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Jornada de mobilização contra as alterações no Código Florestal se espalha por todo Brasil

terça-feira, 3 de maio de 2011


A mobilização nacional contra o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) - que modifica e fragiliza o Código Florestal-, realizada na quinta-feira, dia 28, nas cidades de Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Piracicaba (SP), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro e Volta Redonda (RJ), vai prosseguir com novos eventos e locais entre os dias 12 e 22 de maio. O objetivo é exercer pressão direta sobre parlamentares em seus domicílios eleitorais, com o apoio de organizações locais, para que não aprovem o substitutivo de Aldo Rebelo da forma como foi votado pela comissão especial no ano passado.

O movimento, liderado pela coalizão SOS Florestas, é formado por ONGs, entidades da sociedade civil e indivíduos contrários ao substitutivo de Rebelo, que enfraquece as leis que protegem as florestas e outras áreas naturais no país, como o Cerrado e a Caatinga. A proposta também incentiva a ocupação de áreas de risco, como encostas de morros e margens de rios, abrindo espaço para mais tragédias em centros urbanos, como enchentes e deslizamentos de terra. Na prática, essa mudança da legislação vai aumentar o desmatamento, provocando maior emissão de gases do efeito estufa e acarretando problemas no abastecimento de água nas áreas urbanas.

”Esta jornada mostra que as discussões em torno da proposta de alteração do Código Florestal não se trata de uma briga entre ruralistas e ambientalistas. A sociedade brasileira está preocupada com as consequências dessa mudança nas nossas florestas e nas nossas vidas”, afirma Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.

Como funciona

Será lançada, no site do SOS Florestas (acesse aqui) uma plataforma online para o público aderir à iniciativa. A ferramenta disponibilizará materiais da campanha, como vídeos, cartilhas, petições e sugestões de atividades. O público-alvo são escolas, faculdades, centros comunitários e movimentos sociais.

O trabalho será feito de forma articulada com a Frente Parlamentar Ambientalista e estimulará a participação de indivíduos, descentralizando a campanha e aumentando o espaço de debate sobre o futuro das florestas e das cidades brasileiras.

Calendário de atividades

DATA – ATIVIDADE - LOCAL

5/05 – Aquecimento para Jornada nacional de mobilização –Eventos em todas as regiões do país.
11/05 – Missa ecumênica pelas florestas – São Paulo, na Catedral da Sé

12 a 21/05 – Jornada nacional de mobilização, com eventos em 24 cidades

22/05 – Grande ato no Viva a Mata – São Paulo, no Parque do Ibirapuera 25/05 Solenidade Frente Parlamentar Ambientalista – Dia da Mata Atlântica e Código Florestal, em Brasília

27/05 – Dia da Mata Atlântica – Cidades e entidades da Rede Mata Atlântica

5/06 – Dia Mundial do Meio Ambiente

Para mais informações sobre como participar da mobilização e acompanhar a agenda de mobilizações acesse o site www.sosflorestas.com.br


Fonte: EPC - Empresas pelo Clima

MOBILIZAÇÃO NACIONAL CONTRA ALTERAÇÃO NO CÓDIGO FLORESTAL!

domingo, 24 de abril de 2011

Chegou a hora de se levantar! Mobilização nacional contra alteração no Código Florestal!

Os dias 28, 29 e 30 de abril são dias de mobilização nacional contra a PL 1876/99, proposta absurda de flexibilização do Código Florestal Brasileiro que está para ser votada na Câmara e representa uma ameaça à nossa fauna e flora, e também aos nossos recursos hídricos!
Ocorrerão ações em dezenas de cidades!

São Paulo (SP): a manifestação acontecerá dia 28/04, com concentração às 11hs, nas escadarias da Catedral da Sé, no centro da cidade.

Rio de Janeiro (SP): dia 28/04, concentração às 10hs, na escadaria da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Volta Redonda (RJ): dia 28/04, concentração às 17hs na Praça Brasil

(os organizadores pedem para confirmar presença através do e-mail educa.matatlantica@gmail.com).

