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Quesito revolução: deeeez!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Recheados de simbolismo, os 2,5 mil integrantes da escola de samba catarinense União da Ilha da Magia levaram para avenida uma bateria fardada de guerrilheiros, um carro alegórico com a escultura de José Martí, um casal de porta-bandeiras ilustrando a amizade Cuba-União Soviética e toda uma aula de história ao ritmo de samba.

O sambódromo Nego Quirido viu desfilar o antes, o durante e o depois da Revolução Cubana. As primeiras dentre as 22 alas representavam o “Tio Sam” e o “Paraíso de ricos e milionários”. Um carro alegórico em forma de tanque de guerra, trazendo a bordo um sósia de Che Guevara ao lado da filha do revolucionário, Aleida Guevara, simbolizava a tomada do poder. Alas intituladas “Nacionalização das empresas estrangeiras”, “Reforma agrária”, “Saúde para todos”, “Indústria farmacêutica e biotecnologia”, “Esporte – conquista de medalhas”, “Educação para todos” (composta apenas por crianças), entre outras, trouxeram as conquistas da Revolução.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o presidente da União da Ilha da Magia, Valmir Braz de Souza, fala da relação da escola com a política e conta um pouco da trajetória da jovem agremiação – que tem apenas três anos – neste carnaval.

Brasil de Fato – Por que Cuba? Como surgiu a idéia de ter o país como centro do enredo?

Valmir Braz de Souza – Eu sou do movimento sindical, atualmente coordenador geral do Sindsprev/SC [Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal no Estado de Santa Catarina]. No ano passado participei da 14º brigada sul-americana de solidariedade ao povo cubano. Fiquei três semanas lá nesta brigada organizada pela associação José Martí. Era janeiro e a preparação para o carnaval estava no auge. Então, quando estava lá, com aquela musicalidade, com a recepção que tive, surgiu a idéia de propor Cuba para o enredo do ano seguinte [2011]. Eu não era presidente da escola, era diretor. Levei a idéia para a diretoria, discuti com o carnavalesco Jaime Cesário, que foi a Cuba, ficando duas semanas junto com o diretor de carnaval da escola, Joel Brito Júnior. Daí, gostamos do enredo que eles prepararam, a comunidade gostou e começamos a trabalhar. Desenho de fantasias, preparação dos carros. O concurso para escolher o samba foi inédito, tivemos seis sambas inscritos. Apresentamos o projeto para o cônsul cubano no Brasil, apresentamos para a embaixada em Brasília, e eles também gostaram.

Cuba financiou a escola?

Não, o enredo não foi comercializado. Há escolas que o vendem, nós não. A escola se paga com ensaios que fazemos durante o ano – que estavam sempre lotados –, com os produtos que vendemos da escola – vendemos mais de 5 mil camisetas feitas para o enredo deste ano – e com a venda de fantasias – todas foram vendidas e se tivéssemos mais mil, venderíamos também porque a procura foi enorme. Foi surpreendente a aceitação que a escola teve este ano e nós somos caçulas, temos só três anos, enquanto outras já têm 20, 30 anos. Além disso, também recebemos recurso público, através de um projeto que temos na Lei Rouanet e também porque aqui em Santa Catarina a liga de escolas ainda não é dona do carnaval, mas a prefeitura. A gente quer acabar com isso, mas existe uma verba do governo.

Como vocês foram tratados pela mídia, uma vez escolhido Cuba como tema para o enredo?

O Reinaldo Azevedo, da Veja, nos atacou em seu blog, que chegou a mais 800 comentários quando ele falou de nós. Fora o Azevedo, a maioria das reportagens foi favorável. Com a confirmação da vinda da Aleida Guevara [filha de Ernesto Che Guevara] para o desfile tivemos até mídia internacional. E quando fomos para a avenida já éramos considerados favoritos. Entramos bem, queríamos fazer um desfile técnico perfeito para não dar sustentação às críticas políticas. E fizemos um belíssimo carnaval.

Havia alguém de Cuba, além da Aleida Guevara, no desfile?

O cônsul de Cuba veio, mas para assistir ao desfile. Teve um cubano que mora em Salvador, na Bahia, que veio só para desfilar na escola.

A passagem da Aleida Guevara por Santa Catarina incluiu outras atividades além do desfile?

Ela participou de várias palestras, lotadas, sobre o dia da mulher, visitou o Hospital Infantil, ela que é médica, uma universidade pública, tudo junto ao movimento social e sindical de Santa Catarina. E desfilou muito bem. Até no desfile das campeãs ela desfilou. Interessante que ela sempre era perguntada pela imprensa sobre a homenagem que estava sendo feita ao pai dela e ela enfatizava que a homenagem era ao povo cubano. E essa era realmente a nossa idéia.

Vi o desfile na internet e a Aleida Guevara comentou durante a transmissão que havia militantes do MST no desfile. Tinha presença de muitos militantes?

