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União Homoafetiva - Bolsonaro fala sobre decisão do STF

segunda-feira, 9 de maio de 2011


Mais um show de stand up comedy do grande humorista Jair Bolsonaro (PP-RJ) em que ele comenta sobre a nova decisão do Supremo Tribunal Federal em relação à união estável homoafetiva.
Da mesma maneira homofóbica de sempre, o deputado expõe suas opiniões preconceituosas e cheias de ódio, além de sua clara apologia à Ditadura Militar e à censura.

Confiram abaixo a entrevista do deputado concedida à República TV:


Discurso ou Revólver - Facção Central

sábado, 19 de março de 2011


Uma música crítica, que mostra a verdadeira face do sistema. Um sistema que impõe brigas entre diferentes classes sociais, faz a classe média ter medo dos mais pobres, por considerá-los todos assaltantes e bandidos enquanto os ricos se divertem às custas de impostos e caos social. Uma canção que mostra a problemática que vem dos níveis sociais menos favorecidos, onde opção é igual a sorte (que só ocorre em mínimos casos), enquanto a grande maioria desfavorecida pela lei do dinheiro passa fome. Só há uma solução para a sociedade hierárquica em que vivemos, e é a revolução.




Letra:

A igualdade social é só em conto de fadas, felicidade é só em
Sonho, só em mágica. Acredito na palavra ou na metralhadora,
Revolução verbal ou aterrorizadora. Vamos queimar constituição
Com coquetel molotov, carro bomba no congresso, tic tac explode,
Suplicar pro gambé derrubando sua porta não bater na sua mulher
Não atirar nas suas costas.

Até quando comer resto, lavar banheiro abrir o boy no meio na
Ilusão de dinheiro, ser exterminado como judeu em Auschwitz,
Mostrar pra globo o que é viver no limite. a custa atlanta
Queimando na sua frente, a SS agora veste o cinza da PM, de
Braço cruzado é só miolo espalhado no chão, discurso ou
Revólver, tá na hora da revolução.

(2x)
Tá na hora de parar de mofar no presídio, de estar no necrotério
Com uma par de tiros, de ser o analfabeto comendo resto viciado que
O denarc manda pro inferno.

Fizeram da sua rua filial do vietnã, deram rifles pras crianças
Estupraram sua irmã, exilaram na favela o cidadão na teoria
Oprimido, censurado no país da democracia. te dão crack, fuzil,
Cachaça no buteco esse é o campo de concentração moderno.

Hitler, fhc, capitão do mato, bacharelo em carnificina, mestrado
Em holocausto, chega de bater palma tomando tiro, facada, de
Prato vazio, vendo o boy suar na sauna o sistema te quer no viaduto com água na boca com a garrafa cortada na mão esperando a
Kombi trazer sopa no chiqueiro do navio negreiro consertar na
Porta, morto pelo senhor do engenho com farda e pistola, que só
Em cabeça de pobre descarrega sua munição, discurso ou revólver
Ta na hora da revolução.

Prevejo o mercado saqueado bala de borracha, escudo do choque
Tomando pedrada, guerra civil em praça pública socorro professor
Com sangue no rosto, mordida de cachorro, sem teto, sem terra,
Sem prespectiva, sem estudo, sem emprego, sem comida, o pavil da
Dinamite ta aceso, qual será o preço pra eu ter os meus direitos.
Sequestrar, tirar, queimar pneu na avenida, invadir a fazenda
Improdutiva, só jogamo ovo por isso nada mudou, quem sabe o
Presidente na mira do atirador. Em são paulo 35 por dia chega,
Tolerância zero, ou cavar trincheira, serial killer do planalto
Continua em ação, discurso ou revólver ta na hora da revolução.

A favor do inimigo repressão desinformação, o domínio dos dois
Caminhos pra revolução. caminho um a voz do povo aqui não é a
Voz de deus, se tua casa é de caxote de feira problema seu,
Tanto faz sua filha no motel ganhando trocado, tanto faz seu
Filho com a doze matando vigia no assalto. se vier pro asfalto
Fazer passeata, aí o pm te mata, te faz engolir bandeira e
Faixa. caminho dois desconhecendo cenário político, onde jogar
Granada, quem é o nosso inimigo entendeu por que não tem, escola
Pra você toma uzi e me diz quem tem que morrer, não adianta ser
Milhões se não somos um, ação coletiva, objetivo comum, discurso
Ou revólver não interessa a opção sem união é impossível a
Revolução.

Waiting for Superman

sexta-feira, 4 de março de 2011


O documentário é centrado na crise da educação pública nos Estados Unidos. A história é contada através de várias histórias interligadas a partir de muitos alunos e suas famílias. Os educadores procuram uma solução dentro de um sistema problemático. O excelente Waiting for Superman (melhor documentário no último Festival de Sundance-2010), do diretor Davis Guggenheim (Uma Verdade Incoveniente, 2008) é mais uma prova que o gênero terá ótimos representantes na próxima temporada de premiações. Dessa vez, o diretor oscarizado disserta sobre atual crise no sistema de educação nos EUA. Quem seriam os culpados pela situação? Um trecho pontuado com a canção "American Idiot" complementa a polemica.

