos mais fortes vendidos em lojas do ramo, como vem fazendo algumas lojas no Centro da cidade. A sugestão é o uso de um aspersor conforme o item 2.2, mas instalado no chão.

Já que não se encontra solução para um problema, encobre-se. É mais fácil que implantar políticas de moradia eficazes – como uma reforma urbana que pegue as centenas de milhares de imóveis fechados para especulação e destine a quem não tem nada. Ou repensar a política pública para usuários de drogas, hoje baseada em um tripé de punição, preconceito e exclusão e, portanto, ineficaz. Muitos vêem os dependentes químicos como lixo da sociedade e estorvo ao invés de entender que lá há um problema de saúde pública. As obras que estão revitalizando (sic) a região chamada de Cracolândia, têm expulsado os moradores da região – para outros locais, como a Barra Funda e Santa Cecília. Contanto que fiquem longe dos concertos da Sala São Paulo, do acervo do Museu da Língua Portuguesa e das exposições Estação Pinacoteca uó-te-mo.

Melhor tirar da vista do que aceitar que, se há pessoas que querem viver no espaço público por algum motivo, elas têm direito a isso. A cidade também é deles, por mais que doa ao senso estético ou moral de alguém. Ou crie pânico para quem acha que isso é uma afronta à segurança pública e aos bons costumes. Em vez disso, são enxotados ou mortos a pauladas (sem que ninguém nunca seja punido por isso) para limpar a urbe para os cidadãos de bem.

PS: Recado à turma que entalou um “tá com dó leva para casa” na garganta: cresçam.


Fonte: Blog do Sakamoto, Jornalista e Doutor em Ciência Política.

O preconceito dos esnobes

sábado, 13 de novembro de 2010

O racismo é um dos sub-produtos da campanha presidencial. O baixo nivel que marcou o fim do primeiro turno deixou sequelas variadas após a vitória de Dilma Rousseff.

Uma das sequelas é o racismo, que renasce no país como um consolo para derrotados. Quem não gostou da vitória de Dilma tenta argumentar que os eleitores que decidiram o pleito não tinham condições reais de votar, não sabiam qual o verdadeiro debate da campanha nem as consequencias de sua decisão.

Uma primeira manifestação deste espírito regressivo foi de puro baixo nível, simbolizado pela estudante paulista que defendeu o assassinato de nordestinos.
Nos últimos dias, entramos numa segunda fase, que procurava garantir a sobrevivência do preconceito de forma menos primária e até com pretensões ideológicas. Puro esnobismo — disfarçado de alguma erudição.

Já li que a culpa pelo recrudescimento do preconceito contra nordestinos é responsabilidade do presidente Lula. Não se sei a razão mas posso imaginar. Ao longo da história, sempre foi mais fácil culpar negros e judeus pelo tratamento discriminatório a que eram submetidos. Dizia-se que os negros só gostavavam de samba e futebol. Já os judeus seriam exclusivistas e fechados entre si. Enquanto isso, nossos indígenas seriam preguiçosos e incapazes para o trabalho…

Lula talvez possa ser responsabilizado pelo retorno do preconceito porque é pernambucano de nascimento e determinadas pessoas não se conformem que um cidadão com sua origem possa desfrutar de tanto prestígio e popularidade — a maior da nossa história, vejam só.

Ou talvez porque, sob seu governo, a distância entre a miséria nordestina e o quadro social de outras regiões do país tenha diminuído. Pessoas habituadas a viver “por cima da carne seca” podem sentir-se menos confortáveis no novo cardápio social do país e acusam o governo de tratá-las de forma desigual e até humilhante.

Imagine que uma leitora chegou a dizer, no twitter, que Lula estimulava o preconceito contra nordestinos porque pregava a luta de classes. Prova de que ainda tem gente que acredita tanto em estereótipos preconceituosos que não sabia que existem nordestinos milionários, com empresas gigantescas e modernas, que nada ficam a dever a similares do Sul.