Havia muita gente do movimento sindical e social, o prefeito de Brusque, do PT, um deputado estadual do PDT, um major da Polícia, um diretor da Defesa Civil, pessoas que foram atraídas pelo tema. Os militantes do MST estavam na arquibancada, com uma faixa, algo inédito em nosso carnaval.

Pode-se dizer que a escola é de esquerda?

Não. A única relação que a escola tem é que como eu sou dirigente sindical, sou do Psol, fui dirigente da associação de moradores. E quando eu estava lá, quando a escola ainda era um bloco, me pediram ajuda para fazer o carnaval no nosso bairro, a Lagoa. Depois fui convidado para ser da diretoria do bloco. Mas a escola não tem filiação partidária, eu tento separar isso, os outros diretores não são de partido.

Você vê na escola de samba uma forma de fazer política?

Sim, não tenho dúvida disso. Se me mandar sambar eu não vou saber. A gente ocupa um espaço numa comunidade, tem um espaço político muito grande, mas não é um espaço político partidário. O samba abre fronteiras para o espaço comum. E neste ano ajudamos a levar o tema de Cuba para outros espaços. Uma professora, que comentava o desfile na RBS, disse que a União da Ilha da Magia inovou e abriu um horizonte que não havia, trazendo para dentro do carnaval um tema da esquerda brasileira, que ela não via problema nisso, isso é importante. E é legal perceber também como o carnaval cresceu este ano no estado, atraindo mais público, escolas mais fortes, mais bonitas. E este carnaval consagrou o enredo que homenageia o povo cubano.

Vocês seguirão com temas políticos para o próximo carnaval?

Somos uma escola nova que não tem os vícios das escolas antigas, o que nos permite inovar. Mas ainda faremos um planejamento para 2012. Claro que com a repercussão de Cuba podemos ir para temas políticos, mas não é certo. Temos na história de Santa Catarina vários temas políticos, como A Novembrada, a República Juliana, o Contestado. Mas não quer dizer que seguiremos só com política.


*Valmir Braz de Souza, de 48 anos, é presidente da escola de samba União da Ilha da Magia, de Florianópolis (SC), e coordenador geral do Sindsprev/SC.

Por Vinicius Mansur ao Brasil de Fato




Florianópolis terá primeiro samba-enredo em homenagem a Cuba

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

União da Ilha da Magia traz pra avenida: “Cuba sim! Em nome da verdade".


Pela primeira vez no Brasil, uma escola de samba vai tratar do tema Cuba durante o desfile do Carnaval de 2011. A iniciativa é da União da Ilha da Magia e o samba-enredo é “Cuba sim! Em nome da verdade”.

Para o sucesso dessa empreitada, a escola já está desde maio do ano passado, através de ensaios reservados, se preparando para fazer bonito na Passarela do Samba Nego Quirido, local onde as escolas de samba da capital catarinense desfilam.

Os ensaios para o público começaram na primeira semana de dezembro do ano passado e acontecem todas sextas-feiras e domingos, a partir das 20 horas, na Praça Bento Silvério, da Lagoa da Conceição.

No domingo 16 de janeiro, a praça ficou pequena para abrigar todos os foliões, turistas e admiradores da escola. A noite teve ainda a apresentação da rainha de bateria, Catarina Andrade, do casal de mestre-sala e porta-bandeira, e de integrantes das alas das baianas e das passistas. Até mesmo os representantes da escola Consulado do Samba fizeram uma visita de cortesia.

Já estão agendados também dois ensaios técnicos na Passarela Nego Quirido antes do desfile: 22 de janeiro (sábado) e 19 de fevereiro (sábado) - nos dois dias às 20 horas. Esses ensaios servem para organizar as diversas alas entre si.

Está programado ainda um desfile-ensaio na Praça XV, no Centro de Florianópolis, no dia 23 de fevereiro (quarta-feira) para apresentar a escola, gratuitamente, para o público de Florianópolis.


Fotos: Babi Balbi


Samba-enredo: Cuba

A identidade com a Revolução Cubana é evidente em cada parte da escola, desde a música que conduz o samba-enredo até as fantasias, passando pelas camisetas de propaganda e o discurso em defesa da autodeterminação cubana.

Para desenvolver o tema, uma delegação da escola e da Associação Cultural José Martí de Santa Catarina visitaram Cuba em julho do ano passado para conhecer melhor o país e trocar experiências culturais com autoridades cubanas da área. O grupo conheceu museus, monumentos históricos e casas de shows.

Segundo o presidente da escola, Valmir Braz de Souza, um dos motivos da escolha do tema é a proximidade cultural entre Brasil e Cuba. "A alegria cubana e brasileira são muito parecidas", compara. Além disso, a diretoria da escola quer aproveitar a oportunidade para mostrar a realidade do país caribenho para o Brasil. O presidente também esteve em Cuba em janeiro de 2010, participando da Brigada de Solidariedade, quando teve oportunidade de conhecer de perto o país.