Informações
Tamanho: 700 MB
Áudio: Inglês
Legenda: Português (Download aqui)



Fonte: BestDocs

Considerações sobre o sistema educacional contemporâneo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um video muito interessante sobre a influência capitalista sobre o sistema educacional em que somos submetidos. Um influência que nos atinge e levamos consigo na carreira profissional que escolhemos:


A segunda parte do video é muito interessante também, e vale a pena ver:


O video foi feito pelo "vlogger" Denis Lee.

Resenha de A Parábola do Cágado Velho.

sábado, 13 de novembro de 2010



A Parábola do Cágado Velho, de Pepetela.


A estória se passa na atual África, em Angola. Ulume vive em um kimbo (aldeia) com sua primeira mulher Muari e seus dois filhos Luzolo, o mais velho, e Kanda. Ulume acredita que um cágado(I) velho que habita as proximidades de sua aldeia possui uma sabedoria especial e superior.


Pouco tempo depois, inicia-se uma guerra civil, que acaba por trazer miséria à aldeia onde Ulume morava. Desesperado, ele e sua família desejam se mudar para um local afastado (Vale da Paz), onde todo sofrimento proveniente da guerra não os atinja. Nesse contexto, seus dois filhos tomam partidos em lados opostos na guerra, virando combatentes e inimigos.


Ulume acaba conhecendo Munazaki, uma jovem por quem se atrai. Após se apaixonar por ela e vê-la antes de sua morte num sonho(II), a pede em casamento(III).


Munazaki e os filhos de Ulume são contra o casamento (acreditam em direitos iguais entre homens e mulheres, oposto com o que regiam as tradições angolanas). Porém, após negar o pedido, ela vê a depressão se abatendo em Ulume e aceita. A nova família se muda para o Vale da Paz


Certo dia Luzolo retorna para casa, sem armas, anunciando o fim da guerra. Ulume procura Kanda esperando reunir a família, porém, o filho mais novo acredita na continuidade da guerra e se mantém em seu posto.


Certo dia Munazaki some, só tornando a aparecer depois de anos, e ao retornar, admite que fugira em busca de Kanda e de Calpe (cidade fictícia dos sonhos, moderna). Porém, falhara em seu caminho, fora violentada, feita de escrava, perdera sua juventude. Pensava apenas em voltar para o lugar onde realmente a amavam.


Ela pede perdão a Ulume, que fica dividido em aceitar (e ser desonrado perante as tradições), ou seguir seus costumes, renegando-a. Contudo, ele pensa que se aceitá-la, pode acabar fazendo seus filhos se reaproximarem, e adotarem tal gesto de perdão entre eles também. Então, a fim de solucionar essa problemática, ele procura o cágado.


“O cágado olha para ele e confirma três vezes com a cabeça, numa clara aceitação. Com a aquiescência do cágado, Ulume decide perdoar. Esta decisão entre seu peito de esperança. Uma esperança que brilha como uma estrela no céu.”


(I) Os cágados são répteis da Ordem Testudinata (a mesma das tartarugas), da família Chelidae.

(II) Nas tradições do povo angolano, se em sonho em que você estiver prestes a morrer acabar vendo a imagem de uma mulher, deve casar-se com ela.

(III) O casamento com mais de uma mulher é permitido segundo os costumes angolanos mais tradicionais.



___________


Análise:


Após a leitura, torna-se perceptível o tom simbolista dado por Pepetela, sua preocupação filosófica e existencial cria um conectivo entre as tradições passadas de Angola, e as novas regras do mundo moderno.


Ao mesmo tempo em que há o embate entre tais conceitos relativamente opostos, há também a miscigenação deles. As metáforas e a presença de um animal sábio deixam claras as dúvidas e incertezas do homem em suas ações. Não há uma verdade absoluta, nem uma certeza inquestionável mesmo com todo o tradicionalismo da sociedade, as atitudes das personagens exemplificam valores existentes e aqueles que estão se perdendo atualmente. O fato de uma guerra dividir uma família pode simbolizar o fato de características étnicas, religiosas, políticas dividirem um país e criarem um confronto, por exemplo.


O uso das tradições só deixa transparecer o forte patriotismo de Pepetela. A aglutinação entre o “velho” e o “novo” relata nada mais do que a atual situação do país (e porque não do mundo), em que o alto número de migrações acaba por miscigenar ainda mais os povos, colocando de lado grupos étnicos determinados, e criando uma identidade única: a humana.


Em sua obra, Pepetela incita o leitor a pensar na sociedade, instiga o raciocínio que reflita sobre morais e valores essenciais para a boa vivência em qualquer lugar e que hoje, podem estar sendo perdidos. A obra demonstra como a maldade e a ganância do homem podem destruir não só paisagens, mas também famílias. Além de deixar claro ao leitor o quão importante é o pensamento coletivo, e como se faz necessário em tempos de individualismo e exaltação material.


O desfecho cria uma pontada de esperança, mostrando que a mudança pode acontecer, e que a bondade dos homens pode se sobrepor a toda agonia causada por alguns grupos. A sobreposição do “nós” em relação ao “eu” depende apenas da compaixão.


Luccas M.

Alienação: O Mal Atemporal

segunda-feira, 23 de agosto de 2010







A preferência por manter-se alheio à realidade pode encontrar-se em diversas situações e ultrapassa os limites temporais.