Curitiba (PR): dia 28/04, concentração às 16hs na Praça Santos Andrade.

Natal (RN): dia 28/04, concentração às 15hs na Av. Rio Branco, esquina com a Rua João Pessoa, Praça Kennedy.




Sabe de mais alguma cidade? Me avise, para eu acrescentar à lista!


E, mesmo se não puder ir por algum motivo qualquer, por favor,


DIVULGUE!


Você trabalha? Estuda? Escreva a data e local numa cartolina e deixe num mural ou na parede para que todos vejam!
Avise seus colegas e amigos, escreva no seu twitter e facebook! Não deixe para a última hora!!!

cartaz de divulgação da manifestação em defesa do Código Florestal Brasileiro, dia 20 de abril em Curitiba
cartaz de divulgação da manifestação em defesa do Código Florestal Brasileiro, dia 20 de abril no Rio de Janeirocartaz de divulgação da manifestação em defesa do Código Florestal Brasileiro, dia 20 de abril no Rio de Janeiro

Lançada campanha nacional permanente contra o uso de agrotóxicos

domingo, 10 de abril de 2011


Suco de frutas, verduras, legumes, cereais. Alimentação saudável? Nem sempre. Lançada nesta semana, no Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a Campanha permanente contra o uso de agrotóxicos e pela vida pretende alertar que o veneno usado nos cultivos agrícolas brasileiros prejudica muito a saúde das pessoas e do meio ambiente. De acordo com a organização da campanha, com os atuais níveis de utilização de agrotóxicos, cada brasileiro consome em média 5,2 kg de veneno por ano e o Brasil foi considerado em 2009, segundo o sindicato dos próprios produtores de defensivos agrícolas, o maior consumidor destas substâncias pelo segundo ano consecutivo. A campanha é organizada por mais de 20 entidades e movimentos sociais, que pretendem realizar atividades em todo o país para conscientizar sobre a necessidade de outro modelo de produção agrícola, sem utilização de veneno e baseado no respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente, para aí, sim, produzir alimentos verdadeiramente saudáveis.

A campanha escolheu o Dia Mundial da Saúde para lançar oficialmente as atividades. Mas, mesmo antes da data, seminários, palestras e outros eventos tiveram como tema o prejuízo dos agrotóxicos à saúde. Em Brasília, uma passeata contra o uso de agrotóxicos e em defesa do código florestal reuniu mais de duas mil pessoas. A atividade fez parte da Jornada contra o Uso de Agrotóxicos, em Defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária, realizada nos dias 6 e 7 de abril. O professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília, Fernando Carneiro, presente nas atividades da jornada, conta que os eventos foram lotados. Para ele, lançar a campanha no Dia Mundial da Saúde é muito simbólico. “Quando se fala de saúde da nossa população sempre se associa à fila de hospitais, mas hoje [7 de abril] foi uma manhã histórica porque estávamos discutindo verdadeiramente o conceito ampliado de saúde, discutindo o modelo agrícola brasileiro, o que este modelo tem gerado em termos de impacto às populações e as dificuldades do próprio sistema de saúde em notificar os problemas decorrentes do uso de agrotóxicos”, detalha.

O professor explica porque as lutas contra o uso de venenos na agricultura e em defesa do código florestal são convergentes. “A bancada ruralista quer alterar a legislação para liberalizar os agrotóxicos. No código florestal, vemos o mesmo movimento. E quem está por trás destas duas articulações é o próprio agronegócio: querem desmatar mais áreas e querem ter isenção de impostos para agrotóxicos. Além disso, os temas se relacionam porque à medida que se limita a proteção das nascentes com a mudança no código florestal, por outro lado, se facilita a contaminação da água pelos próprios agrotóxicos. Então, são temas com interação muito grande, que significam ameaça à biodiversidade, à qualidade da água, elementos vitais para o nosso país”, diz.