As 17 alas estão representando diversos momentos do período anterior e posterior à Revolução Cubana, em especial as conquistas e a cultura, como exemplo: Tio Sam; Ditadura comprometida; Paraíso de ricos e milionários; Sofrimento de muitos - o povo; Nacionalização das empresas estrangeiras; Saúde para todos; Reforma agrária; Esporte - conquista de medalhas; A pesca; Indústria farmacêutica e biotecnologia; A Santeria; O carnaval de Cuba; Cabaré tropicana; e Rumba - Música e Dança.

O sucesso do escola já ficou evidente durante a escolha do samba-enredo. Depois de escolhida a temática, a União da Ilha da Magia recebeu 28 propostas de sambas-enredo de todo país. No ano passado, foram apenas oito. Para se ter uma idéia, a carioca Estação Primeira de Mangueira, a maior escola do Brasil, recebeu menos de 20 propostas.

No barracão da escola, localizado em Palhoça, os carros alegóricos estão sendo preparados para surpreender o público que vai comparecer na passarela ou assistir pela televisão. Segundo o diretor de Carnaval, Joel Brigido da Costa Junior, as peças vão emocionar o público, principalmente aqueles que acreditam em um mundo diferente através da transformação social.

A escola

Formada no bairro Lagoa da Conceição, um dos principais pontos turísticos e tradicionais de Florianópolis, a União da Ilha da Magia é a mais nova escola da cidade. Em maio de 2011, comemora apenas três anos de vida. No Carnaval do ano passado, a União ficou em segundo lugar.

O financiamento da União é o mesmo que das demais escolas: patrocínio dos governos municipal e estadual. A diretoria também vai buscar apoio com a Lei Rouanet, através do Ministério da Cultura. Além disso, o desfile é financiado com a própria venda das fantasias, camisetas e com o dinheiro levantado com os ensaios.

O desfile

Cerca de 2.500 moradores da Lagoa da Conceição vão participar do desfile. Entre esses foliões também estão incluídos admidores da escola de outros bairros e até pessoas de outros Estados ligadas ao movimento de solidariedade à Cuba.

Todos esses integrantes, divididos em alas, vão ter apenas uma hora e vinte minutos para desfilar. Além de fazer de desenvolver uma temática inédita, a escola quer fazer um desfile tecnicamente primoroso - e vai brigar pelo título. De acordo com o presidente Valmir Braz, a ideia é não cometer erros para fazer um "desfile perfeito". Joel Brigido também promete empenho no quesito harmonia da escola.

Todos aqueles que defendem a autodeterminação de Cuba e os amantes da cultura e da liberdade estão convidados a participar, ou mesmo assistir, do desfile da União da Ilha da Magia.


Ouça:“Cuba sim! Em nome da verdade"


Baixe aqui o samba-enredo da União da Ilha da Magia

http://www.4shared.com/audio/HwKRYJR2/SAMBA_18_-_JLIO_MAESTRI_E_VINI.html

Cuba sim! Em nome da verdade


Compositores: Júlio Maestri e Vinícius da Imperatriz

Uma forte emoção,

No meu coração…

Liberdade!

Eu sou União

A voz de um povo pela igualdade

Sonhos… de um poeta ecoam no ar

Cuba… o desejo de se libertar

Conquistou a independência

Do Tio Sam sofreu influência

Momentos de luta estão na memória

Fidel e Che fizeram história

Me levam na busca por um ideal

Que vai embalar, nosso carnaval!

Guerreiros unidos na Revolução

Pelo bem de uma Nação

Um preço a pagar, não vou negar

Mas a Comunidade em primeiro lugar

Os sonhos se tornam verdade

Trazendo pra muitos a felicidade

Com saúde, educação

A base pra um cidadão

Esporte, cultura, na arte… mistura

Riqueza, o Mundo se encantou

No Cabaré Tropicana,

Carmem Miranda deu um show!

Ilha de pura Magia

Vem sambar…

Verde, Branco e Ouro

Na Avenida vai brilhar


Por Alexandre Brandão ao Brasil de Fato

Fusil contra Fusil - Silvio Rodriguez

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011




Abaixo a música Fusil contra Fusil, uma homenagem do músico, poeta e compositor cubano Silvio Rodriguez ao grande ídolo e inspiração de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro Ernesto CHE Guevara.

Hasta la victoria siempre!





Letra:

Fusil Contra Fusil

El silencio del monte va
preparando su adiós
la palabra que se dirá
in memoriam será la explosión.
Se perdió el nombre de este siglo allí
su nombre y su apellido son:
fusil contra fusil.

Se quebró la cáscara del viento al sur
y sobre la primera cruz
despierta la verdad.

Todo el mundo tercero va
a enterrar su dolor
con granizo de plomo harán
su agujero de honor, su canción.