A grande quantidade de informações oferecidas pela mídia garante a muitas pessoas o sentimento de pleno conhecimento sobre os mais variados assuntos, e seus programas de entretenimento asseguram a permanência do telespectador em frente ao televisor, atrapalhando as relações familiares, e principalmente, impedindo análises e discussões acerca do conteúdo e de sua forma de abordagem pelos veículos midiáticos. Esses fatores contribuem para a alienação das massas que, muitas vezes preferem manter-se distantes da verdadeira realidade por pura preguiça de procurar novas informações ou pelo medo da rejeição do grupo ao qual pertencem por possuírem ideias diferentes das dos demais.


A percepção dessa situação não é recente e pode ser encontrada no “Mito da Caverna” de Platão, no qual os três prisioneiros julgavam como única verdade as sombras que enxergavam (já que eram sua única “visão” do mundo exterior) e caso algum escapasse da prisão e tivesse real conhecimento do que o cercava iria preferir manter-se calado a ser julgado como diferente ou até mesmo ser morto.


Mesmo após muitos séculos do mito, o homem encontrou outros meios de permanecer preso “olhando as sombras”, através da mídia e sobretudo da televisão, que lhe oferece notícias prontas e comentadas, diversão, conforto, etc. A facilidade com que essas informações chegam até o público, e a veracidade com que são transmitidas servem para que a grande massa as tenha como verdades absolutas, sem questioná-las por temerem conflitos e julgamentos que podem surgir, além disso, a força das mídias é grande e tenta silenciar aqueles que dela discordam, utilizando todas as armas de que dispõem, inclusive a censura e a coação que ficam encobertas por belos comerciais, novelas, seriados e noticiários de credibilidade que estão presentes e enraizados há tanto tempo nas famílias mundiais.


Cabe à população romper com essa visão conformada e atentar-se mais e questionar, criticar e investigar aquilo que lhe é transmitido, saindo de sua “zona de conforto” e de sua ignorância para assim construir países mais justos, políticos mais honestos e adquirir um papel mais ativo e fundamental na sociedade, pois sem grande revoluções ideológicas não seriam alcançadas tantas medidas hoje consideradas básicas.


Por: M. Beatriz

O Mito da Caverna de Platão (Texto e Análise)

segunda-feira, 5 de julho de 2010


O mito da caverna, foi escrito pelo filósofo Platão, e encontra-se na obra intitulada A República (livro VII). Trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.


O Mito da Caverna:
Trata-se de um diálogo metafórico onde as falas na primeira pessoa são de Sócrates, e seus interlocutores, Glauco e Adimanto, são os irmãos mais novos de Platão. No diálogo, é dada ênfase ao processo de conhecimento, mostrando a visão de mundo do ignorante, que vive de senso comum, e do filósofo, na sua eterna busca da verdade.

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres (marionetes, fantoches) armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco – Estou vendo.

Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

Sócrates - E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

Glauco - É bem possível.

Sócrates - E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

Glauco - Sim, por Zeus!

Sócrates - Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados?

Glauco - Assim terá de ser.

Sócrates - Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

Glauco - Muito mais verdadeiras.

Sócrates - E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco - Com toda a certeza.

Sócrates - E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco - Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco - Necessariamente.

Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.

Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates - Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates - E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?

Glauco - Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates - Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco - Por certo que sim.

Sócrates - E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco - Sem nenhuma dúvida.

Sócrates - Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível, não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco - Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.

(Platão, A República, v. II p. 105 a 109)




Análise: O Mito do Cidadão Padrão

Assim como séculos atrás Platão abriu os olhos da humanidade para o comodismo parasitário que assolava as massas, hoje, a tendência conformista continua a padronizar o homem de acordo com o interesse dos poderosos.


No mito, os prisioneiros, impossibilitados de se locomover vêem apenas sombras, e crêem que essas são a própria realidade, a vida de fato. Até que um deles se liberta e deixa a caverna a fim de ver o que se passa lá fora. Ao sair, permanece cego por instantes devido à claridade jamais antes vista. Depois de acostumar-se, o homem se depara com um novo mundo, uma realidade completamente diferente daquilo que ele considerava verdade, este homem por fim entende que seu antigo mundo dentro da caverna se resumia numa mentira perante a veracidade de tudo que estava do lado de fora. Disposto a libertar os outros prisioneiros, e fazê-los se livrar daqueles grilhões que os separavam da vida real, o homem volta para a caverna, porém a questão é: qual seria a reação dos aprisionados perante essa nova verdade jamais vista? Acreditariam no homem liberto? O matariam se esse tentasse liberta-los?


Ao compararmos essa parábola de Platão com nossa atual situação, notamos pontos em comum que mostram que o povo acredita somente naquilo que pode ver. O homem se prende ao senso comum, a imagens, à ilusão de fatos corruptíveis e sensíveis que seduzem a mente e afundam-no na ignorância. Esse povo, sensível apenas às suas crenças e às suas falsas morais são os prisioneiros na caverna. Por outro lado, o homem que se desprende da “cômoda” realidade da caverna e se aventura mundo afora, abre as portas de seu intelecto ao conhecimento filosófico e à educação, passando a avaliar os detalhes daquilo que o cerca de forma racional, imparcial, e justa. Esse homem, livre dos grilhões que o prendiam a aquelas mentiras agora questiona sua antiga realidade, sai do conformismo que o fazia acreditar apenas naquilo que podia ver, passa a valorizar e a buscar assiduamente a sabedoria e a compreensão.



