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Lula sobre o Wikileaks

sábado, 11 de dezembro de 2010

Em complementação ao post anterior sobre a Petição pela liberdade de expressão, que toma a questão do wikileaks, hoje, 11 de Dezembro de 2010, ao entrar no Youtube um dos vídeos mais "populares" na categoria Notícias e política é o vídeo do nosso presidente, em trecho do discurso em evento de balanço dos quatro anos do PAC em que Lula presta solidariedade ao Wikileaks e também a liberdade de expressão.
Segue o vídeo:

Relato de um morador do Alemão

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010





O som no momento ainda é de tiro, talvez de calibres menores, pois aparentemente o confronto maior já cessou, se bem que eu aprendi que quando os tiros diminuem é que o perigo aumenta, porque essa é a hora que o morador da favela sai de baixo de suas camas, ou de seus abrigos de variações diversas, achando que a situação acalmou, e quando menos espera, bum! Volta o tiroteio de novo, sendo que agora os corpos estão de pé nos barracos, e o pior, despreocupados, e quando se está despreocupado é que o pior acontece, pelo menos no morro é assim, e já vi muito conhecido tomar tiro por causa dessa falsa sensação de paz. Ou seja, para se andar pelas vielas é preciso estar com o alerta ligado a todo tempo, independe do céu estar repleto de estrelas, ou infestado de balas traçantes.

Ah, perdão, nem me apresentei, é o nervosismo por causa da trilha sonora do horror. Para quem não sabe a trilha sonora do horror não consiste apenas em barulho de tiros; mixado junto aos tiros se encontram os latidos de cachorros, a gritaria (geralmente das crianças), e às vezes alguma voz gritando. Por conta desses fatores, comecei euforicamente a escrever e me esqueci de dizer quem sou, se bem que isso não tem muita importância, já que sou apenas mais um no meio da multidão favelada; igual a mim com certeza existem milhares, de mesma cor, de mesmo histórico familiar, de mesmos sonhos não realizados. Mas por questão de educação irei me apresentar mesmo assim.

Meu nome é Sebastião, é nome de velho, mas eu sou jovem, tenho 19 anos, herdei esse nome do meu finado pai, por isso os amigos e familiares me chamam de Júnior, me soa melhor, e para falar a verdade eu não tenho nenhuma cara de Sebastião, quando me chamam de Tião então, aí é que eu fico mais puto, minha mãe tem mania de me chamar assim quando faço algo que ela não gosta, mas não há nada que me tire mais do sério do que a guerra da hipocrisia, tipo essa que está rolando atualmente, e por isso resolvi escrever, não sei direito o porquê, mas como eu também não sei direito o porquê de tantas coisas, resolvi escrever assim mesmo.

Sou morador do morro do alemão, onde atualmente explodiu uma guerra, antes nunca vista no Rio, digo nunca vista, porque aparentemente dessa vez o objetivo é outro, e a causa também; afinal, por que antes de se falar em Copa no Brasil e olimpíada no Rio, nenhum Governo se preocupou em pacificar favelas? Antes o pensamento era: deixa esse povo se matar. Agora, pelo visto, a situação está um pouco diferente, pelo menos um pouco.

Nasci aqui, cresci aqui e vivo nesse morro até hoje, não sinto orgulho disso, mas também não sinto vergonha, afinal, teria eu, orgulho de quê? Vergonha de quê? É o que me resta morar aqui, é a única herança que tenho, o barraco que foi de minha avó e que hoje é uma humilde, porém aconchegante casa.

Por enquanto ainda não dá para morar no asfalto, mas não me sinto mais ou menos gente do que eles que moram lá em baixo; porém, me sinto mais digno do que alguns membros fardados que se dizem representantes do Estado, e que atualmente estão sendo aclamados como heróis por grande maioria da sociedade, aliás, nunca consegui entender direito os critérios que a sociedade em que vivo usa para escolher os seus heróis, talvez eu vá morrer sem entender.

Agora pouco fui à janela dar uma espiada no movimento do morro e pude ver alguns deles caminhando e ostentando seus armamentos e suas caras de mau, pude até ver alguns com os rostos pintados, como se tivessem preparados para uma verdadeira guerra do Vietnã, mas dessa vez os vietcongs a serem caçados não tinham cabelos lisos muito menos olhos puxados.

Pude ver no meio deles alguns conhecidos, eram poucos é verdade, já que a tropa invasora é formada em sua grande maioria por policiais de fora da área, mas os que puder reconhecer são frequentadores assíduos do morro, vira e mexe estão aqui para vender armas e até mesmo drogas que apreenderam em morros rivais, alguns eu vejo toda sexta-feira, pois é o dia que eles religiosamente comparecem ao morro para pegar a propina para que o baile funk possa rolar na paz. Eu sei disso tudo pois minha casa fica em uma área estratégica, posso dizer que moro numa linha imaginária do morro, pois a partir dali a polícia sabe que não pode subir, e desde que moro aqui poucas vezes vi eles passarem daquele local, a não ser em casos extremos, como quando morria algum repórter, e a mídia fazia pressão até encontrar o assassino, ou então agora, nessa guerra copeira e olímpica. E é por essas e outras que eu não consigo achar heroísmo nesses homens fardados que se dizem representantes do Estado, já que a maioria das armas que atualmente está sendo mostrada na TV como sendo apreendidas por eles não estaria aqui se os próprios não tivessem trazido e vendido para os próprios traficantes que agora estão caçando.