Dejarán el cuerpo de la vida allí
su nombre y su apellido son:
fusil contra fusil
cantaran su luto de hombre y de animal
y en vez de lágrimas echar
con plomo lloraran
Alzará al hombre de la tumba al sol
y el nombre se repartirán
fusil contra fusil
fusil contra fusil.


Médicos cubanos no Haiti deixam o mundo envergonhado

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Eles são os verdadeiros heróis do desastre do terremoto no Haiti, a catástrofe humana na porta da América, a qual Barack Obama prometeu uma monumental missão humanitária dos EUA para aliviar. Esses heróis são da nação arqui-inimiga dos Estados Unidos, Cuba, cujos médicos e enfermeiros deixaram os esforços dos EUA envergonhados.

Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, rasgado por terremotos e infectado com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que ganhou muitos amigos para o Estado socialista, mas pouco reconhecimento internacional.

Marcello Casal Jr/ABr

O consumo de água não potável provocou uma epidemia de cólera no Haiti, deixando mais de mil mortos

Observadores do terremoto no Haiti poderiam ser perdoados por pensar operações de agências de ajuda internacional e por os deixarem sozinhos na luta contra a devastação que matou 250.000 pessoas e deixou cerca de 1,5 milhões de desabrigados. De fato, trabalhadores da saúde cubanos estão no Haiti desde 1998, quando um forte terremoto atingiu o país. E em meio a fanfarra e publicidade em torno da chegada de ajuda dos EUA e do Reino Unido, centenas de médicos, enfermeiros e terapeutas cubanos chegaram discretamente. A maioria dos países foi embora em dois meses, novamente deixando os cubanos e os Médicos Sem Fronteiras como os principais prestadores de cuidados para a ilha caribenha.

Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera. Um outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastre e em emergência, chegou recentemente, deixando claro que o Haiti está se esforçando para lidar com a epidemia que já matou centenas de pessoas.

Desde 1998, Cuba treinou 550 médicos haitianos gratuitamente na Escola Latinoamericana de Medicina em Cuba (Elam), um dos programas médicos mais radicais do país. Outros 400 estão sendo treinados na escola, que oferece ensino gratuito - incluindo livros gratuitos e um pouco de dinheiro para gastar - para qualquer pessoa suficientemente qualificada e que não pode pagar para estudar Medicina em seu próprio país.

John Kirk é um professor de Estudos Latino-Americanos na Universidade Dalhousie, no Canadá, que pesquisa equipes médicas internacionais de Cuba. Ele disse: "A contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado.".

Esta tradição remonta a 1960, quando Cuba enviou um punhado de médicos para o Chile, atingido por um forte terremoto, seguido por uma equipe de 50 a Argélia em 1963. Isso foi apenas quatro anos depois da Revolução.

Os médicos itinerantes têm servido como uma arma extremamente útil da política externa e econômica do governo, gahando amigos e favores em todo o globo. O programa mais conhecido é a "Operação Milagre", que começou com os oftalmologistas tratando os portadores de catarata em aldeias pobres venezuelanos em troca de petróleo. Esta iniciativa tem restaurado a visão de 1,8 milhões de pessoas em 35 países, incluindo o de Mario Terán, o sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.

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A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos norteamericanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última a sair seis meses depois.

A Constituição de Cuba estabelece a obrigação de ajudar os países em pior situação, quando possível, mas a solidariedade internacional não é a única razão, segundo o professor Kirk. "Isso permite que os médicos cubanos, que são terrivelmente mal pagos, possam ganhar dinheiro extra no estrangeiro e aprender mais sobre as doenças e condições que apenas estudaram. É também uma obsessão de Fidel e ele ganha votos na ONU."

Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com 10.000 trabalhadores de saúde, estão atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas em casa, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra.

Onde quer que sejam convidados, os cubanos implementam o seu modelo de prevenção com foco global, visitando famílias em casa, com monitoração proativa de saúde materna e infantil. Isso produziu "resultados impressionantes" em partes de El Salvador, Honduras e Guatemala, e redução das taxas de mortalidade infantil e materna, redução de doenças infecciosas e deixando para trás uma melhor formação dos trabalhadores de saúde locais, de acordo com a pesquisa do professor Kirk.

A formação médica em Cuba dura seis anos - um ano mais do que no Reino Unido - após o qual todos trabalham após a graduação como um médico de família por três anos no mínimo. Trabalhando ao lado de uma enfermeira, o médico de família cuida de 150 a 200 famílias na comunidade em que vive.

Este modelo ajudou Cuba a alcançar alguns índices invejáveis de melhoria em saúde no mundo, apesar de gastar apenas $ 400 (£ 260) por pessoa no ano passado em comparação com $ 3.000 (£ 1.950) no Reino Unido e $ 7.500 (£ 4,900) nos EUA, de acordo com Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento.