Os poderosos de hoje assim como os de outrora se beneficiam da falta de conhecimento do povo para se colocarem num patamar superior. O cidadão padrão hoje é aquele que segue à risca o que lhe impõem, paga suas contas, seus impostos, compra produtos industrializados, vota apenas por ser obrigado, não questiona o sistema, não se importa com disparidades sociais, assiste televisão, segue tendências, concorda com cada palavra que é passada no noticiário e considera-se bem informado e culto por isso. Esse é o homem perfeito a ser feito de capacho, sem fazer a mínima idéia daquilo que realmente se passa, assim como os homens presos na caverna.


Contudo, um outro grupo de homens existe. Um grupo pequeno, idealista e questionador, diferentes daqueles padronizados, dispostos saber mais, a querer mais. A pedra no sapato da elite, aqueles que não se enganam com falsas promessas, políticas baratas de pão e circo. São estes os que questionam valores de impostos, os que se enojam com a ganância do mundo corporativo, os que entendem deveres cívicos, os que vêem as falhas no sistema, os que percebem a forte influência da mídia sobre as massas. Este é o homem que saiu da caverna e agora vê um novo mundo.


Sabendo da existência desses grupos, e do poder racional de cada um deles, cabe a cada um de nós, decidir se viveremos fechados dentro da caverna, ou se nos libertaremos para uma nova forma de compreensão.

Luccas M.

De poucos para poucos

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A sociedade brasileira é uma das mais injustas e desiguais do planeta. Em termos estatísticos perdemos para poucos. Somos um povo trabalhador. Produzimos muitas riquezas. No período de 1930-1980, fomos a economia que mais cresceu, em média. Vivemos num território que, provavelmente, seja o mais pródigo em riquezas naturais do mundo. Temos todos os climas e biomas. Estamos construindo uma civilização caracterizada pela mescla de culturas e povos originários da Ásia, Europa e África, com os nativos deste território. Não há sociedade similar que tenha se constituído com tamanha diversidade.

Como diz a piada sobre a criação do universo, até os anjos reclamaram dos privilégios que teríamos recebido. Aos quais, Deus teria justificado que, em troca teríamos os piores governos do planeta... E parece que os desígnios divinos se realizaram, porque nesses 500 anos de Brasil foram raros os períodos de democracia e de governos comprometidos com os interesses da população.
E com tantas riquezas naturais e um povo tão batalhador nossa sociedade ainda sofre muitas mazelas inaceitáveis.

Nada justifica a elevada concentração da riqueza, da propriedade dos bens e da renda, que beneficiam apenas os 10% mais ricos. E essa concentração de renda e riqueza continua crescendo, como parte da lógica perversa do sistema econômico. O governo Lula contribuiu para distribuir melhor a renda entre os que vivem do trabalho. Mas, na distribuição da riqueza total produzida na sociedade, o capital aumenta a cada dia sua parcela em detrimento dos rendimentos do trabalho, que nunca estiveram tão baixos, como agora. Melhoramos muito as oportunidades de emprego, em relação ao período neoliberal, mas ainda apenas 50% dos trabalhadores têm carteira assinada e seus direitos sociais e previdenciários garantidos.

Nossa economia é cada vez mais dependente do exterior e do capital financeiro. O Estado brasileiro transformou-se no acumulador da poupança nacional e repassa todos os anos mais de 250 bilhões de reais (25% de toda a receita) na forma de juros ao sistema financeiro, com as inaceitáveis teses de superávit primário, que nenhum país desenvolvido pratica. O povão compra tudo a prestação, iludindo-se com um poder de compra sem renda suficiente e paga duas vezes. Uma para a loja e outra para o sistema financeiro, com as maiores taxas de juro do mundo, que em media chegam a 48% ao ano. O capital estrangeiro vem aqui nos explorar e reenvia seus lucros livremente.

Temos uma dependência tecnológica. Investimos uma ninharia em pesquisa e tecnologia. O capital internacional controla nossas riquezas naturais: minérios (basta saber que 52% dos acionistas da poderosa Vale, agora moram no exterior), água, hidrelétricas, petróleo (ao redor de 30% dos acionistas da Petrobras são estrangeiros) e ultimamente até o setor sucroalcooleiro se desnacionalizou, em 33%, em apenas três anos.

É mais importante, até por administrar maior volume de recursos, hoje, ser presidente da espanhola Telefónica do que ser prefeito da cidade de São Paulo. Nossa burguesia, como advertira o saudoso Florestan Fernandes, abandonou há tempos a proposta de um projeto de desenvolvimento nacional, mesmo capitalista. É uma lúmpen-burguesia, que se contenta em superexplorar seu povo para repartir as taxas do lucro com o capital internacional. Agora cada vez mais controlado pelo capital financeiro e pelas grandes corporações globalizadas.

Os índices de concentração da propriedade da terra, um bem da natureza que deveria estar a serviço de todos, nunca estiveram tão concentrados. O último Censo Agropecuário do IBGE revelou que a concentração fundiária em 2006 é maior do que em 1920, quando havíamos recém-saído da escravidão e que se praticava quase um monopólio da propriedade da terra. A produção agrícola está cada vez mais baseada na monocultura, no uso intensivo de venenos e na expulsão da mão de obra do campo. Nos transformamos no maior consumidor mundial de venenos agrícolas, que destroem a natureza, desequilibram o meio ambiente e contaminam os alimentos que todos comemos.