Às vezes a sociedade se pergunta quem financia todo esse caos, geralmente quem toma essa culpa é o viciado, mas eu sei bem quem é o verdadeiro financiador e quem sai lucrando com essa guerra.

Só que dessa vez está tudo diferente, os policias que antes eu via circulando no morro agora estão andando com policias federais, com militares do exército e marinha, não que eles sejam menos sujos, não que eles não fossem se vender diante de uma oferta tentadora de um traficante, mas eles não são daqui, e o momento é outro, agora o objetivo também é outro, antes eles vinham pra buscar dinheiro e fazer falsas apreensões para mostrar na TV que estavam trabalhando, e a população em sua maioria acreditava naquela cena toda, mas hoje não, hoje eles estão vindo para realmente fazer valer a presença do Estado (anos ausente), dá para perceber isso nos olhos dos soldados, dos policiais; se eu não fosse morador daqui até acreditaria que eles são realmente heróis, acho inclusive, que até eles estão se enganando achando que são heróis de alguma coisa, quando na verdade passam longe disso.

O fato deu estar criticando os policias não quer dizer que eu apóie os bandidos (estou me referindo aos traficantes), já que usar o termo bandido para discernir o policial do traficante pode ficar um tanto confuso, pelo menos para mim fica.

Criticar a polícia não consiste em um apoio ao tráfico, uma coisa não tem nada haver com a outra, já que para mim são dois imbecis lutando por nada, ou melhor, por interesses financeiros próprios que no final resulta em nada, só que por esse nada muito sangue escorre e muito inocente acaba morrendo. É a guerra do bandido X bandido, só que agora um bandido virou herói e o outro virou mais bandido ainda.

Quero estar vivo para ver esse morro realmente pacificado, pois polícia andando nas vielas e bandeira do Brasil fincada no alto do morro não quer dizer sinônimo de paz para mim. Quero estar vivo para ver o dia em que o Governo investirá pesado na educação, pois aí sim, as coisas poderão começar a mudar. Quero estar vivo para ver minha mãe poder vir dormir em casa todo dia sem se preocupar em ter que levar roupa para dormir no trabalho caso haja tiroteio no morro. Quero estar vivo para poder realmente apertar a mão de um policial e finalmente olhar dentro do olho dele e o ver como um verdadeiro e digno herói.

Por hora vou terminando este escrito, até porque a trilha sonora do horror voltou a tocar, e eu preciso me refugiar. A guerra de fato ainda não terminou, e está longe disso, sinto até pena dos que acham que agora a guerra terá realmente um fim. 

Confesso que não estou com uma impressão boa, talvez por isso tenha resolvido escrever, pois apesar de estar no local mais seguro da casa, as balas estão cada vez mais ousadas, e não existe barreira para elas, talvez alguma me encontre hoje (aquela mesma que a mídia insiste em chamar de perdida), ou algum dia qualquer, sei lá; mas as minhas palavras permanecerão no papel, eternizadas enquanto o tempo não as destruir. Espero um dia poder abrir este papel para ler sobre um tempo não mais vivido, e poder finalmente escrever alegremente um texto de outro título. Esperarei ansiosamente pela chegada de meus verdadeiros heróis, e para eles terei o imenso prazer de escrever e dedicar a paz em primeira pessoa. 

Rio de janeiro (purgatório da beleza e do caos) - 28/11/2010



Autor: Bruno Rico.






Retirado do blog Observar e absorver: http://observareabsorver.blogspot.com/

Petição pela liberdade de expressão - Wikileaks: parem a perseguição



Caros amigos,

A campanha de intimidação massiva contra o WikiLeaks está assustando defensores da mídia livre do mundo todo.

Advogados peritos estão dizendo que o WikiLeaks provavelmente não violou nenhuma lei. Mas mesmo assim políticos dos EUA de alto escalão estão chamando o site de grupo terrorista e comentaristas estão pedindo o assassinato de sua equipe. O site vem sofrendo ataques fortes de países e empresas, porém o WikiLeaks só publica informações passadas por delatores. Eles trabalham com os principais jornais (NY Times, Guardian, Spiegel) para cuidadosamente selecionar as informações que eles publicam.

A intimidação extra judicial é um ataque à democracia. Nós precisamos de uma manifestação publica pela liberdade de expressão e de imprensa. Assine a petição pelo fim dos ataques e depois encaminhe este email para todo mundo – vamos conseguir 1 milhão de vozes e publicar anúncios de página inteira em jornais dos EUA esta semana!


O WikiLeaks não age sozinho – eles trabalham em parceria com os principais jornais do mundo (NY Times, Guardian, Der Spiegel, etc) para cuidadosamente revisar 250.000 telegramas (cabos) diplomáticos dos EUA, removendo qualquer informação que seja irresponsável publicar. Somente 800 cabos foram publicados até agora. No passado, a WikiLeaks expôs tortura, assassinato de civis inocentes no Iraque e Afeganistão pelo governo, e corrupção corporativa.

