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Bakunin sobre as autoridades

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011


Segue abaixo um trecho do livro Deus e o Estado, de Mikhail BAKUNIN (teórico político russo, principal expoente da ideologia anarquista). Neste trecho será possível perceber claramente a perspectiva contrária a toda e qualquer forma de dominação hierárquica na relação entre os homens. O desprezo pelas formas de governo, que limitam as capacidades dos cidadãos, reprimem suas opiniões e forjam padrões a serem seguidos. Num sistema capitalista, como o que ainda vivemos, há a sobreposição de uma elite (minoria) abastada que vive em dependência da miséria de muitos e, diante desse fato, Bakunin destaca sua rejeição a qualquer posição de privilégio que possa fazer um homem crer que é melhor, mais rico, importante ou capaz do que outro.

"Decorre daí que rejeito toda autoridade? Longe de mim este pensamento. Quando se trata de botas, apelo para a autoridade dos sapateiros; se se trata de uma casa, de um canal ou de uma ferrovia, consulto a do arquiteto ou a do engenheiro. Por tal ciência especial, dirijo-me a este ou àquele cientista. Mas não deixo que me imponham nem o sapateiro, nem o arquiteto, nem o cientista. Eu os aceito livremente e com todo o respeito que me merecem sua inteligência, seu caráter, seu saber, reservando todavia meu direito incontestável de crítica e de controle. Não me contento em consultar uma única autoridade especialista, consulto várias; comparo suas opiniões, e escolho aquela que me parece a mais justa. Mas não reconheço nenhuma autoridade infalível, mesmo nas questões especiais; consequentemente, qualquer que seja o respeito que eu possa ter pela humanidade e pela sinceridade desse ou daquele indivíduo, não tenho fé absoluta em ninguém. Tal fé seria fatal à minha razão, à minha liberdade e ao próprio sucesso de minhas ações; ela me transformaria imediatamente num escravo estúpido, num instrumento da vontade e dos interesses de outrem." Mikhail Bakunin.


Para os interessados, download do livro na íntegra, disponível aqui.




Por que participar da política?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Estive presente hoje (dia 17/11) no lançamento do novo livro do candidato à presidência pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. Não sou muito chegado em grandes aproximações partidárias, acredito que de certa maneira elas podem acabar nos tornando um tanto quanto "cabeças-duras", mas confesso que fiquei muito encantado com o pessoal do partido. Os que estiveram no lançamento, se mostraram muito humildes e receptivos, inclusive a atração principal, que ao chegar convocou a sua tão amada turma do twitter, ou como ele diz, seus twitteiros.

Da mesma forma que Plínio é convidativo com os presentes, é também em seu livro. Aliás, essa é a grande proposta, atrair um publico diferente de leitores que nem sempre consegue entender política devido ao baixo número de livros que tem uma linguagem acessível, sem todos aqueles jargões que são corriqueiros em livros acadêmicos. Além de uma linguagem mais dinâmica, o livro é um trabalho curto, de apenas 74 páginas e está sendo vendido por apenas 10 reais.

Admiro profundamente esse novo projeto do Plínio, e hoje após ter conversado diretamente com ele, também o admiro mais. É impressionante a esperança que ele transborda, a felicidade ao ver diversos jovens que abraçam a sua ideia e como ele pontuou, vão levar essa ideia adiante. É magnífico ver um senhor de 80 anos que ainda luta por um mundo mais justo e tem sinceras expectativas de que isso aconteça, apostando tudo nos mais jovens. Indico à todos que puderem, passem em qualquer livraria mais perto de vocês e comprem o livro, muito importante para entender "O que perdemos por nos desinteressar da política e o que ganhamos procurando entendê-la?".



Paulo Souza, 17/11/2010



Importância da Leitura

domingo, 30 de maio de 2010



Leitura, mais do que um processo de transformação da escrita para a oralidade, é a evolução do homem e sua concretização plena como um indivíduo social, cidadão.


Enriquecimento de vocabulário, dinamização do raciocínio, desenvoltura de um senso social crítico e interpretação de mundo são características que a leitura nos oferece.


O ato de ler deve ser praticado desde cedo, porém, numa sociedade cada vez mais tecnológica, rápida e globalizada, a leitura torna-se algo descartável, perde seu espaço para meios de transmissão de idéias mais simples, como a televisão e o computador.


Atualmente, em nossa sociedade, existem cada vez menos leitores críticos, e proporcionalmente cada vez mais alienados pela mídia, o que reforça o fato de que o conhecimento adquirido pela leitura nos permite estabelecer nossa própria visão angular e combater a alienação em massa imposta pelos grandes centros midiáticos.


Ao se ler um livro, somos transportados para uma dimensão completamente nova, entramos numa mirabolante ficção arquitetada para nos fazer refletir, imaginar e sonhar. Infelizmente, com o acréscimo de idade, a leitura se torna cada vez mais rara, até deixar de fazer parte do cotidiano das pessoas ainda jovens. Esse problema pode ser atribuído à ineficácia da escola em formar leitores, e a descartável importância dada atualmente a um rascunho literário. A literatura é hoje recurso de todos, mas só é explorada adequadamente pelos detentores de maior poder aquisitivo, enquanto os pobres não desfrutam dessa ferramenta de conhecimento.


Chega a ser chocante a comparação entre o ensino público e o ensino privado em nosso país, e esse fator acentua cada vez mais as disparidades sociais no Brasil. Porém, uma, senão a principal solução para a melhoria de vida de todos os brasileiros está bem diante de nossos olhos, é a leitura. A pergunta a ser feita é: como despertar o interesse por livros nas populações mais carentes? Como educa-las e faze-las conhecer seus direitos?


Para fazer com que o jovem carente tenha afinidade por livros, é preciso que os livros atinjam a realidade dele, é necessário que o jovem entenda que essa ferramenta pode proporcioná-lo no futuro uma vida digna. E para isso, faz-se essencial a presença de uma instituição de ensino com bons professores, que consigam abrir os olhos de seu estudante e fazê-lo almejar a justiça e a igualdade social. Através desse processo de formação educacional poderíamos presenciar enfim uma sociedade ciente de suas obrigações, informada de seus direitos e pronta para acertar democraticamente a situação do país.


Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história” Bill Gates.

Ler devia ser proibido.

quinta-feira, 25 de março de 2010





A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.


Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.


Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.


Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.


Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.


Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.


O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.


Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.



Margem da Palavra

O que é ideologia?

quarta-feira, 17 de março de 2010




Sinopse

Ideologia: um mascaramento da realidade social que permite a legitimação da exploração e da dominação. Por intermédio dela, tomamos o falso por verdadeiro, o injusto por justo. Como ocorre essa ilusão, essa fabricação de uma história imaginária? Qual sua origem? Quais seus mecanismos, seus fins e efeitos sociais, econômicos e políticos?

 

2009 ·Axis of Justice by TNB