Outra manifestação desse mesmo patamar saiu hoje na Folha. Um articulalista escreve assim: “Sou preconceituoso. E daí?”

Numa demonstração de interesse em reforçar preconceitos mesmo com apoio de falsidades, o artigo alimenta o estereótipo dos ignorantes e desinformados, sustentando que os nordestinos decidiram a eleição de 2010. A função oculta desta frase, aparentemente informativa, é colocar os votos do Nordeste sob suspeita, como mercadoria de segunda classe.

Mas olha a crueldade: os números do TSE informam que Dilma Rousseff teria sido vitoriosa mesmo sem os votos daquela região do país. É duro jogar com a mentira.

Em outros parágrafos, o texto amplia o preconceito. Sem prender-se a uma região específica do país, seu alvo são todos os brasileiros humildes, com pouca instrução formal. Para critícá-los, o artigo emprega termos depreciativos e imagens negativas, sustentando que são cidadãos que padecem daquele defeito de não saber votar, o mesmo que Pelé lembrou no passado para explicar porque a ditadura militar não realizava eleições diretas para presidente.

Sem respeito nem pudor, este eleitor é descrito como um sujeito indolente, que não conhece o nome dos candidatos nem sabe o que está em jogo na eleição. É criticado porque não presta atenção no horário político e esquece o nome dos deputados em quem votou meses depois de ir à urna.

Seria apenas vergonhoso se não fosse coerente. Assumidamente preconceituoso em relação à maioria dos cidadãos brasileiros, o texto aponta como modelo para os dramas de países em desenvolvimento as idéias que o Chile adotou durante o regime do general Augusto Pinochet.

Questão de coerência. Num texto que demonstra tão pouco apreço pelo voto popular e pelo caráter universal das democracias — onde todos os votos são iguais, sem distinção de renda, cor, educação ou origem — faz sentido valorizar um regime que se notabilizou pela perseguição e execução de seus adversários. Em vez de valorizar o voto e o eleitor, o texto valoriza um regime que praticava a violência, as execuções e a tortura numa escala nunca vista no Continente.

Já deu para entender para onde leva o preconceito, não?


Por Paulo Moreira Leite à Revista Época

Breve comentário sobre o preconceito no Twitter

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O twitter amanheceu hoje com uma enxurrada de preconceitos contra moradores da região Nordeste por conta da expressiva votação que a região garantiu à presidente eleita Dilma Roussef. Os microposts foram extremamente ofensivos e degradantes. O segundo turno mais baixo nível de todos os tempos só podia terminar dessa forma, revelando o que há de mais obscuro na alma das pessoas.

Todo mundo erra – eu sou um dos piores. E estes momentos são didáticos para que aprendamos com esses erros, façamos correções de rumo e possamos nos reconstruir e construir uma sociedade melhor. Mas há algumas coisas que li por lá e fiquei assustado.

Ao mesmo tempo, colegas jornalistas receberam spams que defendiam a necessidade de separar o Estado de São Paulo e a Região Sul do restante do país por conta do resultado da votação. Nada sobre juntar quem não concorda com o governo eleito e fazer uma oposição firme, programática e responsável. Até porque, como sabemos, a tática do “perder e levar a bola embora” é super madura e fortalece a democracia. Tudo bem, é meia dúzia de pessoas que acha que “São Paulo é meu país”, mas estes reproduzem em profusão argumentos na internet, também estranhos e mais palatáveis, feito Gremlins.

Além do mais, se São Paulo se separasse do restante do país, como defende meia dúzia de analistas de boteco, daria um jeito de continuar superexplorando trabalhadores de outros lugares. Ao invés do migrante nordestino, seria o imigrante brasileiro. Da mesma forma que a gente faz com o bolivianos, paraguaios e peruanos.