A taxa de mortalidade infantil, um dos índices mais confiáveis da saúde de uma nação, é de 4,8 por mil nascidos vivos - comparável com a Grã-Bretanha e menor do que os EUA. Apenas 5% dos bebês nascem com baixo peso ao nascer, um fator crucial para a saúde a longo prazo, e a mortalidade materna é a mais baixa da América Latina, mostram os números da Organização Mundial de Saúde.

As policlínicas de Cuba, abertas 24 horas por dia para emergências e cuidados especializados, é um degrau a partir do médico de família. Cada uma prevê 15.000 a 35.000 pacientes por meio de um grupo de consultores em tempo integral, assim como os médicos de visita, garantindo que a maioria dos cuidados médicos são prestados na comunidade.

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Imti Choonara, um pediatra de Derby, lidera uma delegação de profissionais de saúde internacionais, em oficinas anuais na terceira maior cidade de Cuba, Camagüey. "A saúde em Cuba é fenomenal, e a chave é o médico de família, que é muito mais pró-ativo, e cujo foco é a prevenção. A ironia é que os cubanos vieram ao Reino Unido após a revolução para ver como o HNS [Serviço Nacional de Saúde] funcionava. Eles levaram de volta o que viram, refinaram e desenvolveram ainda mais, enquanto isso estamos nos movendo em direção ao modelo dos EUA ", disse o professor Choonara.

A política, inevitavelmente, penetra muitos aspectos da saúde cubana. Todos os anos os hospitais produzem uma lista de medicamentos e equipamentos que têm sido incapazes de acesso por causa do embargo americano, o qual que muitas empresas dos EUA de negociar com Cuba, e convence outros países a seguir o exemplo. O relatório 2009/10 inclui medicamentos para o câncer infantil, HIV e artrite, alguns anestésicos, bem como produtos químicos necessários para o diagnóstico de infecções e órgãos da loja. Farmácias em Cuba são caracterizados por longas filas e estantes com muitos vazios. Em parte, isso se deve ao fato de que eles estocam apenas marcas genéricas.

Antonio Fernandez, do Ministério da Saúde Pública, disse: "Nós fazemos 80% dos medicamentos que usamos. O resto nós importamos da China, da antiga União Soviética, da Europa - de quem vender para nós - mas isso é muito caro por causa das distâncias."

Em geral, os cubanos são imensamente orgulhosos e apóiam a contribuição no Haiti e outros países pobres, encantados por conquistar mais espaço no cenário internacional. No entanto, algumas pessoas queixam-se da espera para ver o seu médico, pois muitos estão trabalhando no exterior. E, como todas as commodities em Cuba, os medicamentos estão disponíveis no mercado negro para aqueles dispostos a arriscar grandes multas se forem pegos comprando ou vendendo.

As viagens internacionais estão além do alcance da maioria dos cubanos, mas os médicos e enfermeiros qualificados estão entre os proibidos de deixar o país por cinco anos após a graduação, salvo como parte de uma equipe médica oficial.

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Como todo mundo, os profissionais de saúde ganham salários miseráveis em torno de 20 dólares (£ 13) por mês. Assim, contrariamente às contas oficiais, a corrupção existe no sistema hospitalar, o que significa que alguns médicos e até hospitais, estão fora dos limites a menos que o paciente possa oferecer alguma coisa, talvez almoçar ou alguns pesos, para tratamento preferencial.

Empresas internacionais de Cuba na área da saúde estão se tornando cada vez mais estratégicas. No mês passado, funcionários mantiveram conversações com o Brasil sobre o desenvolvimento do sistema de saúde pública no Haiti, que o Brasil e a Venezuela concordaram em ajudar a financiar.

A formação médica é outro exemplo. Existem atualmente 8.281 alunos de mais de 30 países matriculados na Elam, que no mês passado comemorou o seu 11 º aniversário. O governo espera transmitir um senso de responsabilidade social para os alunos, na esperança de que eles vão trabalhar dentro de suas próprias comunidades pobres pelo menos cinco anos.

Damien Joel Soares, 27 anos, estudante de segundo ano de New Jersey, é um dos 171 estudantes norte-americanos; 47 já se formaram. Ele rejeita as alegações de que Elam é parte da máquina de propaganda cubana. "É claro que Che é um herói, mas aqui isso não é forçado garganta abaixo."

Outros 49.000 alunos estão matriculados no "Novo Programa de Formação de Médicos Latino-americanos", a ideia de Fidel Castro e Hugo Chávez, que prometeu em 2005 formar 100 mil médicos para o continente. O curso é muito mais prático, e os críticos questionam a qualidade da formação.

O professor Kirk discorda: "A abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum."

Há nove milhões de haitianos que provavelmente concordariam.


*Traduzido pela Carta Maior
Fonte: OperaMundi

Cuba registra taxa mais baixa da história de mortalidade infantil

terça-feira, 4 de janeiro de 2011


Cuba mortalidade 1Mortalidade infantil ficou em 4,5 no ano de 2010,
menor que os 4,8 de 2009. (Foto: STR / AFP Photo)

Cuba fechou 2010 com uma taxa de mortalidade infantil de 4,5 por 1.000 nascidos vivos, a mais baixa de sua história, o que posiciona o país como melhor no lugar da América quanto a esse indicador, afirmou nesta segunda-feira (3) o jornal oficial Granma.