Para a coordenadora do Sistema Nacional de Informações Toxico Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rosany Bochner, é necessário negar totalmente o uso dos agrotóxicos devido aos prejuízos que tem causado à saúde. “É preciso deixar claro que o que queremos com a campanha não é usar produtos menos tóxicos, não é nada paliativo. Nós não queremos mais agrotóxicos de nenhuma forma. É uma mudança de filosofia, temos que partir para produzir diversidade. Vamos ter que comer diferente, que fazer muita coisa e não depende só do agricultor, depende também da população, porque do jeito que está não é possível mais ficar”, reforça. Rosany, que também é consultora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), participou, junto à EPSJV/Fiocruz e a Via Campesina, de um seminário na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) sobre os impactos dos agrotóxicos.

No dia 7 de abril, também foram realizadas atividades no Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Sergipe e Goiás. Em Limoeiro do Norte, no Ceará, nos dias 19 e 20 de abril, serão realizadas várias mobilizações contra o uso de agrotóxicos e em protesto pela impunidade do assassinato do líder comunitário José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, que denunciou os impactos dos agrotóxicos na região. No dia 21 de abril faz um ano que o agricultor foi assassinado próximo de casa e as investigações, até o momento, não apontaram os autores do crime.

Também no Dia Mundial da Saúde, na Câmara Federal, uma subcomissão especial criada para avaliar as conseqüências do uso de agrotóxicos para o país realizou uma audiência pública sobre o tema com a presença da Anvisa, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), órgão favorável ao uso dos venenos nos cultivos. De acordo com a Agência Câmara, Anvisa e MPA divergiram radicalmente do representante da CNA. “Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu a modernização do uso desses insumos, um representante da Anvisa e uma deputada apontaram os efeitos negativos para a saúde humana. Já o representante dos pequenos agricultores defendeu o fim do uso dos agrotóxicos”, informou a Agência Câmara.

Riscos à saúde

O material da campanha alerta que os agrotóxicos causam uma série de doenças como câncer, problemas hormonais, problema neurológicos, má formação do feto, depressão, doenças de pele, problemas de rim, diarréia, entre outras. Recentemente, uma pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul detectou a presença de agrotóxicos no leite materno. “Diante de tantas evidências de problemas, não há mais o que discutir. Este leite envenenado é muito grave, não dá mais para ter meio termo. Sabemos que é uma luta de Davi contra Golias, porque são empresas extremamente poderosas [as empresas produtoras de agrotóxicos]. Mas eu queria saber se eles comem estes produtos cheios de agrotóxicos”, questiona Rosany.

Além da proibição definitiva do uso de venenos, a campanha afirma ainda que a saída para uma alimentação saudável e diversificada está no fortalecimento da agricultura familiar e camponesa. Para isso, propõe uma série de ações, como a reforma agrária para acabar com os latifúndios, o fim do desmatamento, a geração de trabalho e renda para a população rural, o uso de novas tecnologias para acabar com a utilização de agrotóxicos e a produção baseada na agroecologia.

De acordo com Rosany, a Anvisa está muito disposta a discutir o uso destes produtos tóxicos, entretanto, existe uma resistência de setores do próprio governo e do legislativo. “Tem uma bancada ruralista que quer liberar a todo custo os agrotóxicos”, pontua. A pesquisadora destaca também as dificuldades de informação sobre os riscos de agrotóxicos no sistema de saúde. “Não estamos acostumados a trabalhar com casos crônicos, as redes de saúde não conseguem relacionar os sintomas com a exposição aos agrotóxicos, dificilmente as pessoas fazem essa relação e isso dificulta muito na hora da discussão porque eles [os defensores do uso de agrotóxicos] falam que não temos evidências. Temos que fazer um esforço maior nisso, fazer um treinamento melhor nos serviços de saúde, mas é preciso investimento”, afirma.

Para Fernando Carneiro, o Ministério da Saúde ainda é muito omisso em relação ao enfrentamento do problema de identificação das intoxicações, tanto no campo da saúde do trabalhador, quanto da saúde ambiental. “Eu quero que o Ministério da Saúde faça campanha sobre os riscos dos agrotóxicos. Como faz com a campanha contra a Aids, pelo uso da camisinha. O Ministério poderia investir também para fazer cartilhas e difundir informações sobre os riscos dos agrotóxicos. Hoje, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio, para fazer apologia ao uso”, alerta.


