Por Frei Beto ao Brasil de Fato
Revolução cubana se move criticamente sobre si mesma
In Cuba, In politica, In reflexão, In solidariedadeterça-feira, 16 de novembro de 2010
Por Frei Beto ao Brasil de Fato
Tendências Alienativas
In capitalismo, In filosofia, In imperialismo, In reflexãosegunda-feira, 15 de novembro de 2010

A informação transmitida diariamente pelos veículos de comunicação é realmente confiável? Você está sendo mais uma vítima do poder alienativo midiático? Como combater esse fato?
Estamos expostos todos os dias a meios de comunicações diferentes, notícias chegam até nós através de internet, rádio, televisão. Porém, vez ou outra, nos deparamos com um mesmo fato mostrado de forma controversa por dois veículos comunicativos. Isso se deve à parcialidade nas notícias, as emissoras de rádio, de televisão e os grandes sites de notícias são nada menos do que corporações, e, por serem “máquinas em busca do lucro, custe o que custar”, podem facilmente distorcer um fato de forma que favoreça sua fonte de capital (como seus patrocinadores, por exemplo). Faz-se essencial o estabelecimento de uma visão angular por parte de nós, receptores de notícias, de forma que filtremos o conteúdo, lendo mais do que uma fonte, a fim de extrair a verdade das possíveis mentiras e sujeiras que vêm embutidas.
Devemos ser capazes de localizar essa alienação, qualquer seja sua fonte. Hoje, somos expostos “ao que os outros querem que pensemos” de muitas formas, não somente em notícias de fato, mas em filmes, músicas e até videogames. Se analisarmos a quantidade de filmes tendenciosos que subjugam pessoas de religiões, etnias e culturas consideradas diferentes veremos que muitos de nossos pensamentos e opiniões em relação a essas pessoas são errôneos. Filmes como Guerra ao Terror (2009), Impensável (2010) são só alguns dos muitos que nos fazem considerar todos os muçulmanos perigosos e passíveis de repressão. Jogos como Call Of Duty: Black Ops também reforçam a visão negativa que muitos já têm em relação a Cuba. Todos esses retratos expressos nos meios de comunicação são formas de induzir nossos pensamentos a partilhar das mesmas crenças e dos mesmos medos que o mundo capitalista e globalizado. Somos apenas subprodutos do regime conservador.
O combate a essa “lavagem cerebral” torna-se essencial para que não criemos ainda mais medo do desconhecido. Esse combate dá-se pela visão angular, citada anteriormente, que proporciona uma melhor busca da verdade, analisando inteiramente um fato, olhando-o de vários ângulos diferentes a fim de extrair a imparcialidade nos argumentos e criar uma opinião própria a respeito. O início desse processo de libertação das tendências dogmáticas dá-se primeiramente com a educação, que proporcionará aos jovens liberdade de pensamento e expressão; e posteriormente com a leitura e compreensão profunda de notícias que exigirão mais do que olhos para ler, e sim, visão racional.
“Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa”. A frase de Emile Zola já nos dá uma idéia do poder que temos em mãos para estabelecer um regime de plena liberdade de pensamento, que quebre os grilhões que nos prendem à vontade de outros.
Luccas M.
Não - Dead Fish
In Brasil, In MusicaMúsica: Não
Não, não quero ouvir o que você diz
E nem ler as suas regras
Testando minha paciência ao limite de explodir
Eu quero fazer no meu tempo
Chegou minha hora de falar
Cansei de ouvir sua perfeição
Sua higiene me insulta
E seu medo e pudor me fazem rir
É assim, a partir de agora
Poder em minhas mãos
Sim!!
Se a sua voz ainda é mais alta
O que você tem de certo se tornou isso aqui
Sim, o meu caminho é diferente
E sou eu quem vai trilhar
http://www.vagalume.com.br/dead-fish/nao.html#ixzz15MlymTgi
Como cultivar a exclusão social em São Paulo
In Brasil, In Desigualdade, In preconceitodomingo, 14 de novembro de 2010
Daqui a uma geração, quando estudarem a arquitetura de nossa época, além dos prédios em forma de melancia e dos espigões de aço e vidro azul, outra coisa, menos bonita por certo, chamará a atenção. Temos gasto muito tempo e inventividade para criar formas de excluir do convívio da cidade aqueles para os quais nunca abrimos as portas dos direitos econômicos – e isso não passará despercebido.
