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Traduções Bukowski #1: "a crise"

quarta-feira, 5 de setembro de 2012


Traduções Bukowski



Nessas férias, ganhei um presente da minha irmã: uma coletânea de poemas do Bukowski chamada Pleasures of the Damned, em inglês. São mais de 500 páginas contendo poemas selecionados do velho safado. E eu resolvi começar a marcar os poemas que eu mais gostei do livro e ainda resolvi começar a traduzi-los por simples diversão e também por demonstrar minha admiração por esse poeta (o que não é muito complicado, pois a composição de um poema dele está distante de qualquer forma ou estilo sofisticado, são apenas palavras duras, dizendo o que tem que ser dito).

A ideia é traduzir todos os poemas e postá-los aqui, um por semana, ou até mais. Pretendo cumprir essa meta sem atrasos. A ordem será diversificada - vou postar o poema que me der vontade. 

Mas em fim, nada disso é importante, então aqui vai o primeiro poema.


a crise


demais
de menos

gordo demais
magro demais
ou ninguém.

risadas e
lágrimas

odiadores
amantes

estranhos com rostos iguais
à parte de trás de
uma taxinha

exércitos correndo pelas
ruas de sangue
acenando garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.

ou um cara velho em um quarto barato
com uma foto de M. Monroe.

existe uma solidão tão grande nesse mundo
que é possível vê-lá no lento movimento
dos ponteiros de um relógio.

pessoas tão cansadas
multiladas
ora por amor ora por falta de amor.

as pessoas simplesmente não são boas entre si
uma a uma

o rico não é bom com o rico
o pobre não é bom com o pobre.

nós estamos com medo.

nosso sistema educacional nos diz
que todos nós somos
vencedores bundões.

ele não nos disse nada
sobre as sarjetas
ou sobre os suicídios.

ou sobre o terror de uma pessoa
agonizando em qualquer lugar
sozinha

intocado
não mencionado.

regando uma planta.

as pessoas não são boas entre si.
as pessoas não são boas entre si.
as pessoas não são boas entre si.

suponho que elas nunca serão.
eu não peço que elas sejam.

mas algumas vezes eu penso sobre
isso

as contas vão pendurar
a nuvens vão nublar
e o assassino vai decapitar a criança
como morder um pedaço de um sorvete em cone.

demais
de menos
gordo demais
magro demais
ou ninguém

mais odiadores do que amantes.

as pessoas não são boas entre si.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam assim tão tristes.

enquanto isso eu olho para a haste das
garotas jovens
flores da chance.

deve haver uma maneira.

com certeza deve haver uma maneira da qual ainda
não pensamos.

quem colocou esse cérebro dentro de mim?

ele chora
ele exige
ele diz que há uma chance

eu não vou dizer
“não”.

(Charles Bukowski)

Traduzido por Felipe Ribeiro


1 comentários:

. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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