As grandes cidades se transformaram em conglomerados humanos, onde os problemas só aumentam em termos de transporte público, habitação e meio ambiente. Temos um déficit de mais de 10 milhões de moradias. Ou seja, temos 10 milhões de famílias (!!!) que vivem em condições subumanas, insalubres, ainda penduradas em morros e mangues, como denunciava nosso querido Lupicinio Rodrigues. Por causa disso, somos, talvez, um dos poucos países onde se morre “de chuva!” E não é por falta de cimento, areia, tijolo ou pedreiros. O programa Minha Casa Minha Vida, que previa a construção de 1 milhão de moradias, esgotou as inscrições em apenas uma semana.

O transporte público é uma vergonha. E a imprensa, porta-voz dos interesses das empresas automobilísticas, orgulha-se dos recordes de vendas. A média de tempo perdido para ir ao trabalho aumenta a cada dia, em condições cada vez piores. Com um custo social impressionante. O transporte individual e poluente como temos só beneficia meia dúzia de empresas transnacionais, não o povo!

Na educação, vivemos uma tragédia. Aumentamos as vagas para o ensino fundamental e secundário, alcançando quase a universalização. Mas a qualidade desse ensino é vergonhosa. Que o digam os analistas das provas de vestibulares, sobre o nível de conhecimento dos que querem entrar na universidade. E aí, apesar dos esforços inéditos do governo Lula, que quase duplicou as vagas, apenas 10% de nossa juventude pode ingressar no ensino superior.

Não há nenhuma razão para isso. Sociedades com economias mais pobres, como a Coreia do Sul, colocam 97% de sua juventude na universidade e formam mais de 200 mil engenheiros por ano. A Bolívia, economia mais pobre do continente, garante 65% de seus jovens na universidade. E nós? Quantos engenheiros e médicos formamos? Temos mais de 500 municípios sem médicos, até na Grande São Paulo. Há mais jovens negros brasileiros estudando Medicina em Cuba, pela generosidade daquele povo, do que em todas as faculdades do Brasil. Temos também uma dívida com a população mais pobre. Cerca de 16 milhões de trabalhadores adultos não sabem ler e escrever. E ninguém faz nada para ajudá-los. Precisamos urgente de uma campanha nacional, como sonhara Paulo Freire, uma verdadeira guerra cívica de ajuda aos nossos irmãos cegos das letras. Os programas atuais são ridículos.

Padecemos de outro mal, sempre escondido da opinião pública. A concentração da propriedade dos meios de comunicação. Meia dúzia de grupos econômicos controlam toda informação que circula nas televisões, revistas semanais e jornalões. Paulo Henrique Amorim, com toda a sua experiência, adverte que com três telefonemas se decide qual será a principal informação que todos os brasileiros terão de ler ou de ser “manipulados” na semana. Isto é uma vergonha! (que nunca foi denunciada nem pelo jornalista que tem raiva de garis...). A informação deixou de ser um direito público, como determina a Constituição, e passou a ter uma dupla face. De um lado, é fonte de lucro e enriquecimento abastecido por polpudas verbas do dinheiro público. E, de outro, a mídia transformou-se no grande partido de reprodução da ideologia da classe dominante insensível aos problemas do povo.

Sabe-se que as raízes de todos esses problemas são estruturais e do modelo econômico adotado. Primeiro, foi o modelo agroexportador no período colonial. Depois, ao longo do século XX, implantamos uma industrialização dependente do capital estrangeiro. E agora somos reféns do capital financeiro internacional.
Segundo, tivemos quase sempre governos servis, subalternos aos interesses econômicos estrangeiros. Mesmo o governo Lula conseguiu apenas em parte frear as políticas neoliberais e ajudou a distribuir o bolo entre os mais pobres. Mas, por sua composição de classe e partidos, não teve força suficiente para enfrentar os problemas estruturais da sociedade brasileira.

Esses problemas são graves e tendem a se agravar mais ainda. Nos movimentos sociais, acreditamos que eles serão resolvidos somente quando tivermos em nosso país uma conjugação de forças populares, que se mobilizem em aliança com um governo popular. E assim se façam as mudanças legislativas no poder público e, sobretudo, a mudança do modelo econômico, para construir de fato um projeto popular, ou seja, a serviço do povo no Brasil. Como sonhara Paulo Freire.

E, apesar da apatia e pasmaceira social nesse período de nossa história, não se iludam, o povo voltará a se mobilizar e a se organizar por mudanças estruturais.


Por João Pedro Stedile, ao Carta Capital




Crianças de rua são crianças?

sábado, 12 de junho de 2010



Por todo lugar que passamos, há crianças de rua, e mais, crianças de rua que trabalham, pedem esmolas, são os “homens da casa” podendo assim dizer. O analfabetismo, a pobreza, a violência, é reflexo, as crianças que não têm infância vivem uma infelicidade, deveriam estar na escola, mas aprendem na rua, se alimentam no chão, se mantêm da pura -bondade- das pessoas que estão à volta, e não o bastante é uma tarefa lucrativa para a família destes.