Reuni alguns desses métodos informais em forma de manual. Apesar de não estarem publicados e não seguirem padrões da ABNT, existem e fazem vítimas diariamente, ainda mais em noites frias e chuvosas como essas pelas quais estamos passando. Registrar isso serve para lembrar o quanto somos ridículos e ajudar o pessoal que vai nos julgar amanhã. Espero que não tenham dó ou piedade.
2) Prédios novos devem ser construídos sem marquises para impossibilitar o acúmulo de sem-teto em noites chuvosas.
2.1) Caso seja impossível por determinações estéticas do arquiteto, a alternativa é murar o edifício ou cercá-lo. A colocação de seguranças armados é outra possibilidade, caso haja recursos para tanto.
2.2) Em caso de prédios mais antigos, uma saída encontrada por um edifício na região central de São Paulo e que pode ser tomada como modelo é a colocação de uma mangueira furada no texto, emulando a função de sprinklers. Acionada de tempos em tempos, expulsa desocupados e usuários de drogas. Além disso, como deixa o chão da calçada constatemente molhado, espanta também possíveis moradores de rua que queiram tirar uma soneca por lá.
3) Bancos de praça devem receber estruturas que os separem em três assentos independentes. Apesar disso impossibilitar a vida de casais apaixonados ou de reencontros de amigos distantes, fará com que sem-teto não durmam nesses aparelhos públicos.
4) Em regiões com alta incidência de seres indesejáveis, recomenda-se o avanço de grades e muros para além do limite registrado na prefeitura, diminuindo ao máximo o tamanho da calçada. Como é uma questão de segurança, o fiscal pode “se fazer entender” da importância de manter a estrutura como está.
5) Cloro deve ser lançado nos locais de permanência de sem-teto, principalmente nas noites frias, para garantir que eles não façam suas necessidades básicas no local. Caso não seja suficiente, talvez seja necessária a utilização de produtos químicos mais fortes vendidos em lojas do ramo, como vem fazendo algumas lojas no Centro da cidade. A sugestão é o uso de um aspersor conforme o item 2.2, mas instalado no chão.
Já que não se encontra solução para um problema, encobre-se. É mais fácil que implantar políticas de moradia eficazes – como uma reforma urbana que pegue as centenas de milhares de imóveis fechados para especulação e destine a quem não tem nada. Ou repensar a política pública para usuários de drogas, hoje baseada em um tripé de punição, preconceito e exclusão e, portanto, ineficaz. Muitos vêem os dependentes químicos como lixo da sociedade e estorvo ao invés de entender que lá há um problema de saúde pública. As obras que estão revitalizando (sic) a região chamada de Cracolândia, têm expulsado os moradores da região – para outros locais, como a Barra Funda e Santa Cecília. Contanto que fiquem longe dos concertos da Sala São Paulo, do acervo do Museu da Língua Portuguesa e das exposições Estação Pinacoteca uó-te-mo.
Melhor tirar da vista do que aceitar que, se há pessoas que querem viver no espaço público por algum motivo, elas têm direito a isso. A cidade também é deles, por mais que doa ao senso estético ou moral de alguém. Ou crie pânico para quem acha que isso é uma afronta à segurança pública e aos bons costumes. Em vez disso, são enxotados ou mortos a pauladas (sem que ninguém nunca seja punido por isso) para limpar a urbe para os cidadãos de bem.
PS: Recado à turma que entalou um “tá com dó leva para casa” na garganta: cresçam.
Fonte: Blog do Sakamoto, Jornalista e Doutor em Ciência Política.
Resenha de A Parábola do Cágado Velho.
In Cultura, In educação, In filosofia, In reflexãosábado, 13 de novembro de 2010
A Parábola do Cágado Velho, de Pepetela.
A estória se passa na atual África, em Angola. Ulume vive em um kimbo (aldeia) com sua primeira mulher Muari e seus dois filhos Luzolo, o mais velho, e Kanda. Ulume acredita que um cágado(I) velho que habita as proximidades de sua aldeia possui uma sabedoria especial e superior.
