Ecodebate

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Agroquímicos: Os venenos continuam à nossa mesa

Música

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Kansas - Dust in the Wind

Reflexão...

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César Chávez

Filme

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Waiting for Superman

Exhausted - False Lies

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A música a seguir trata das mentiras que são diariamente contadas e que em sua soma fazem com que jovens soldados acreditem ter um papel heróico na guerra imperialista.

Não encontrei a letra da música, porem, abaixo colocarei parte da descrição do vídeo feita pelos seus produtores.




Ao fazer o vídeo, os produtores queriam trazer o significado da música para uma narrativa de proporções épicas. Na época, a Guerra do Iraque tinha oficialmente "acabado", mesmo com os conflitos ativos. Com o vídeo, demonstra-se o quão desinformadas, alienadas, cegas, e traídas, muitas pessoas se sentem quando seu país vai à guerra.

Still from The War video

FALSE LIES
Director, Producer, Writer, Animator, Editor and Compostor: Dan Hartney; Director, Producer, Writer, Animator and Modeller: Ben Tiefholz; Director, Techical Director, Animator and Modeller: Brad May; Production House: Animators At Large

Estréia com exemplo de austeridade

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011



O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, com 18,95% dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa.



Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600.

Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.



“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.



visto e retirado do Jornal da Comunidade

5º ato contra o aumento da tarifa de ônibus

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


No começo do ano, nosso "ilustríssimo" prefeito Gilberto Kassab, junto ao Secretario de Transportes resolveram aumentar a tarifa de ônibus para R$ 3,00; o dobro do que a inflação monetário propunha.

Tomada essa medida, a maioria da população continuou sua rotina normalmente, despreocupados, indiferentes, seguindo suas rotinas, vestindo seus cabrestos, impotentes politicamente, pagando qualquer que seja o preço. Esse aumento abusivo passou despercebido para a maioria dos cidadãos paulistanos que curiosamente se utilizam do transporte público em grande maioria. Lesada por um governo corrupto, a população alienana pouco se importou com os absurdos TRÊS reais cobrados por algo que é de obrigação governamental assegurado por lei.

Contudo, agindo fora do senso comum, diferentemente da grande maioria usuária das redes de transporte metropolitano, um pequeno grupo de estudantes que também se utilizam das conduções resolveram protestar contra o aumento, reuniram-se e no velho centro da cidade, cerca de 800 jovens realizaram o primeiro ato que foi duramente (covardemente, para ser sincero) repreendido pela Polícia Militar, gerando tumulto, pessoas presas e feridos por tiros de borracha a queima roupa. Diferente do que a elite burguesa pensava, a ação violenta dos pm's não acovardou o movimento, que, ainda em defesa de seu direito por transporte barato e de boa qualidade, convocou o segundo ato, agora na Avenida Paulista que repercutiu de forma mais acentuada, juntando aproximados 3 mil manifestantes. (dessa vez a passeata foi pacífica, sem covardia por parte da polícia)

Ganhando forças, o movimento chegou ao seu terceiro ato, novamente no centro velho de SP, em frente ao teatro municipal, onde um incrível numero de 4,5 mil pessoas unidas se manifestaram contra a tarifa. Era evidente que aquele número, significativo para uma passeata despertou olhares e atenções, e, no final daquele dia o Presidente da Câmara Municipal conversou com o representante do MPL (Movimento Passe Livre) e discutiu a idéia de convocar uma audiência pública com o secretário dos transportes a fim de discutir o aumento.

Na semana seguinte, houve a quarta passeata, que por sua vez se concentrou no vão livre do masp e seguiu para a prefeitura. Um número de manifestantes aproximadamente igual ao do ato anterior foi atingido, mostrando a força e a vontade do jovem de fazer mudanças no que de fato está errado.