Por mais que o filme original não seja um primor de roteiro e de execução, seria extremamente didático para esse pessoal que espuma preconceito se houvesse uma versão tupiniquim do norte-americano “Um Dia sem Mexicanos”. A idéia da película simples: os imigrantes latino-americanos, que custam algumas centenas de milhões em serviço social e retornam bilhões em mão-de-obra, um dia somem da Califórnia – para a alegria dos xenófobos. Mas a vida se torna um caos com o sumiço deles. Por aqui, seria algo como “Um Dia sem Nordestinos”, com roteiro gravado em São Paulo:

A socialite acorda e vê seu poodle completamente despenteado. Tem um piti e grita pela empregada responsável pelo serviço. Nada. O empresário chega de seu cooper matinal e percebe que seu suco de laranja não está espremido como devido. Grita pelo mordomo. Nada. O editor reclama que o fotógrafo não apareceu para entregar a imagem que prometeu. Nada. O cantor postar não aparece para o show e duas amigas, nervosas porque a maquiagem começa a derreter na pista de dança, entram em estado de pré-pânico. Nada.

“Deve ser enchente na favela. Ela nunca falta, sabe? É pobre, mas tem caráter. Nunca sumiu nada lá em casa.”/”É o quarto dia que aquele sujeito não vem. Sabe o que é isso? É o Bolsa Família! Torna as pessoas vagabundas. Deve estar bebendo em um bar”/ “Combinei uma coisa com ele e ele não veio. Esse povinho do Nordeste, viu?” / “Por isso que eu sempre digo: coloca mais duas horas no tíquete de show desse povo, viu amiga. É questão de cultura, sabe? Não é que nem nós, que tivemos criação.” (agradeço aos leitores e leitoras pelas sugestões)

E por aí vai. Até porque, como todos sabemos e o preconceito rastaquela paulistano reafirma diariamente, os nordestinos em São Paulo estão apenas em ocupações subalternas.

Seja na superfície, através de risinhos, ironias e preconceitos, seja estruturalmente, via baixos salários e uma desigualdade gritante, já passamos o recado de quem manda e quem obedece. Direitos sociais e econômicos já são sistematicamente negados. Agora passamos a dizer não também aos direitos políticos? Qual o próximo passo? Revogar a Lei Áurea?


Leia também, para esclarecimentos numéricos, Dilma não dependeu do Norte e Nordeste, nem do Bolsa família e não houve Norte x Sul


Fonte: Blog do Sakamoto

O Time que preferiu Morrer a Perder

terça-feira, 13 de julho de 2010

Partida da Morte


A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram um partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo.

Para compreender sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e por que um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial de suas vidas.

Tudo começou em 19 de setembro de 1941, quando a cidade de Kiev (capital ucraniana) foi ocupada pelo exército nazista, e os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram com tudo. A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazistas, e durante os meses seguintes chegaram centenas de prisioneiros de guerra, que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas, assim todos vagavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido goleiro do Dinamo.

Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente por sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Num dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou um mendigo e de imediato se deu conta de que era seu ídolo: o gigante Trusevich.

Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou aos nazistas e contratou o goleiro para que trabalhasse em sua padaria. Sua ânsia por ajudá-lo foi valorizado pelo goleiro, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um teto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela de sua equipe.

Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma idéia genial: encomendou a Trusevich que em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto de seus colegas. Não só continuaria lhe pagando, senão que juntos podiam salvar os outros jogadores.

O arqueiro percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, a seus amigos do Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, se esforçando para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre seus empregados uma equipe completa.

Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados por seu protetor, voltar a jogar. Era, além de escapar dos nazistas, a única que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última sombra mantida de suas vidas anteriores.
Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipe. Assim nasceu o FC Start, que através de contatos alemães começou a desafiar a equipes de soldados inimigos e seleções formadas no III Reich.

Em sete de junho de 1942, jogaram sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. Seu seguinte rival foi a equipe de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 gols numa equipa romena. A coisa ficou séria quando em 17 de julho enfrentaram uma equipe do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazistas começaram a ficar chateados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipe melhor para ganhar deles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na revanche.