Por Raquel Júnia - Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio - EPSJV/Fiocruz

Fonte: EcoAgencia

Agroquímicos: Os venenos continuam à nossa mesa, por Henrique Cortez

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

veneno

[EcoDebate] Já discuti este tema antes, mas, diante do continuado crime de nosso envenenamento alimentar, acho necessário retomar a discussão e atualizar as informações e referências.

A agricultura “tradicional” se orgulha de produzir alimentos mais do que suficiente para alimentar o planeta e a indústria química se orgulha de ter desenvolvido os insumos utilizados para isto.

Devemos nos perguntar qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos. Quem arca com as consequências e quem realmente paga por isto?

Não pretendo discutir o manejo do solo, a sua utilização intensiva e extensiva, a ponto do solo precisar de permanente aplicação de fertilizantes ou de que a produção animal seja um exemplo do horror da exploração desumana.

Prefiro falar do nosso longo e lento envenenamento diário. Prefiro discutir a comida que nos mata.

Há algum tempo assisti a um telejornal no qual um produtor de morangos, do interior de SP, declarou (devidamente protegido pelo anonimato) que não consumia o morango que produzia por causa dos agrotóxicos. Deste dia em diante passei a estar mais atento ao veneno na minha mesa.

Para colocar o tema em discussão, nem será preciso nada mais do que fazer um rápido e pequeno balanço do que já publicamos.

A intensa utilização de agrotóxicos na nossa agricultura foi claramente demonstrada no Censo Agropecuário 2006, confirmando que quase 80% de proprietários rurais usam agrotóxico.

Uma pesquisa da Fiocruz, em Pernambuco, identificou a presença de parasitos em 96,6% das amostras de alface coletadas em supermercados e feiras livres da cidade. E isto nas alfaces cultivadas pelo método tradicional, o orgânico e hidropônico.

No Japão, em setembro/2009, o arroz importado da China contaminado com pesticida e fungo levou ministro da agricultura a renunciar. Neste lamentável caso de ganância irresponsável (mais uma dentre tantas), o arroz foi importando para uso industrial, na produção de colas, mas funcionários da Mikasa Foods desviaram o lote para produção de comida, que contaminada por pesticida e fungo, foi servida em escolas, restaurantes, hospitais, lojas e lanchonetes.

O imenso volume de herbicidas aplicados no Brasil contaminam os solos, os mananciais e até mesmo o aqüífero Guarani. A contaminação dos mananciais e aqüíferos também chegará até nós pela água que bebemos e pelos produtos agrícolas irrigados com a água contaminada.

Um estudo, do U.S. Geological Survey, demonstrou que seis agrotóxicos persistentes foram encontrados nos poços em todo os EUA. Se esta tragédia tóxica acontece mesmo sob rígido controle, imaginem do lado de baixo do equador.

Um outro estudo nos EUA demonstrou a contaminação da água de poços domésticos, o que não deve ser muito diferente por aqui, principalmente nas zonas rurais, intensamente expostas pela aplicação dos agrotóxicos

Até mesmo os produtos orgânicos podem ser contaminados indiretamente, como é o caso dos antibióticos usados em animais e que são absorvidos pelas hortaliças cultivadas em solo adubado com resíduos animais. A agricultura orgânica é intensa utilizadora da adubação orgânica.

O abusivo uso de antibióticos levou a Coréia do Sul a rejeitar frango contaminado com antibióticos procedente do Brasil. Se isto acontece com o frango de exportação, o que acontecerá com o frango consumido por aqui mesmo?

O tema da contaminação por antibióticos foi muito bem discutido no artigo “Antibióticos, o mal que entra pela boca do homem”, de Ana Echevenguá.

Nem mesmo o mel está protegido de contaminação, como demonstrou a revista alemã Öko-TEST, de 02/01/2009, que, a partir de testes em laboratório, identificou umageneralizada contaminação do mel por transgênicos e agrotóxicos.