Talvez o maior vilão que pode vir à cabeça no momento, é a bolsa família, criada pelo presidente Lula, quando retirada a bolsa escola, ficou claro, que a condição não era levar as crianças para a escola, mas “ser pobre” como fica exaltado pelo senador
Cristovam Buarque, sobre a bolsa família. A bolsa escola como sabemos, tinha a condição das crianças estarem na escola para o benefício, isto fazia aumentar a educação, em consequência, melhoria da cultura, menos crianças nas ruas, menos crianças nos trabalhos escravos das ruas, menos violência, e muitos outros benefícios sociais, que infelizmente perdemos. Hoje, a maiorias das crianças de rua não vão para a escola, e alimentam a violência, perdem a educação e a infância, uma chance de saber os sabores da vida, e quanto maior o número de crianças de rua, maior será os problemas sociais causados por isto.

Quando criada a bolsa família, ela simplesmente virou uma junção das outras bolsas antes existentes, incluindo a bolsa escola, este tipo de benefício causa um mal ainda maior, pois se beneficiado por número de pessoas, visando um lucro maior, as famílias carentes tendem a ter mais filhos, mais trabalhadores de rua “mais dinheiro no bolso” já que não é preciso estar na escola para receberem o benefício, ganham uma bolsa de bom tamanho, e de quebra ainda podem ter os filhos trabalhando para si, ou apenas pedindo esmolas.


Uma criança, quando aos seus cinco anos de idade, já está na escola, que consegue completar o ensino médio, e que consegue entrar numa faculdade, fazer curso técnico, que hoje estão abertos para toda a população, uma pessoa que passa por isto tem a chance de trabalhar honestamente, conseguir emprego, renda, sem precisar da violência para tal, sem precisar do roubo, sem precisar expor filhos para o trabalho nas ruas, sem precisar do benefício de bolsas, tem a chance de saber como é a vida no lado bom, tem a chance de viver num mundo melhor.


Não falando apenas da sociedade em si, pensando nas crianças, pessoas que têm a chance de ter uma infância, e relembram os velhos tempos que não voltam mais, as mais gostosas saudades existentes, sabemos o quão a infância é importante nesta vida, uma felicidade que faz sermos o que somos, mas crianças de rua não têm esta chance, elas trabalham em vez de brincar, lucram em vez de aprender, fazem violência em vez de crescer, se aprofundam na escuridão da sociedade em vez de descobrir um mundo novo, estas crianças não são crianças, são adultos precoces, elas precisam saber o que é ser criança, muito além de alimentar a violência, e os perigos ao redor, elas precisam de uma chance, estas praticamente vivem num mundo sozinhas desde o começo e aprendem valores errados, mesmo que não fizesse diferença impactante para as pessoas em geral, elas também são seres humanos.


O nosso mundo, da violência, da pobreza, das crianças de rua, tem salvação, a educação, se todos pudessem ter qualidade de ensino, ou ao menos ter a chance de estudar, aprender os valores da sociedade, a ética para convivermos sem conflitos, os problemas que temos de enfrentar, sobre violência por exemplo. Os países mais ricos têm a melhor qualidade de ensino, enquanto países pobres têm pior educação, para sair da pobreza precisamos nos concentrar na educação, coisa que fazia sentido na época da bolsa escola, que hoje não faz mais, há esperança, enquanto isto a forma de tentarmos impedir, é as pessoas que têm a chance da educação, e da infância, usarem isto, o problema é que não basta uma ajuda de fora, isto deveria ser enfrentado na origem, um problema que teremos de saber conviver, pois estas crianças hoje, estão como são chamadas na maioria, abandonadas.

Texto retirado de: Somos Pensadores

Abaixo uma música do grupo de rap Facção Central, que relata muito bem a triste realidade dos meninos de rua.

Facção Central: Eu não pedi pra nascer.




Letra:

Minha mão pequena bate no vidro do carro
No braço se destacam as queimaduras de cigarro, a chuva forte ensopa a camisa e o short
Qualquer dia a pneumonia me faz tossir até a morte
Uma moeda, um passe me livra do inferno, me faz chegar em casa e não apanhar de fio de ferro
O meu playground não tem balança, escorregador, sua mãe Vadia perguntando quanto você ganhou
Jogando na cara que tentou me abortar, que tomou umas 5 injeções pra me tirar
Quando eu era nenê tentou me vender uma pa de vez, quase fui criado por um casal inglês
Olho roxo, escoriação, porra, que foi que eu fiz? Pra em vez de tá brincando ta colecionando cicatriz
Porque não pensou antes de abrir as pernas, filho não nasce pra sofrer não pede pra vir pra Terra.

O seu papel devia ser cuidar de mim, cuidar de mim, cuidar de mim
nao espancar, torturar, machucar, me bater, eu nao pedi pra nascer
O seu papel devia ser cuidar de mim, cuidar de mim, cuidar de mim
Não espancar, torturar, machucar, me bater, eu não pedi pra nascer

Minha goma é suja, louça sem lavar, seringa usada, camisinha em todo lugar
Cabelo despenteado, bafo de aguardente é raro quando ela escova os dentes
Várias armas dos outros muquiadas no teto, na pia mosquitos, baratas, disputam os restos
Cenário ideal pra chocar a UNICEF, Habitat natural onde os assassinos crescem
Eu não queria Playstation nem bicicleta, só ouvir a palavra "filho" da boca dela
Ouvir o grito da janela "A comida tá pronta", não ser espancado pra ficar no farol a noite toda
Qualquer um ora pra Deus pra pedir que ele ajude, dê dinheiro, felicidade, saúde
Eu oro pra pedir coragem e ódio em dobro pra amarrar minha mãe na cama por querosene e meter fogo