Em seis de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipe com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande time, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazistas tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de esportividade dos alemães, o Start venceu por 5 a 1.

Depois dessa escandalosa queda do time de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazistas locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã.



A superioridade da raça ariana, em particular no esporte, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar o time em um jogo.

Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo:

- "Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado", exigindo que eles fizessem a saudação nazista.


Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: - "Heil Hitler!", gritaram - "Fizculthura!", uma expressão soviética que proclamava a cultura física.

Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro gol, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1.

Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas:

- "Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo". Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar.

Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o gol, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo.

Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois dessa última partida, a Gestapo visitou a padaria.

O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o arqueiro Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em novembro de 1943. O resto da equipe foi torturada até a morte.

Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se atualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942.

Foram todos mortos entre torturas e fuzilamentos, mas há uma lembrança, uma fotografia que, para os torcedores do Dinamo, vale mais que todas as jóias em conjunto do Kremlin. Ali figuram os nomes dos jogadores.

Na Ucrânia, os jogadores do FC Start hoje são heróis da pátria e seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. No estádio Zenit uma placa diz "Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista".

A criminalização da pobreza em escala continental

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O candidato do PSDB-DEM à presidência da República, José Serra, disse a uma rádio carioca: “Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível. O governo boliviano é cúmplice disto”.


Serra conseguiu, numa única declaração, ser desrespeitoso e ignorante. Desrespeitoso porque alguém que pleiteia a presidência da República não pode se referir desta forma a nenhum governo. E ignorante porque esta declaração faz parecer que a Bolívia é a grande responsável pela desgraça de quem é viciado no Brasil, o que está longe de ser verdade.


Mas para além do desrespeito e da ignorância, é possível sentir um certo sensacionalismo na declaração de Serra. Um político com tanta experiência conhece muito bem a dimensão da cadeia de produção de cocaína; sabe que entre o plantio da folha de coca e a obtenção do produto final há muito mais do que a vã filosofia do Departamento de Estado estadunidense. O jornalista José Arbex Jr. já denunciou, na Caros Amigos, que para se chegar ao produto final é preciso incorporar elementos químicos que não são produzidos nos países que cultivam a folha de coca. Muitas vezes eles chegam de laboratórios dos países ditos desenvolvidos, mas esta informação nunca é divulgada pelas corporações de mídia – o que inverteria completamente a percepção do senso comum.


Já é consenso no mundo que a política antidrogas estadunidense falhou. Não tem funcionado centrar os ataques aos países produtores. Até as Nações Unidas, em relatório divulgado em março de 2009, afirma que a campanha antidrogas teve efeito contrário ao esperado, fazendo os cartéis ficarem mais poderosos. E o governo Evo Morales expulsou de seu país a DEA e a CIA, agências responsáveis pela condução dessa política, além de ter expulsado o embaixador ianque por participar de conspiração num golpe de Estado.


É importante lembrar que a folha de coca é uma tradição na Bolívia, sobretudo na região andina. Ou seja: nem toda a produção do país se destina à produção de cocaína. Você encontra a folha em qualquer banquinha de esquina, do mesmo jeito que encontramos banana no Brasil. Cada saquinho pequeno custa R$ 0,70 (do tamanho de um pacote de fandangos de 30g), e o grande R$ 1,60 (fandangos de 100g). A folha é recomendada para combater os males da altitude, o cansaço, a fome. Também é usada no tratamento de cárie e os psiquiatras bolivianos já usam a folha para remediar a depressão. Isso sem falar no aspecto espiritual da coca, que é reconhecido pela nova Constituição Política de Estado. O mais comum nas ruas de La Paz é ver as pessoas mascando a folha de coca, as bochechas cheias com aquelas bolas enormes de folhas laceradas. O chá de coca é tão comum lá quanto o café aqui.