Pouco tempo depois, inicia-se uma guerra civil, que acaba por trazer miséria à aldeia onde Ulume morava. Desesperado, ele e sua família desejam se mudar para um local afastado (Vale da Paz), onde todo sofrimento proveniente da guerra não os atinja. Nesse contexto, seus dois filhos tomam partidos em lados opostos na guerra, virando combatentes e inimigos.
Ulume acaba conhecendo Munazaki, uma jovem por quem se atrai. Após se apaixonar por ela e vê-la antes de sua morte num sonho(II), a pede em casamento(III).
Munazaki e os filhos de Ulume são contra o casamento (acreditam em direitos iguais entre homens e mulheres, oposto com o que regiam as tradições angolanas). Porém, após negar o pedido, ela vê a depressão se abatendo em Ulume e aceita. A nova família se muda para o Vale da Paz
Certo dia Luzolo retorna para casa, sem armas, anunciando o fim da guerra. Ulume procura Kanda esperando reunir a família, porém, o filho mais novo acredita na continuidade da guerra e se mantém em seu posto.
Certo dia Munazaki some, só tornando a aparecer depois de anos, e ao retornar, admite que fugira em busca de Kanda e de Calpe (cidade fictícia dos sonhos, moderna). Porém, falhara em seu caminho, fora violentada, feita de escrava, perdera sua juventude. Pensava apenas em voltar para o lugar onde realmente a amavam.
Ela pede perdão a Ulume, que fica dividido em aceitar (e ser desonrado perante as tradições), ou seguir seus costumes, renegando-a. Contudo, ele pensa que se aceitá-la, pode acabar fazendo seus filhos se reaproximarem, e adotarem tal gesto de perdão entre eles também. Então, a fim de solucionar essa problemática, ele procura o cágado.
“O cágado olha para ele e confirma três vezes com a cabeça, numa clara aceitação. Com a aquiescência do cágado, Ulume decide perdoar. Esta decisão entre seu peito de esperança. Uma esperança que brilha como uma estrela no céu.”
(I) Os cágados são répteis da Ordem Testudinata (a mesma das tartarugas), da família Chelidae.
(II) Nas tradições do povo angolano, se em sonho em que você estiver prestes a morrer acabar vendo a imagem de uma mulher, deve casar-se com ela.
(III) O casamento com mais de uma mulher é permitido segundo os costumes angolanos mais tradicionais.
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Análise:
Após a leitura, torna-se perceptível o tom simbolista dado por Pepetela, sua preocupação filosófica e existencial cria um conectivo entre as tradições passadas de Angola, e as novas regras do mundo moderno.
Ao mesmo tempo em que há o embate entre tais conceitos relativamente opostos, há também a miscigenação deles. As metáforas e a presença de um animal sábio deixam claras as dúvidas e incertezas do homem em suas ações. Não há uma verdade absoluta, nem uma certeza inquestionável mesmo com todo o tradicionalismo da sociedade, as atitudes das personagens exemplificam valores existentes e aqueles que estão se perdendo atualmente. O fato de uma guerra dividir uma família pode simbolizar o fato de características étnicas, religiosas, políticas dividirem um país e criarem um confronto, por exemplo.
O uso das tradições só deixa transparecer o forte patriotismo de Pepetela. A aglutinação entre o “velho” e o “novo” relata nada mais do que a atual situação do país (e porque não do mundo), em que o alto número de migrações acaba por miscigenar ainda mais os povos, colocando de lado grupos étnicos determinados, e criando uma identidade única: a humana.
Em sua obra, Pepetela incita o leitor a pensar na sociedade, instiga o raciocínio que reflita sobre morais e valores essenciais para a boa vivência em qualquer lugar e que hoje, podem estar sendo perdidos. A obra demonstra como a maldade e a ganância do homem podem destruir não só paisagens, mas também famílias. Além de deixar claro ao leitor o quão importante é o pensamento coletivo, e como se faz necessário em tempos de individualismo e exaltação material.
O desfecho cria uma pontada de esperança, mostrando que a mudança pode acontecer, e que a bondade dos homens pode se sobrepor a toda agonia causada por alguns grupos. A sobreposição do “nós” em relação ao “eu” depende apenas da compaixão.
Luccas M.
É preferível não saber do que ter a certeza dogmática
In reflexãoO preconceito dos esnobes
In Brasil, In preconceitoPor Paulo Moreira Leite à Revista Época