O seu papel devia ser cuidar de mim, cuidar de mim, cuidar de mim
nao espancar, torturar, machucar, me bater, eu nao pedi pra nascer
O seu papel devia ser cuidar de mim, cuidar de mim, cuidar de mim
nao espancar, torturar, machucar, me bater, eu nao pedi pra nascer

Outro dia a infância dominou meu coração, gastei o dinheiro que eu ganhei com um album do Timão
Queria ser criança normal que ninguém pune, que pula amarelinha, joga bolinha de gude
Cansei de só olhar o parquinho ali perto, senti inveja dos moleque fazendo castelo
Foda-se se eu vou morrer por isso, Obrigado meu Deus por um dia de Sorriso
A noite as costas arderam no coro da cinta, tacou minha cabeça no chão
Batia, Batia, me fez engolir figurinha por figurinha
Espetou meu corpo inteiro com uma faca de cozinha
Olhei pro teto vi as armas num pacote, subi na mesa catei logo a Glock
Mãe, devia te matar mas não sou igual você, invés de me sujar com seu sangue eu prefiro morrer....Bum!
O seu papel devia ser cuidar de mim, cuidar de mim.
Não me espancar, torturar, machucar me bater, eu não pedi pra nascer.
O seu papel devia ser cuidar de mim, cuidar de mim.
Não me espancar, torturar, machucar me bater, eu não pedi pra nascer.

7 crianças que fizeram diferença no mundo.



7 - Anne Frank (1929 - 1945)

Annelies Marie Anne Frank era uma menina Alemã nascida judia na cidade de Frankfurt. Ela ganhou fama internacional após a publicação póstuma de seu diário onde contava suas experiências durante a ocupação alemã da Holanda na Segunda Guerra Mundial.
Anne e sua família mudou-se para Amesterdã em 1933, depois que os nazistas ganharam poder na Alemanha, e foram presos pela ocupação da Holanda, que começou em 1940. As perseguições contra a população judaica aumentou, a família se escondeu em julho de 1942 em quartos ocultos no escritório de seu pai, Otto Frank . Depois de dois anos, o grupo foi traído e transportados para campos de concentração. Sete meses após sua prisão, Anne Frank morreu de tifo em Bergen-Belsen, no dia da morte de sua irmã, Margot Frank. Seu pai, Otto, o único sobrevivente do grupo, retornou a Amsterdã, depois da guerra para descobrir que seu diário tinha sido salvo, e seus esforços levaram à sua publicação em 1947. Foi traduzido do original holandês e publicado pela primeira vez em Inglês em 1952 como O Diário de uma jovem. Anne Frank foi reconhecida pela qualidade de sua escrita, e se tornou uma das mais conhecidas e discutidas de vítimas do Holocausto.

Samantha Reed Smith foi uma estudante americana de Manchester, Maine, que se tornou famosa durante a Guerra Fria. Em novembro de 1982, quando Smith tinha 10 anos, ela escreveu ao líder soviético Yuri Andropov, buscando entender por que as relações entre a União Soviética e os Estados Unidos foram tão tensas. Sua carta foi publicada no jornal soviético Pravda. Samantha ficou feliz ao descobrir que sua carta tinha sido publicada, no entanto, ela não tinha recebido uma resposta. Ela então enviou uma carta ao embaixador da União Soviética para os Estados Unidos, perguntando se o Sr. Andropov não responde as cartas que recebe. Em 26 de abril de 1983, ela recebeu uma resposta do Andropov.
Smith atraiu a atenção da mídia extensiva em ambos os países como um "Embaixador de Boa Vontade", e ficou conhecido como "America's Youngest embaixador" que participam em ações de restabelecimento da paz no Japão. Ela escreveu um livro e co-estrelou uma série de televisão, antes de sua morte aos 13 anos em um acidente de avião .

Hector Pieterson (1964 - 16 de junho de 1976) se tornou um símbolo da revolta de Soweto na África do Sul do apartheid, quando uma fotografia de Hector sendo transportada por um colega, foi publicada em todo o mundo. Ele foi morto com a idade de 12, quando a polícia abriu fogo contra estudantes que protestavam em 16 de junho de 1976. Ficou como um símbolo de resistência à brutalidade do governo do apartheid. Hoje, é conhecido como Dia Nacional da Juventude - um dia em que os sul-africanos honra jovens e chamam a atenção para as suas necessidades.
Em 16 de junho de 2002, o Hector Pieterson Memorial e Museu foi aberto perto do lugar que ele foi baleado em Orlando West, em homenagem ao menino e os que morreram em todo o país no levantamento de 1976.