"A taxa alcançada em 2010 - sem precedentes em Cuba - é a confirmação de um colossal esforço de um país pobre e criminalmente bloqueado (pelo embargo dos Estados Unidos), que conseguiu reduzir a mortalidade infantil", diz o jornal na primeira página.

A taxa de mortalidade infantil em Cuba, em 2009, registrou 4,8 por 1.000 nascidos vivos, segundo os dados oficiais. Informes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) situam Cuba com taxas de mortalidade semelhantes às do Canadá, numa situação melhor que a dos Estados Unidos.

Em 2010, foram registrados 127.710 nascimentos na Ilha - de 11,2 milhões de habitantes -, uma diminuição da natalidade de 2.326 na comparação com 2009. Cuba dedica mais de 60% de seu orçamento à educação e à saúde - que são gratuitos desde a vitória da revolução de 1959.


Fonte: G1

Revolução cubana se move criticamente sobre si mesma

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Em 2011 se completarão 30 anos da minha primeira visita a Cuba. Eu trabalhava no Brasil com o método de Paulo Freire. Queria trazer a Cuba essa contribuição, estava convencido da importância política da metodologia da educação popular. Quando cheguei, havia preconceitos não só para com esta metodologia, mas também em relação à figura de Freire. Seu primeiro livro tinha causado certo receio entre os companheiros do Partido Comunista de Cuba.

Um marxista cristão, soava então contraditório: o marxismo era considerado uma fé e não se podia ter duas.

Então propus em Havana um Encontro Latino-Americano de Educação Popular. Os cubanos prepararam tudo; mas no encontro não havia nem um cubano. Dois anos depois, consegui que a Casa das Américas organizasse um segundo encontro. Vários cubanos compareceram como meros assistentes, diziam que em Cuba tudo era educação popular e não havia necessidade de ter uma equipe para isso. No terceiro encontro, a participação cubana já foi ativa. Assim surgiu a equipe do Centro Martin Luther King.

Mas Paulo Freire não é o primeiro latino-americano a falar dessa metodologia. Para fazer justiça com a história, o primeiro que praticou educação popular foi José Martí. Martí dizia que era necessário levar os professores aos campos. E com eles, a ternura que faz falta aos homens. Seguramente o Che tinha lido essa frase quando disse que havia que endurecer, mas sem perder a ternura. Para Martí, “popular” não o era no sentido de pobre, mas de povo. A distinção rígida que se aplicava na Europa entre classe operária e burguesia, não se aplicava à América Latina. A luta aqui era entre aqueles que lutavam pela justiça e aqueles que tentavam manter a injustiça. Tudo não se explica por origem de classe. Se todos os pobres fossem revolucionários, não haveria capitalismo na América Latina.

Talvez vocês não saibam que é um fato biológico que as águias podem viver 70 anos no máximo. Mas quando chegam aos 30 ou 40, propendem à morte porque suas garras e seu bico já não são fortes para destruir as carnes com que se alimentam. E quando sentem que podem morrer, voam para o alto de uma montanha e arrancam as próprias garras e o bico. Esperam meses ali, até que voltem a nascer. Assim vivem outros 30 ou 40 anos mais. Hoje, a águia é Cuba. Digo-o porque acabo de ler os Lineamentos para o 6º Congresso do Partido Comunista: a Revolução Cubana tem a capacidade de mover-se criticamente sobre si mesma para sair adiante. Suas redes de educação popular têm muita importância nisso.

Assisti muito de perto a queda do Muro (de Berlim) e hoje muitos se perguntam: como é possível que depois de 70 anos de socialismo, a Rússia seja um país conhecido pela extrema corrupção? Algo não funcionou: o socialismo cometeu ali o erro de construir uma casa nova sem saber fazer novos habitantes. Não se fazem homens e mulheres automaticamente. Os que nascem numa sociedade socialista, não nascem necessariamente socialistas. Todo bebê é um capitalista exemplar: só pensa en si mesmo. O socialismo é o homem político do amor. E o amor é uma produção cultural. Seu objetivo final é criar uma comunidade amorosa entre si e o mundo. Às vezes olvidamos um princípio marxista. Eu, frade, fui professor de marxismo e não é a única contradição de minha vida. O ser humano não é mecânico. Há duas coisas que não podem ser previstas matematicamente: o movimento dos átomos e o comportamento humano.

O trabalho político deve ir para cada um dos homens. Por isso a Revolução Cubana resiste, porque não é uma peruca que vai de cima para baixo, mas um cabelo que cresce de baixo para cima. Aqui houve uma revolução de caráter eminentemente popular. A vitória estratégica, de Fidel, não fala de educação popular; mas se fez.