A contaminação das abelhas é um desastre global que ameaça a produção de alimentos. A segurança alimentar está ameaçada e a crise alimentar pode adquirir contornos ainda mais trágicos, se a maciça morte de colônias inteiras de abelhas continuar no ritmo atual. Sem este pequeno inseto polinizador os efeitos na produção agrícola podem ser devastadores.

Poucas pessoas sabem que as abelhas prestam serviços ambientais muito mais relevantes do que a mera produção de mel. As mais de 20 mil especies de abelhas polinizam a floração de, pelo menos, 90 culturas, tais como maçãs, nozes, abacates, soja, aspargos, brócolos, aipo, abóbora e pepino, laranjas, limões, pêssegos, kiwi, cerejas, morangos, melões, milho, etc.

Como já havia ocorrido com o tomate, a batata, o figo e o morango, também a uva recebe grandes doses de agrotóxicos. Uma pesquisa da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre o efeito de agrotóxicos em vinicultores do Rio Grande do Sul revelou altos índices de intoxicação.

Falando em uva, uma pesquisa comprovou que a exposição de ratas grávidas aofungicida vinclozolin provocou inflamação na próstata dos filhos quando adultos. Este é um fungicida muito utilizado em uvas.

Poucas pessoas percebem que estamos expostos a um coquetel de diversos agrotóxicos, que não são testados, em termos de segurança, para exposição associada.

O tema do envenenamento cotidiano foi debatido com clareza e precisão nos artigos “agrotóxicos: O holocausto está aqui, mas não o vêem”, de Graciela Cristina Gómez e “Agrotóxicos: poluição invisível”, de Márcia Pimenta.

Uma pesquisa norte-americana demonstrou que pesticidas comuns na agricultura comercial, que podem ‘atacar’ o sistema nervoso central dos salmões, tornam-se ainda mais mortais quando combinados com outros pesticidas.

Cientistas do NOAA Fisheries Service e da Washington State University esperavam entrar efeitos perigosos nos pesticidas acumulados na água, mas ficaram surpresos com a sinergia mortal de algumas combinações de pesticidas, mesmo quando combinados em níveis considerados baixos.

Resultado comparável foi obtido com a exposição de anfíbios e pesquisadores determinaram que mesmo baixas concentrações de pesticidas podem ser tóxicas quando vários produtos são misturados.

Se isto acontece com peixes e anfíbios, por que não com outros animais? Incluídos os humanos que são envenenados e com os desumanos que nos envenenam.

Também nos EUA, duas novas pesquisas, publicadas na edição online da revista Journal of Chromatography B, indicam que o leite nos EUA e Europa pode estar contaminado com estrogênios e com fármacos de uso veterinário.

A lista de acusações contra os agrotóxico é imensa. Sabemos, graças a pesquisas cientificas, que o pesticida Dieldrin é associado ao câncer de mama e que pesticidas podem afetar a fertilidade feminina. Os pesticidas, também, são relacionados a tumores cerebrais em mulheres.

Pesquisa da Fiocruz identificou que a exposição a agrotóxicos causa declínio no nascimento de homens em cidades do Paraná.

A intensa utilização de agrotóxicos no Brasil é ainda mais irresponsável do que nos EUA e na Europa. Um primeiro lugar porque, no Brasil, importamos agrotóxicos proibidos nos próprios países onde são produzidos.

E em segundo, porque um levantamento do Ministério da Agricultura detectou queagricultores estão utilizando agrotóxicos irregulares em pelo menos 61 hortaliças e frutas produzidas no Brasil. Os agrotóxicos registrados para o tomate, por exemplo, estão sendo utilizados para combater ervas daninhas e pragas da berinjela. A maior parte destes alimentos faz parte da dieta alimentar diária dos brasileiros.