Cocaleros reunidos no interior de La Paz


Ao declarar que o governo boliviano é cúmplice do tráfico de cocaína para o Brasil, Serra faz uma escolha arriscada. Em lugar de provocar o debate mais amplo sobre a questão das drogas, ele investe no radicalismo binário. A culpa é do índio maluco. Serra vai buscar a tese do inimigo externo justo no país vizinho, cujo PIB não chega a um décimo do brasileiro. Mas tem um governo de esquerda, que erradicou o analfabetismo e, muito importante, tem um povo que o aprova em sua grande maioria. Nada de atacar o imperialismo ianque ou seu enclave na América do Sul, a Colômbia. O grande inimigo do Brasil, para Serra, é a Bolívia. Um raciocínio que projeta a criminalização da pobreza – muito presente no modo demotucano de governar – em níveis continentais e nos lembra que a política externa que ele defende é a do atrelamento automático às grandes potências.


Eleições de outubro


Do ponto de vista eleitoral, a declaração de Serra é compreensível. É um discurso que encontra algum apelo, sem dúvida, apesar de sua amplitude ser duvidosa. Afora a classe média obtusa, tão ignorante quanto sua declaração, dificilmente Serra encontrará apoio no povão. Tanto o do Brasil quanto o da Bolívia. Os bolivianos, de modo geral, gostam tanto de Lula quanto do Evo. Uma vez ouvi na Praça Murillo, em La Paz, de um vendedor ambulante: “Com Lula finalmente vocês têm um presidente do povo”. É o mesmo sentimento que têm em relação a Evo. São dois povos que de dez anos pra cá já não votam em quem o patrão manda.


Cerca de um mês antes, o candidato do PSDB-DEM havia dito que o Mercosul é uma farsa. O que pretende o candidato tucano? Não duvido que em breve vá se insurgir contra Hugo Chávez, o alvo favorito das corporações de mídia. Em queda nas pesquisas, ele estaria partindo para o tudo ou nada? Como o time que está perdendo e se lança inteiro ao ataque. Mas será que os estrategistas tucanos pensaram bem? Vale lembrar que o time que avança por completo corre o risco de tomar o gol no contra-ataque, ainda mais num continente em que os países têm aprofundado os laços, com instituições cada vez mais sólidas e um povo cada vez mais consciente de seu papel enquanto sujeito histórico.


Por Marcelo Salles, jornalista, e colaborador da revista Caros Amigos e do jornal Fazendo Media.


Fonte: Escrevinhador

Em ritmo de festa, Parada Gay de São Paulo faz cobrança política

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Em ritmo de festa, Parada Gay de São Paulo faz cobrança política

Milhares de pessoas acompanham na avenida Paulista durante a Parada Gay 2010. A previsão é de que mais de 3 milhões tenham participado do evento (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

Um pouco menos colorida que nas últimas edições, a Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) de São Paulo levou, em todos os trios elétricos que desfilaram na Avenida Paulista, uma cobrança aos candidatos nas próximas eleições. Faixas nas laterais dos caminhões pediam votos aos defensores da causa LGBT. Em ritmo eletrônico, em alguns dos carros de som, uma música repetia o lema da manifestação: "Vote Contra a Homofobia – Defenda a Cidadania".

Os organizadores programaram uma parada mais política e menos “colorida” para 2010. A intenção foi a de chamar a atenção para a intolerância e a violência contra a comunidade LGBT. O público apoiou o lema da manifestação, mas não deixou de se divertir. Logo atrás dos carros de som, que traziam acima da boléia o tradicional arco-íris feito por balões, milhares de pessoas seguiam e dançavam, fazendo lembrar a multidão atrás dos trios elétricos de carnaval.

“Temos de pressionar os políticos por leis mais rígidas para a questão da violência contra os gays”, afirmou Patricy Guimarães. “Acho positivo a gente pedir respeito dos candidatos. Para mim, basta que eles cumpram o que está na Constituição”, disse Paulo Silveira, que acompanhou a parada na porta de um banco na Avenida Paulista.