Termino com uma parábola: havia um homem muito formado ideologicamente, poderoso em seu sistema; mas muito infeliz. Saiu pelo mundo na busca da felicidade. Chegou a um país árabe – onde se dão sempre as boas lendas – e quis comprá-la em seus mercados. Disseram-lhe que essa mercadoria não existia, mas por um jovem soube de uma tenda no deserto onde podia encontrá-la. Saiu em sua caravana de camelos, atravessou o deserto e viu a tenda com um cartaz que dizia: “aqui se encontra a felicidade”. Disse à vendedora: “diga-me quanto custa”. E ela respondeu: “não, senhor, aqui não vendemos felicidade, aqui a damos gratuitamente”. E lhe trouxe uma pequena caixa de fósforos com três pequenas sementes: a semente da solidariedade, a da generosidade e a do companheirismo. “Cultive-as – disse – e será feliz”. Muito obrigado.


Por Frei Beto ao Brasil de Fato

Fidel, “ressuscitado”, pede que “mundo de loucos” evite guerra nuclear

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fidel, “ressuscitado”, pede que “mundo de loucos” evite guerra nuclear

Líder cubano Fidel Castro, em foto divulgada pelo site Cubadebate, em conversa com o diretora do jornal mexicano "La Jornada" (Foto: Revolution Studios/Cubadebate/Handout/Reuters)

O líder cubano Fidel Castro concedeu entrevista ao diário La Jornada, do México, sobre sua recuperação física e os rumos do mundo. Na conversa de cinco horas, publicada na edição desta segunda-feira (30), o ex-presidente afirma que está se recuperando aos poucos e comemora o fato de, naquele dia, ter dado 600 passos sem auxílios.




“Minha doença não é nenhum segredo de Estado”, afirma, para adiante acrescentar: “Cheguei a estar morto (…) Eu já não tinha aspiração de viver, nem muito menos... Me perguntei várias vezes se essa gente (os médicos) ia me deixar viver nessas condições ou se me permitiriam morrer.”

Fidel chegou a pesar pouco mais de 60 quilos graças ao agravamento de seu quadro de saúde, composto por diverticulite e alguns acidentes. “Quero te dizer que está ante uma espécie de ressuscitado”, afirma à repórter Carmen Lira Saade, que perguntou com o que Fidel tinha se deparado quando ressuscitou. A resposta foi forte: “Com um mundo de loucos... Um mundo que aparece todos os dias na televisão, nos jornais, e que não há quem entenda, mas que eu não gostaria de perder por nada neste mundo.”

Nuclear

Fidel está certo de que o mundo corre o risco de uma catástrofe nuclear. Ele aponta que o episódio mais claro é o do Irã, acusado o tempo todo pelos Estados Unidos de tentar a fabricação de armas nucleares. O governo de Mahdmoud Ahmadinejad aceitou todas as condições apresentadas na negociação intermediada pelo Brasil, mas o Departamento de Estado da Casa Branca conseguiu aprovar no Conselho de Segurança das Nações Unidas uma nova rodada de sanções contra a nação asiática.

“A princípio pensei que o ataque nuclear se daria sobre a Coreia do Norte, mas rapidamente retifiquei isso porque ponderei que isso seria parado pela China com veto no Conselho de Segurança.” Por isso, Fidel acredita que é preciso convocar a uma concertação global para evitar o problema e cobra que todos sejam racionais. “Temos que mobilizar o mundo para persuadir Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, a evitar a guerra nuclear. Ele é o único que pode, ou não, apertar o botão.”

Democracia

O ex-presidente negou que exista censura sobre a população da ilha. Ele argumentou que a comunicação é fundamental e elogiou as possibilidades abertas pela internet. Fidel aponta que não há conexão de banda larga na ilha devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que além de impor dificuldades tecnológicas, torna muito caro o pagamento do serviço. “Cuba se vê obrigada, em função disso, a baixar o sinal de um satélite, o que encarece muito mais o serviço que o governo cubano tem de pagar.” A questão, segundo ele, será resolvida em breve por meio uma parceria com a Venezuela.


Rede Brasil Atual

Sacrifícios de atualização econômica marcam 1º de Maio em Cuba

domingo, 2 de maio de 2010

Cuba comemorou neste sábado um 1º de Maio marcado pela convocação para apoiar a "atualização" de seu modelo econômico com o alerta de que essa "batalha" exigirá "esforços e sacrifícios extraordinários".

Mais uma vez, a Praça da Revolução de Havana recebeu o ato central pelo Dia dos Trabalhadores com um desfile do qual participaram dezenas de milhares de cubanos para rejeitar a "ingerência" e as "mentiras" dos Estados Unidos e da União Europeia (UE) contra a ilha.