Convocamos agora, para essa quinta-feira 10/02 todos os leitores a participar do 5º ATO CONTRA O AUMENTO DA TARIFA DE ÔNIBUS. Que se fará realizado em frente ao Teatro Municipal às 17h. Compareçam, mostremos a força da juventude, nossa sede de mudanças, nossa vontade de fazer justiça e corrigir as roubalheiras frequentes por parte de nossos tão chamados "representantes políticos". Seja a mudança que deseja ver no mundo, ainda mais agora que um aumento na tarifa das linhas de metrô também foi aprovado e validará a partir de domingo (veja aqui).


"Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem". Rosa Luxemburgo

Somos todos malabaristas de farol

domingo, 6 de fevereiro de 2011


“Essa é sua vida, e está terminando a cada minuto”, você acorda no carro, preso no trânsito, exposto ao calor intenso do litoral, esperando pacientemente pela troca de cores do semáforo. Olha pra esquerda e vê um garoto, de aproximados 10 anos de idade, sem camiseta, sem chinelos, apenas uma bermuda cobrindo seu corpo magro e moreno. Seu rosto não expressa nada, não transmite nada, apenas te olha, fixamente e vai a sua direção.


Com seus pequenos pés descalços ele anda até a frente do carro, suas mãos seguram malabares, com os quais ele tentará ali, naqueles poucos segundos ganhar uma moeda, uma nota, mas, provavelmente ganhará um “não tenho nada, meu filho”. Num gesto quase que mecânico, automático, de quem não faz aquilo por diversão, mas sim pela ânsia de sobreviver ele inicia os movimentos, uma peça de cada vez, até tê-las todas no ar, girando, equilibrando por um curto espaço de tempo, torcendo para que o motorista se impressione com sua habilidade, ou, o mais provável, dê-lhe dinheiro para que ele saia de lá logo.


Ele termina seu trabalho, se aproxima do carro, de vidros fechados que resguarda um refrescante ar condicionado, luxo para poucos, no meio daquele calor úmido e desgastante. Pelo vidro é possível ver seus olhos verdes, contrastantes com sua pele morena e seu cabelo enrolado, marcas profundas da miscigenação brasileira, a qual aquela criança foi exposta, fruto não só de heranças físicas, mas também herdeiro da pobreza e da desigualdade.


O vidro se abre, o motorista indaga o que o menino quer. Prontamente ele responde: “dinheiro!”. Ah, o dinheiro! A palavra mágica, a poderosa máquina de deturpar mentes, mover barreiras e gerar intrigas. Nada mais justo do que presentear o garoto com aquelas poucas moedas, troco de alguma compra que ficaram ali, no carro, exatamente para uma situação como essa. Num mundo onde tudo é lucro, tudo se compra, e nada é de graça, outra resposta vinda daquele menino seria no mínimo inusitada. As moedas passam da mão do motorista para aquela pequena mão, suja e áspera, marcada pelo trabalho, pela ausência de diversão.


De sua boca ressecada, ele pronuncia um agradecimento rápido e tímido, e eu, consigo olhar por uma última vez aqueles olhos marcantes, sinceros e tristes, antes que a pequena criança vire as costas e corra na direção de outros 5 jovens, trajados da mesma forma que ele, semelhantes fisicamente e também marcados como alvos da desigualdade.


É exatamente ai, nesse ponto, que me dou conta que somos todos malabaristas de farol, estamos todos seminus, expostos, vítimas do sistema que nos obriga a ser o que querem que sejamos. Nossos malabares são nossos amigos, nossos sonhos, nosso caráter, que estão em jogo, sendo apostados, podendo cair e se perder. Arriscamos pessoas que amamos, nossos objetivos pessoais, nossos sonhos de igualdade, nossa luta por justiça, nossa dignidade para ter dinheiro. Somos uma geração de caçadores de recompensa, sedentos por “ser alguém” dentro do mundo corporativo, por ser reconhecido profissionalmente num lixo de emprego que talvez nem gostemos, mas que provavelmente será necessário para nos adequar ao mundo capitalista e não nos tornar igual a aquele menino, e seu incerto trabalho nos semáforos das cidades. No final das contas, todos morreremos, e todas as nossas “realizações profissionais” serão apagadas da história, nem seu chefe, nem seu subordinado se lembrará de você, sua vida passageira termina e você se torna somente sombra e pó, nada mais.