Como se não bastasse a importação e utilização legal agrotóxicos proibidos nos próprios países onde são produzidos, ainda são utilizados agrotóxicos ilegais, contrabandeados e sem qualquer controle de toxidade, como noticiamos na matéria “O veneno à nossa mesa: Polícia Federal realiza operação de repressão ao contrabando de agrotóxicos ilegais”.

Para aumentar o caos venenoso, ainda há quem adultere a formulação de agrotóxicos autorizados, como ocorreu quando a fiscalização da Anvisa apreende 1 milhão de litros de agrotóxicos adulterados na Bayer.

Mas este foi apenas mais um caso, porque, em agosto/2009, a Anvisa já havia apreendido 950 mil litros de agrotóxicos adulterados e interditado a linha de produção de cinco agrotóxicos da empresa Iharabras S.A Indústria Química, integrante de um conglomerado japonês.

Antes disso operação simultânea da Anvisa e Polícia Federal apreendeu 2,5 milhões de litros de agrotóxico adulterado e interditou a linha de produção de cinco agrotóxicos da empresa Milenia Agrociencias S/A, filial do grupo israelense Makhteshim Agan.

Observem, nestes três casos mais recentes, que não estamos falando de laboratórios clandestinos ou ‘empresas de garagem’, mas de grandes multinacionais. Por aí imaginem o que se produz e adultera em estabelecimentos clandestinos.

A Anvisa, em abril/2008, divulgou o resultado do monitoramento de agrotóxicos em alimentos. O tomate, o morango e a alface foram os alimentos que apresentaram os maiores números de amostras irregulares referentes aos resíduos de agrotóxicos, durante o ano de 2007. Os dois problemas detectados na análise das amostras foram teores de resíduos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. Já a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com resíduos de agrotóxicos.

Fazendo um balanço deste criminoso e continuado envenenamento cotidiano uma excelente reportagem de Nilza Bellini, na Revista Problemas Brasileiros, nº 394, denunciou que o Brasil é campeão mundial de envenenamento e que os pesticidas intoxicam trabalhadores rurais e contaminam alimentos.

Bem, a lista de ‘desastres’ seria infinita e esta, creio, já é suficiente para uma rápida reflexão.

Aqui voltou à minha questão inicial: qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos? Quem arca com as consequências e quem realmente paga por isto?

Pagamos, com nossa saúde e nossas vidas, mais este ‘subsidio’ aos que dizem alimentar o mundo.

Sinceramente, não me sinto grato pelo ‘imenso favor’ de nos alimentarem. Alimentam, é fato, mas colocam o veneno à nossa mesa.


Fonte: EcoDebate

Alimentação natural, consistente e saudável

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011


Quando se fala em cannabis sativa no setor alimentício, estamos falando da sua semente. Na semente da cannabis não há THC. Entretanto, o que se encontra são substâncias extremamente saudáveis e até necessárias a nós humanos. A semente da cannabis é rica em proteínas e óleo, e neste último encontramos uma boa quantidade de ácidos graxos.

Ácidos graxos são considerados ácidos bons para o organismo, nutricionalmente essenciais, que não são produzidos naturalmente pelo corpo. Eles ajudam no metabolismo e estão associadados a redução do risco de doenças cardiovasculares e câncer.

Apesar de a semente da cannabis não ter tantas proteínas quanto a soja, ela possui uma gama de aminoácidos diferenciada que ajuda na digestão. O óleo da semente é também muito interessante, contendo aproximadamente 56% de Omega 6 (ácido linoléico), 20% de Omega 3 (ácido alfa linoléico) e 3% de ácido gamma-linoléico (AGL). O cânhamo é uma de duas plantas conhecidas por conter estes 3 nutrientes que são vitais às nossas vidas.

Quando comparado com a linhaça, que é comumente utilizada em cereais e ração humana, a semente de cânhamo apresenta vantagens, pois apesar de ambas conterem Omega 6 e Omega 3, a relação entre os dois que deve ser em media 4:1 (Omega 6:Omega 3), na linhaça encontramos 1:3 e na cannabis 3:1 além de possuir o ácido gamma-linoléico, sendo assim ela é uma semente perfeitamente balanceada.