Vestido com uma camisa branca e protegido do sol por um chapéu de palha, o presidente cubano, Raúl Castro, liderou o ato, que pelo quarto ano consecutivo não teve a presença de seu irmão Fidel, afastado da vida pública desde 2006.

Como nos últimos anos, Raúl Castro não falou e o único discurso foi o de Salvador Valdés, secretário-geral da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC, sindicato único).

O dirigente sindical exortou todos os cubanos a apoiar a "atualização" do modelo econômico socialista anunciada por Raúl Castro e avisou que o desafio exigiria "esforços e sacrifícios extraordinários".

Valdés destacou que "a reordenação institucional e laboral" afeta todos, que é necessário "compartilhar carências" e se esforçar para vencê-las e que, definitivamente, a "batalha econômica" é uma "tarefa vital" para preservar o sistema social cubano.

Imersa em uma profunda crise econômica e uma aguda falta de liquidez, Cuba chegou a este 1º de Maio com a advertência feita por Raúl Castro no começo de abril de que há um excedente de um milhão de funcionários na máquina pública e que seu Governo não pode manter subsídios "excessivamente paternalistas".

Junto às considerações econômicas, o Dia dos Trabalhadores em Cuba serviu também para responder às críticas internacionais recebidas pelo Governo local em relação à situação dos direitos humanos na ilha.

Salvador Valdés comentou que a celebração de hoje é uma "enérgica e firme resposta aos que, a partir dos centros de poder dos EUA e da UE, secundados por mercenários internos, tentam desacreditar" Cuba com "calúnias, fruto de seu ódio ancestral".

Após suas palavras, teve início o desfile na Praça da Revolução, aberto por um bloco de centenas de jovens e estudantes uniformizados que carregavam um cartaz com o lema "Unidos pelo Dever" e que gritavam "Fidel".

A maioria dos cubanos compareceu à praça vestindo camisetas vermelhas e muitos com retratos de Che Guevara, dos irmãos Castro e cartazes que diziam "Viva Cuba Livre", "Unidos Com a Pátria" e "Fiéis às Ideias".

Como a cada ano, o desfile reuniu bonecos de carnaval, o som de tambores e trombetas da conga cubana, além de dezenas de acessórios gigantes em representação dos diferentes setores sindicais.

Julián Benítez, um operário cubano de 57 anos, disse à Agência Efe que o 1º de Maio sempre foi uma festa na ilha e que o anúncio de Raúl Castro de que um milhão de trabalhadores estão sobrando dentro do Estado "não tira o sono de ninguém".

"Nesta revolução ninguém nunca ficou desamparado, e isso não vai acontecer agora", afirmou Benítez.

Michel, estudante de Direito de 27 anos, declarou à Efe que assistiu ao desfile por "curiosidade", porque há três anos não participava e queria "ver o real amor do povo pela revolução".

Yeisis, venezuelana de 21 anos, afirmou que esperava "mais agitação, mas é uma simples caminhada" e que a comemoração foi "menos interessante que o esperado".

"Esta é a manifestação mais importante realizada neste dia no mundo todo, sem dúvida", assegurou o espanhol Ángel Crespo, secretário-geral do sindicato Comissões Operárias de Barcelona.

Para Diane, uma americana que viajou para Havana junto com outros sete colegas do sindicato da saúde de Nova York, estar em Havana hoje foi "uma confirmação pessoal contra a propaganda" divulgada em seu país sobre Cuba.

"Queria ver eu mesma a resposta do povo, a multidão. Eu acredito na revolução", explicou Diane, que conseguiu de Washington a "licença" necessária aos americanos para viajar à ilha, uma das restrições do embargo econômico dos EUA contra Cuba.

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fonte: EFE

Em entrevista, blogueira Yoani Sánchez não explica suas contradições

domingo, 25 de abril de 2010

Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob's (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time(2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama. Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time(2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicanaGato Pardofez o mesmo para 2008.


Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos - segundo a própria blogueira - pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?


Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.


O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da "polícia política". Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX.

Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.

Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação.

Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar a instauração de um "capitalismo sui generis" em Cuba.

A entrevista traduzida está dividida em três partes:



Na segunda parte da entrevista concedida ao jornalista francês Salim Lamrani, a dissidente cubana Yoani Sánchez, dona do blog Generación Y, relata os motivos que a levaram a deixar a Suíça, onde viveu por dois anos, para regressar à Cuba. Segundo ela, as saudades da família e a culpa por usufruir de sapatos e da internet no exterior a fizeram voltar para a ilha caribenha.


Na terceira e última parte da entrevista feita pelo jornalista francês Salim Lamrani com a blogueira Yoani Sánchez, a entrevistada fala de sua relação com o presidente Barack Obama, que recentemente respondeu - por "sorte" - a perguntas da cubana, da insistência de Washington em manter o embargo econômico contra Cuba e do sucesso de seu blog, Generación Y. " Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão", disse.

*Entrevista (em espanhol) completa para Download aqui.



Fonte: OperaMundi, kaosenlared




 

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