Além da questão política, a Parada LGBT tornou-se um dos eventos turísticos mais importantes para a capital paulista. Ela passou a ser em 2010 o evento com maior número de turistas e o segundo em movimentação da economia da cidade, atrás somente da Fórmula 1. No ano passado, juntamente com as outras atrações da Gay Week, atraiu cerca de 400 mil pessoas de fora da cidade, que movimentaram aproximadamente R$ 189 milhões na economia do município. A projeção para este ano é de que o número de turistas se mantenha e a movimentação atinja R$ 196 milhões.

A artesã Daniele Belchior, que trabalha desenvolvendo produtos para o público gay, tentou pela quarta vez comercializar seu artesanato na Parada. Parte de seus produtos deste ano foi confiscada pela Guarda Municipal, mas a outra, como canecas estampadas com um arco-íris, era vendida por até R$ 5.

Por dois anos, Daniele, que diz já ter sofrido muito preconceito no Brasil por sua orientação sexual, também trabalhou numa parada semelhante que é realizada na Espanha. “Acho que aqui é muito carnaval. Não tem nada político. Eles podem propor o que for, mas aqui não adianta. Em Valência (Espanha), onde eu morava, era bem mais político. Lá eles lutam por seus direitos e têm muitos mais direitos do que aqui”, afirmou.

Acompanhado pela mulher e seus dois filhos, Arnon Thalemderg, morador da capital, decidiu ir à Avenida Paulista para que as crianças pudessem “conhecer a diversidade e aprender a respeitá-la.

“Acho que [isso vem] da educação preconceituosa dos pais que não aceitam coisas diferentes do modo de vida deles. Os pais não precisam concordar com tudo o que as outras pessoas fazem, mas devem aprender a respeitar isso. E é isso que temos que passar para os nossos filhos. Eles podem ser do jeito que quiserem, mas precisam saber respeitar os diferentes”, afirmou.

Das 12h30, quando a parada começou oficialmente, até as 17h, quando os últimos carros de som desciam a Rua da Consolação, a polícia não havia registrado nenhuma ocorrência grave. Apenas pequenos furtos e problemas relacionados à bebida alcoólica em excesso. Os organizadores previam a participação de 3 milhões de pessoas na manifestação.

Fonte: Agência Brasil/ Brasil Atual.

Artistas convocam um boicote ao Arizona

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Caso você ainda não saiba, a legislação do estado do Arizona aprovou uma lei (SB 1070), assinada pelo governador Jan Brewer, que legaliza a discriminação racial.

Ela obriga a polícia a perseguir qualquer pessoa que seja "razoavelmente suspeita" de não ter documentação. E se as pessoas que eles importunarem não tiverem qualquer prova de terem nascido nos Estados Unidos, elas podem ser detidas. Isto tem que acabar.

Fãs da nossa música, das nossas histórias, dos nossos filmes e das nossas palavras podem ser incomodados e molestados todos os dias porque são pretas ou devido à maneira como falam, ou pela música que ouvem. Pessoas pobres como alguns de nós eram obrigadas a viver assustadas, enquanto que faziam o que podiam para encontrar emprego e sobreviver. E esta lei permitirá que elas sejam incomodadas constantemente, ou pior, detidas e repatriadas enquanto estavam apenas tentando voltar para casa da escola ou indo para o trabalho, ou então enquanto estavam só passeando com os amigos.

Alguns de nós crescemos lidando com discriminação racial, mas esta lei (SB 1070) faz com que tudo piore. Se outros estados seguirem as orientações do governo do Arizona, nós podemos estar caminhando para uma era pré-direitos civis. Esta lei injusta foi criada pelo mesmo governo que recusou reconhecer o dia de Martin Luther King Jr. como feriado nacional.