Iqbal Masih foi um menino paquistanês que foi vendido para uma indústria do tapete como um escravo na idade de 4 anos. Iqbal trabalhava com uma corda a um tapete tear em uma pequena cidade chamada Muridke perto de Lahore. Ele trabalhava doze horas por dia. Devido às longas horas de trabalho e a falta de alimentos e cuidados, Iqbal foi subdimensionado. Aos doze anos de idade, Iqbal era do tamanho de um menino de seis anos de idade. Na idade de 10, ele escapou da escravidão brutal e mais tarde se juntou a um Bonded Labor Liberation Front do Paquistão para ajudar a parar o trabalho infantil em todo o mundo, e Iqbal ajudou mais de 3.000 crianças paquistanesas que estavam em trabalho forçado. Iqbal deu palestras sobre o trabalho infantil em todo o mundo.
Ele foi assassinado no domingo de Páscoa de 1995. Assume-se por muitos de que ele foi assassinado por membros da "Máfia do tapete" por causa da publicidade que ele trouxe para a indústria do trabalho infantil. Alguns moradores foram acusados do crime, no entanto.
Em 1994, Iqbal foi agraciado com o Prêmio Reebok de Direitos Humanos. Em 2000, quando The World's Children's Prize para os Direitos da Criança foi criado, ele foi postumamente agraciado com este prêmio como um dos festejados em primeiro lugar.

Nkosi, nascido Xolani Nkosi, nasceu em Nonthlanthla Daphne Nkosi, um município a leste de Joanesburgo, em 1989. Ele nunca conheceu seu pai. Nkosi era soropositivo desde o nascimento, e foi legalmente adotado por Gail Johnson, uma profissional de Relações Públicas de Joanesburgo, quando sua própria mãe, debilitado pela doença, já não era capaz de cuidar dele. O jovem Nkosi Johnson primeiro veio a público em 1997, quando uma escola primária no subúrbio de Joanesburgo Melville se recusou a aceitá-lo como um aluno por causa de seu status de HIV-positivos. O incidente causou um furor ao mais alto nível político da África do Sul, que proíbe a discriminação em razão do estado de saúde e mais tarde a escola voltou atrás em sua decisão.
Nkosi foi o orador principal na 13th International AIDS Conference, onde incentivou a vítimas da Aids falar abertamente sobre a doença e buscar a igualdade de tratamento. Nkosi terminou seu discurso com as palavras.
"Cuidado para nós e nos aceitar - somos todos seres humanos. Somos normais. Temos as mãos. Temos os pés. Podemos ir a pé, podemos falar, temos necessidades como todos os outros - não tenham medo de nós - somos todos iguais! "
Ele se tornou um ícone da luta pela vida."
Junto com sua mãe adotiva, Nkosi fundou um refúgio para as mães HIV positivo e seus filhos, Nkosi's Haven, em Joanesburgo. Em Novembro de 2005, Gail representado Nkosi, quando ele recebeu postumamente a Paz Internacional da Criança prêmio das mãos de Mikhail Gorbachev. Nkosi's Haven recebeu dos E.U. um prêmio em dinheiro $ 100.000 da Fundação KidsRights, bem como uma estatueta, que foi nomeado em honra a Nkosi Nkosi Johnson.A vida de Nkosi é o tema do livro We Are All the Same por Jim Wooten.

Na idade de cinco anos, ele foi tirado de seus pais e por três anos trabalhou no campo. Depois que ele foi resgatado por ativistas de Bachpan Bachao Andolan, Om luta pela educação gratuita em sua terra natal. Em seguida, ele ajudou a criar uma rede que são conhecidas como aldeias "para crianças", lugares onde os direitos das crianças sejam respeitados e do trabalho infantil não é permitido. Ele também estabeleceu uma rede que visa dar a todas as crianças, uma certidão de nascimento como uma forma de ajudar a protegê-los da exploração. Ele diz que esse registo é o primeiro passo para a consagração dos direitos da criança, comprovando a sua idade, e ajudando a protegê-los da escravidão, o tráfico, o casamento forçado ou servir como crianças-soldados.
Ele foi premiado com a Paz Internacional da Criança Prêmio Sul Africano pelo ex-presidente FW de Klerk, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Em 1999, quando tinha apenas oito anos de idade, sua escola foi fechada porque não havia professores. Thandiwe se recusou a aceitar isso e levou 60 outras crianças a pé para encontrar outra escola. Como resultado, todas as crianças foram levadas para o Cecup Jack School. Fortalecidos por esta conquista, Thandiwe vem lutando desde então para o direito à educação para todas as crianças. Thandiwe continua a impressionar, por exemplo, falando na igreja sobre crianças e aids - uma questão nem sempre facilmente discutidas nas igrejas. Com um amigo, ela escreveu e ilustrou um livro chamado "O Frango com AIDS", dizendo crianças jovens sobre os perigos da AIDS.
"É muito importante saber que uma criança também tem direitos. Na escola eu aprendi sobre direitos humanos. E então eu sabia que isso era algo que eu queria lutar. Porque se as crianças têm a oportunidade, eles com certeza podem contribuir para tornar este mundo um lugar melhor. "- Thandiwe Chama


Também conhecido como Kim Phúc (nascida em 1963), é embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO. Entretanto, é conhecida como a garota que apareceu numa foto da Guerra do Vietnã.
Ela possuia cerca de nove anos na época da imagem, em que fugia de seu povoado, que estava sofrendo um bombardeiro de napalm. Até hoje, esta imagem, tirada em 8 de junho de 1972, é lembrada como uma das mais terríveis da Guerra do Vietnã. A fotografia foi tirada por Huynh Cong Ut da agência Associated Press e recebeu o Prêmio Pulitzer de 1973.
Hoje, Kim Phuc é Embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO. Reside no Canadá e possui dois filhos.


Adaptado e Baseado na matéria do blog: Curiosa e Desocupada
 

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