Essa epifania serviu pra entender que somente realizações sociais, ativismo político, luta por mudanças fica marcado. As pessoas (as boas pessoas) se lembrarão de você por quem você foi e como agiu, e não pelo quanto de dinheiro tinha no bolso. A questão que fica é: Sendo malabaristas de farol, o que passa em nossas mentes, o que estamos dispostos a fazer se o motorista nos nega dinheiro? Até onde somos capazes de ir para ter o “precioso”.


“Você não é o seu trabalho. Você não é quanto dinheiro tem no banco. Você não é o carro que dirige. Você não é o conteúdo de sua carteira. Você não é nem o lixo das suas calças. Você é a merda ambulante do mundo”.

Não trabalhe.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

           Nesse mês de Janeiro eu decidi trabalhar. Queria ver como é acordar com a cidade e seguir a rotina daqueles que estão mantendo a sobrevivência. Queria ver como é ter meu próprio dinheiro, não importando a quantidade, apenas que seja meu, e não do meu pai. Não queria ser igual meus amigos, malandros que iam dormir na alta madrugada e acordavam na baixa tarde. Não queria ser igual aqueles que reclamam dos problemas políticos e sociais e não pegam no batente, seja lá o que isso significa. Eu queria contato, queria pisar no asfalto. Mas na verdade, eles não perdem muita coisa.
            Ou as pessoas realmente acordam para trabalhar, ou ainda estão completamente dormindo... tudo o que elas falam enquanto trabalham, é sobre o trabalho. A impressão que tive, era que todo dia era o primeiro dia de trabalho. A “necessidade” das pessoas desabafarem seu cansaço é irritante. Todos os dias, eu ouvia os mesmos suspiros, as mesmas exclamações, os mesmos “aiai”, sendo que nada doía. Ninguém realmente sente dor, ou realmente está cansado. Quem realmente sente um dos dois, não exclama, não solta gemidos. Quem sofre de verdade, sofre em silêncio. Não é a toa que só fazem esses barulhos quando tem alguém por perto. Querem atenção. Isso não me afeta em dois sentidos: sempre que chegavam perto de mim, me diziam o quanto eles estavam cansados, o quanto tinham trabalhado, o quanto estavam de saco cheio... eu não respondia, era evidente que não esperavam essa reação de mim. Esse seria meu jeito delicado de dizer um foda-se. E eu também não soltava esses sons. Desde que percebi isso nas pessoas, decidi tentar parar de falar um pouco. Todos falam muito.
            Trabalho é perigoso. Eu acordava todo dia, quase inconformado de ter que ir trabalhar, poderia ficar dormindo. Mas, infelizmente, eu chegava no trabalho e sentia um certo conforto. É o conforto da obediência. Eu iria ficar sentado o dia inteiro, fazendo o que me pediam para fazer. Não questionava. Apenas obedecia, e isso alivia bastante. Os que lá estão trabalhando, questionam as coisas erradas.
            Me dei bem no trabalho. Recebi elogios. Trabalhar é bem fácil. É só turvar os objetivos. Talvez eu, por estar consciente, tenha trabalhado tão bem. Ou na verdade, deveria ser o contrário.
            Era tudo bem estranho para mim. Espero que isso nunca se apegue a mim um dia. Queria que alguém me explicasse essas novas leis da Natureza, e por que elas mandam a favor da própria derrota. Por que as pessoas cantam a favor da própria derrota? Tudo me lembra de um certo pesadelo que costumo ter: tudo fica girando, tudo fica longe, mas está perto, tudo fica pequeno, mas é grande. Tudo dilata, tudo lateja. Tudo cresce na minha mão, tudo escorrega da minha mão. Quando acordo, eu continuo assim. E realmente tudo está assim pra mim. Tudo é estranho, tudo é longe, nada é real. Tudo é a tal cópia da cópia da cópia, de que uma vez ouvi falar.
            As pessoas são chatas no trabalho. Elas gostam de provocar, e fazem de tudo pra isso. E não sei quem são os piores, se são esses, ou se são os que se deixam ser provocados. Me lembro de uma mulher que me ligou. Não consegui resolver o problema dela. Ela disse “é complicado”, umas vinte vezes. Devia ta esperando eu explodir de raiva e cair na provocação. Mas eu decepcionei ela, fiquei em silêncio a ligação inteira, e usei a voz mais rabugenta que consegui. No fim ela pagou o que devia.