Quando Rosa Parks se recusou a ceder o seu lugar, eles prenderam-na. Por causa disso, as pessoas juntaram-se e disseram que não voltariam a andar de ônibus até que a lei fosse mudada. E foi esta corajosa ação que fez acontecer o boicote ao ônibus Montgomery. O que aconteceria se nós nos uníssemos e assinássemos uma carta dizendo que "nós não vamos voltar a entrar naquele ônibus", dizendo que nós não consentimos? Nós não vamos tocar mais no Arizona, nós vamos boicotar o Arizona!

Assinado,
Zack de la Rocha

Segue-se a lista dos corajosos artistas que se engajaram pelos direitos civis e humanos nesta decisão coletiva de boicotar o Arizona:

Cypress Hill
Juanes
Conor Oberst
Los Tigres del Norte
Rage Against the Machine
Cafe Tacvba
Micheal Moore
Kanye West
Calle 13
Joe Satriani
Serj Tankian
Rise Against
Ozomatli
Sabertooth Tiger
Massive Attack
One Day as a Lion
Street Sweeper Social Club
Spank Rock
Sonic Youth
Tenacious D

VEJA MENTE!

quinta-feira, 27 de maio de 2010


Mobilização contra a Veja e em defesa dos povos indígenas

ABA avalia se irá processar a Veja por ataques baixos contra povos indígenas e antropólogos/as

A recente matéria da revista Veja intitulada "Farra da Antropologia Oportunista" vem despertando reações veementes de condenação da prática de jornalismo descaradamente mentiroso, racista e atrelado ao lobbie dos capitalistas em conflito com povos indígenas. Em nota pública assinada pelo Prof. João Pacheco de Oliveira da UFRJ e coordenador Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia, a CAI-ABA demonstra com evidências documentais que o artigo da Veja não é um fato isolado, mas parte de uma prática sistemática de deslegitimação das reivindicações dos povos indígenas que estão em conflito com interesses corporativos e do agronegócio, valendo-se para tanto de mentiras, argumentos superficiais e caluniosos, difamação de lideranças indígenas, do CIMI e de antropólogos, e uso manipulado de frases às vezes fora de contexto e em outras claramente forjadas de profissionais. A Comissão de Assuntos Indígenas revela que o presidente da Associação Brasileira de Antropologia já acionou os seus assessores jurídicos para avaliar a possibilidade de responsabilizar juridicamente os responsáveis.

"Dada a assimetria de recursos existentes, contamos com a mobilização dos antropólogos e de todos que se preocupam com a defesa dos direitos indígenas para, através de sites, listas na Internet, discussões e publicações variadas, vir a contribuir para o esclarecimento da opinião pública, anulando a ação nefasta das matérias mentirosas acima mencionadas. Que não devem ser vistas como episódios isolados, mas como manifestações de um poder abusivo que pretende inviabilizar o cumprimento de direitos constitucionais, abafando as vozes das coletividades subalternizadas e cerceando o livre debate e a reflexão dos cidadãos. No que toca aos indígenas em especial a Veja tem exercitado com inteira impunidade o direito de desinformar a opinião pública, realimentar velhos estigmas e preconceitos, e inculcar argumentos de encomenda que não resistem a qualquer exame ou discussão."


Nesse link, você poderá ler a Nota da Comissão de Assuntos Indígenas da ABA


Mídia Independente



A cada dois dias um homossexual morre no Brasil

quinta-feira, 13 de maio de 2010


O número foi considerado alarmante para entidades de direitos humanos, que estão preocupadas com desrespeito aos direitos individuais

A cada dois dias um homossexual morre no Brasil. Uma pesquisa do Grupo Gay na Bahia mostra que pelo menos 198 homossexuais foram assassinados no país no último ano. O número é 55% maior do que o ano de 2008 e foi considerado alarmante para as entidades de direitos humanos, que estão preocupadas com desrespeito aos direitos individuais.