Se você já ouviu falar em leite de soja, você não irá se impressionar que já existe leite de semente de cânhamo. A comercialização do leite de cânhamo é feita desde 2007 nos Estados Unidos, que importam sementes do Canadá, pela empresa Living Harvest, que também diz não estar satisfeita com a situação da proibição do cultivo da cannabis. Outra empresa norte-americana comercializa o que eles chamam de "hempzel" que nada mais é que um pretzel de cânhamo. No final de 2000 eles assinaram o termo que comprova que os seus produtos contem 0% de THC, confira a história da empresa.

As novidades com certeza não param por ai, após o leite de cânhamo, encontramos o achocolatado de cânhamo, barra de cereal, granola e muito mais por vir. Mais uma vez, não podemos cansar de falar, o Brasil está ficando para trás, e com certeza importará muitos produtos feitos a base de cânhamo antes mesmo de ter a chance de produzi-los em território nacional.

Para acessar a lista de matérias sobre as utilizações do cânhamo industrial acesse Opte pelo desenvolvimento sustentável, opte pelo cânhamo na indústria brasileira!.




Roupas de fibra de cânhamo pelo meio-ambiente e pela nossa saúde

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Uma das utilidades da fibra do cânhamo é no setor têxtil. Com a fibra natural mais longa e mais durável existente, o cânhamo é uma ótima alternativa na produção de roupas pois não degrada com o tempo, podendo ser lavada e mantendo-se nova. Afirma-se que quanto mais usada, mais confortável a roupa feita de cânhamo industrial fica.

O tecido do cânhamo absorve o calor, comprovando o seu conforto e bem-estar tanto em roupas para vestimenta quanto em roupas de cama. Roupas feitas de algodão duram anos menos que roupas feitas de cânhamo devido aos fatores citados acima, como a durabilidade da fibra. A roupa de cânhamo se adapta ao ambiente, por exemplo, quando está mais frio, o ar que fica preso nas suas fibras é esquentado pelo calor do corpo, mantendo a roupa quente.

Empresas no exterior já fazem uso da fibra do cânhamo, e esta tendência já está sendo seguida por diversos países, os Estados Unidos, percursores da repressão desde o início, hoje esbanjam do direito de produzir roupas e outros produtos derivados do cânhamo e antes que qualquer empresa brasileira tenha a chance de se adaptar a nova tendência, produtos já estão sendo importados para o Brasil, como o lançamento do Adidas Hemp e a linha de calçados da Osklen.

Mais uma vez o Brasil está ficando para trás, com a China sendo a maior exportadora de produtos derivados do cânhamo, entre diversos outros países. A pressão vem de todos os lados, e o Brasil próspero e progressista fica para trás. No exterior, a fibra de cânhamo já ficou conhecida como a "super-fibra" e já é usada por diversas empresas de peso como: Calvin Klein, Ralph Lauren, Giorgio Armani e The Body Shop.

O meio-ambiente agradeceria se a produção do cânhamo fosse legal no Brasil, visto que a cannabis sativa – planta de onde a fibra do cânhamo é retirada - é uma planta muito versátil, requer praticamente 0% de agrotóxicos, enquanto que mais de 25% dos pesticidas usados no mundo são usados na produção do cóton. A produção de cânhamo é tão rápida que em 4 meses a planta atinge de 1,80m a 3,60m produzindo uma media de 3 a 6 toneladas de fibra seca por hectare.

Muitos pesticidas usados na produção de cóton são considerados cancerígenos aos humanos. Em torno de 150g de pesticidas são necessários para produzir uma camiseta de cóton. Na busca de fatos, mencionamos os 250 mil peixes que morreram depois de uma enxente nos Estados Unidos em 1995, devido ao excessivo uso de pesticidas que deixaram vestígios no solo, e ainda assim nada é feito para melhorar.

Para acessar a lista de matérias sobre as utilizações do cânhamo industrial acesse Opte pelo desenvolvimento sustentável, opte pelo cânhamo na indústria brasileira!.


Fonte: Cabeça Ativa

 

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