            Eu recebi, tenho 750 reais guardados. Não sei por que eu tenho eles. É como tentar preencher um quarto vazio com poeira. E mesmo que colocamos as mobílias mais bonitas, ele sempre terá espaço vazio. Trabalhamos em empregos que não gostamos, para comprarmos coisas que não precisamos, desejamos ser completos um dia, sermos perfeitos.
            Por um tempo eu tentei entender essa idéia de aperfeiçoamento x perfeição. A perfeição é inatingível, não dá para ser perfeito. Agora o aperfeiçoamento, além de ser o objetivo, é o próprio caminho. E na verdade é muito fácil, é só manter a cabeça aberta e o livro em cima da estante.
            Eu que o diga:
            Que eu jamais seja completo.
            Que eu jamais seja perfeito.
            A solução não é auto-aperfeiçoamento.
            A solução é auto-destruição.
            É uma geração criada de forma errada.
            Deus criou nossos ancestrais, nossos avós, nossos pais. E todos eles falharam. Agora o que isso nos diz sobre Deus? Já chegou na hora de aceitarmos a idéia de que Deus não liga para a gente, ele não gosta da gente, e ele provavelmente odeia a gente. Então ele que se dane, não precisamos dele. Não iremos desperdiçar a dor.
            A solução é fácil. Vá em shows de hardcore, e se bata com quem não conhece. Beba até não conseguir andar. Não tenha amor ou respeito-próprio. Esqueça tudo o que pensa que sabe sobre amizade, amor, família ou qualquer coisa. Não trabalhe. Não tenha filhos para sustentar. Ah, inferno! Não tenha nem um “você mesmo” para sustentar. Pare tudo e escolha a personalidade que quiser, arrisque tudo e seja quem você quer ser. Não tenha nada, não seja nada. Aceite seu destino, você vai morrer. E quem sabe um dia andaremos nas ruínas das cidades, caçando para sobreviver. Ah... a anarquia. Eu por exemplo, ando falando pouco. Quase não me irrito mais, tentar me provocar é em vão. Como rápido, porque assim não tenho que ficar na mesa ouvindo as merdas que uns têm para dizer aos outros.
             Não é tão fácil. Precisamos esquecer os dias vergonhosos do passado. Queimar a memória. Todos temos nossa Marla Singer para arruinar nosso plano.
             Na minha vida eu fiquei procurando algo, algo nunca vem, só vem o nada. Eu não sou mais idiota, não quero mais ficar recomeçando, em algum lugar novo.
            Acho que ta todo mundo confundindo o conceito de igualdade, se for para sermos iguais, não é para vivermos todos numa casa confortável, é para ficarmos todos na mesma merda. Zeraríamos tudo, voltaríamos aos primórdios, evolução natural tudo de novo, acabaria com todo e qualquer pedaço de História que restasse. Usaríamos a mesma camisa de flanela e calça jeans e botas até o dia que morrermos. Viveríamos uma vida real.
            Simplifique, a fome só é real uma vez por dia. Durma pouco. A vida não é sobre o carro que você dirige, nem quanto dinheiro tem, nem sobre a cor do seu cabelo, e nem sobre a marca da porra da sua calça.
            Está na hora de viver intensamente, enfrentar somente os fatos essenciais da vida e ver se não poderia aprender o que ela tinha a ensinar, em vez de, vindo a morrer, descobrir que não tinha vivido. Não quero viver o que não for vida, tão caro que é viver.
Quero lapidar a vida, remover tudo o que não for vida. Pois muitos por aí, vivem em desespero, na duvida de saber se a vida é uma obra do demônio ou de Deus, e todos têm concluído de forma muito apressada que a vida seja sobre “glorificar Deus e goza-lo para sempre”.
            Não preciso de um trabalho para ser completo. Não preciso de roupa para ser completo. Não preciso nem de um pai para ser completo.
            Pare de tentar controlar tudo.
            Escorregue.