Para o presidente do Grupo, Marcelo Cerqueira, o crescimento dos crimes é impulsionado pelo pensamento conservador, que embasa práticas homofóbicas.

“Todos esses crimes que nós temos notícia no Brasil foram motivados pela orientação sexual da vítima. Esses dados, que são a ponta do iceberg de sangue, nos mostram que a sociedade ainda é homofóbica e que impunidade com que todos esses casos são tratados no Brasil faz com que novos casos continuem acontecendo do Oiapoque ao Chuí.”

O Grupo usa a imprensa como principal fonte de catalogação das mortes. Por isso, estima-se que o número de homossexuais assassinados seja ainda maior que 198. Apesar 10% da população se declarar homossexual, o Brasil ainda não tem estudos oficiais sobre os crimes de ódio praticados contra eles.

“A única arma que nós temos é denunciar às cortes internacionais, denunciar o Estado e os municípios para que, por exemplo, constituam delegacias especiais para apurar os crimes homofóbicos que ainda acontecem no Brasil de uma forma muito escancarada. E fica feio (sic) para o Brasil, que quer ser considerado um país democrático, civilizado.”

Dentre os 198 mortos em 2009, 117 são gays, 72 travestis e nove lésbicas.


Alne Scarso

Para comentarista da Globo, parto humanizado é "bobagem" e gravidez de mulheres com HIV "maluquice"

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Para o comentarista da CBN e da TV Globo, pai barbudo, cabeludo e bêbado infecta a sala cirúrgica durante parto humanizado

Em uma única entrevista, Alexandre Garcia, comentarista da CBN e da TV Globo, criticou o Ministério da Saúde, o parto humanizado, grávidas HIV positivo e pais que desejam acompanhar o parto dos filhos. As declarações causaram uma avalanche de críticas ao jornalista e o repúdio de ativistas e especialistas.

Na sexta-feira (7), Garcia afirmou na rádio CBN: "Estou criticando essa bobagem do Ministério da Saúde: parto humanizado. Será que vão deixar entrar o pai pra deixar infectar a sala cirúrgica. O pai barbudo, cabeludo, bêbado, sei lá. Mas, enfim, vestido com poeira da rua numa sala cirúrgica. Isso é um absurdo". Ainda sobre o parto humanizado ele comentou que o parto de cócoras é coisa de índio e estoura os joelhos das mulheres.

Na mesma entrevista, que começou tratando de problemas na saúde em Brasília, Garcia também disparou críticas à gravidez de mulheres com HIV. "Eu duvido que o Ministério da Saúde vá fazer uma cesárea pela terceira vez numa mulher com HIV e respingar sangue nele pra ver o que vai acontecer. É uma maluquice".

Desde a entrevista, o site da rádio recebe dezenas de comentários diariamente com críticas ao jornalista.

Militantes do movimento de luta contra a Aids divulgaram uma "Carta aberta a Alexandre Garcia - uma carta contra o preconceito", em protesto às declarações do comentarista.

“É inconcebível observar como se aborda questões do HIV/Aids de forma preconceituosa, sem qualquer rigor científico, o que só favorece o aumento da discriminação às pessoas vivendo com HIV/Aids”, pondeou José Roberto Pereira (Betinho), membro do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo.

Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), a opinião de Garcia reforça o preconceito contra portadores de HIV. "No meu entendimento, como pessoa que está trabalhando com a questão do HIV/aids desde 1985, quero dizer que você jogou água fora da bacia e respingou a água suja do preconceito em muita gente. Quero dizer que atitudes como esta reforçam o preconceito e o estigma contra as pessoas que vivem com HIV/aids", apontou Reis.

Parto humanizado


A edição 28 da Revista do Brasil traz histórias de famílias que optaram pelo parto humanizado.

"... É um evento familiar vivido sob intensa emoção. Mais do que espectador, o pai participa ativamente da gravidez e do parto", enfoca a matéria de Luciane Benatti.


Fonte: Rede Brasil Atual



 

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