1 milhão sem preconceito




Faça parte da campanha para mostrar que juntos, somos mais fortes que o preconceito.

A meta:
Reunir um milhão de seguidores para o Thiago, voluntário do Grupo Vhiver, uma ONG que cuida de HIV positivos e é reconhecida pelo UNICEF.

É pensar grande?
Talvez. Mas talvez seja apenas pensar do tamanho que a causa merece.

A lógica é simples: você ajuda seguindo o Thiago no twitter @thiagovhiver. O Thiago ajuda o Grupo Vhiver, que passa por dificuldades financeiras, a conseguir mais visibilidade e recursos. E o Grupo Vhiver continua ajudando os soropositivos com apoio psicológico, alimentação e assistência básica.

Saiba mais do projeto acessando www.1milhaosempreconceito.com.br

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Segue abaixo, o vídeo da campanha:






"A velha senhora asmática"

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


Segue abaixo uma passagem do livro "De moto pela América do Sul" de Ernesto CHE Guevara (seu diário que relata os acontecimentos de sua viagem). Nesta passagem Che e Alberto estão na cidade de Valparaíso, Chile, e durante sua estadia nesse lugar, Ernesto vai ver uma velha senhora que conheceu num bar local que está muito doente e necessita das habilidades médicas do rapaz. O trecho em questão tem caráter altamente reflexivo e faz críticas à hierarquia social que colocou a velha mulher em situação de não conseguir pagar por medicamentos tendo apenas que esperar a chegada da morte.


" É em casos como esses, quando um médico percebe que não pode fazer nada, que ele deseja a mudança; uma mudança que impedisse a injustiça de um sistema no qual até um mês atrás essa pobre mulher tinha de ganhar seu sustendo trabalhando como garçonete, respirando com dificuldade, ofegando, mas, encarando a vida com dignidade. Nestas circunstâncias, as pessoas de famílias pobres que não podem se sustentar são rodeadas por uma atmosfera de aspereza mal disfarçada; deixam de ser pais, mães, irmã ou irmão para tornar-se apenas um fator negativo na luta pela sobrevivência e, por extensão, fonte de amarguras para os membros sadios da comunidade que se ressentem de sua doença como se fosse um insulto pessoal contra aqueles que têm que apoiá-los. É ai, no final para as pessoas cujos horizontes nunca ultrapassam o dia de amanhã, que nós percebemos a profunda tragédia que circunscreve a vida do proletariado em todo o mundo.Nesses olhos moribundos existe uma humildade apelo por perdão e também, muitas vezes, um pedido desesperado de consolação que se perde no vácuo, da mesma maneira como seu corpo desaparecerá logo em meio ao vasto mistério que nos cerca.Quanto tempo mais esta ordem atual, baseada na ideia absurda de classes sociais, vai durar eu não sei, mas é chegada a hora em que o governo gaste menos tempo propagandeando suas próprias virtudes e comece a gastar mais dinheiro, muito mais dinheiro, financiando projetos úteis para a sociedade. Não havia muito que eu pudesse fazer por aquela mulher doente. Eu simplesmente aconselhei-a quanto a sua dieta e receitei um diurético e algumas pílulas para asma. Eu ainda tinha alguns tabletes de dramamina e deixei-os com ela. Quando saí, fui seguido pelas palavras de agradecimento da pobre velha e pelo olhar indiferente dos familiares".

 

2009 ·Axis of Justice by TNB