O governo dos EUA está usando todas as vias legais para impedir novas publicações de documentos, porém leis democráticas protegem a liberdade de imprensa. Os EUA e outros governos podem não gostar das leis que protegem a nossa liberdade de expressão, mas é justamente por isso que elas são importantes e porque somente um processo democrático pode alterá-las.

Algumas pessoas podem discordar se o WikiLeaks e seus grandes jornais parceiros estão publicando mais informações que o público deveria ver, se ele compromete a confidencialidade diplomática, ou se o seu fundador Julian Assange é um herói ou vilão. Porém nada disso justifica uma campanha agressiva de governos e empresas para silenciar um canal midiático legal. Clique abaixo para se juntar ao chamado contra a perseguição:


Você já se perguntou porque a mídia raramente publica as histórias completas do que acontece nos bastidores? Por que quando o fazem, governos reagem de forma agressiva, Nestas horas, depende do público defender os direitos democráticos de liberdade de imprensa e de expressão. Nunca houve um momento tão necessário de agirmos como agora.

Com esperança,

Ricken, Emma, Alex, Alice, Maria Paz e toda a equipe da Avaaz

Fontes:

Fundador do site WikiLeaks é preso em Londres:

Visa e MasterCard se unem ao boicote contra WikiLeaks:

Hackers lançam ataques em resposta a bloqueio de dinheiro do Wikileaks:

Conheça o homem por trás do site que revelou documentos secretos americanos:

O criador do WikiLeaks, entre a sombra e a busca pela verdade:

Saiba mais sobre os telegramas diplomáticos:
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Por Avaaz

Debate sobre a legalização de drogas

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O programa CQC é conhecido por abordar temas políticos e polêmicos de forma muito irreverente, propondo um show de humor inteligente. Após a apreensão de toneladas de maconha e outras drogas no Complexo do Alemão o programa organizou um quadro para debater o assunto. O vídeo contem participações do compositor Marcelo Yuka, do consul geral da Holanda Louis Piët, e outros conhecedores do assunto. Diferentes formas de ver o assunto são abordadas, vale a pena conferir.




Copa do Mundo África

terça-feira, 7 de dezembro de 2010



Promessas de grandes melhorias na situação do continente africano com a realização da Copa do Mundo incentivaram e emocionaram o mundo. Série de investimentos em infraestrutura, transporte e energia. Sem desmerecimento de tais feitos, trata-se então de um pequeníssimo passo para um continente que ainda precisa de muitas mudanças para vencer os vestígios alarmantes de um passado histórico de colonização e exploração.
Dez estádios foram reformados ou construídos para a comemoração. Muitos deles tinham função de receber jogos tradicionais da África do Sul, como o rúgbi, e agora receberão mais enormes gastos para a readequação do lugar novamente. Outros foram construídos somente com o intuito de receber jogos de futebol, portanto servirão para eventos culturais, o que não deixa de ser proveitoso, mas causa certo sentimento de desconfiança do cumprimento de tais eventos regularmente.
A Copa mobilizou o mundo como de costume e agora já faz parte do passado. Porém, a pobreza e o medo que assolam o continente ainda fazem parte do cotidiano daquelas pessoas. Não houve mudança nos índices de IDH da África, continuam os piores do mundo. Da mesma forma que a desnutrição, a mortalidade infantil e a baixa expectativa de vida mostram-se presentes em qualquer pesquisa.
A África subsaariana ainda porta dois terços dos soropositivos encontrados no globo, e o racismo, herança do apartheid, esteve presente antes, durante e após a Copa.
Os jogos mundiais de futebol englobam o mundo, e caracterizam a globalização. Esta tende a piorar locais marginalizados como a África, já que dependência externa tornou-se comum na maioria deles. Pouca tecnologia e portanto financiamento de empresas estrangeiras para exploração das riquezas africanas demonstram a pouca autonomia nos próprios rumos econômicos do continente.
A negação das benfeitorias trazidas por sediar um evento como esse pode demonstrar falta de esperança e radicalismo, porém continuo procurando explicação para tantos investimentos que foram feitos somente devido á realização da Copa e que poderiam ter sido motivados anteriormente, afinal não trata-se só de estádios as necessidades de infraestrutura e combate a carência daquele continente.

Autonomia - Dead Fish


Mais uma música do Dead Fish, dessa vez, com videoclipe oficial.
Para mais informações sobre essa banda fantástica, acesse Myspace ou Twitter.






Autonomia

Disse que daqui pra frente seguiria só
Não se prenderia a nada buscando algo melhor
Na esperança de conseguir não se engane
Hora de virar as costas e seguir...


Um dia ia acontecer
Sem deuses, sem mestres e sem mãos que aparem
Orgulhoso em ver, daqui pra frente só você


Ouça a música e dance como um louco buscando por autonomia
deixe seu coração bater
não sinta vergonha feche os olhos agora guie sem as mãos
deixe seu coração bater


Completou: "aquele não era mais o caminho"
Estar na comunidade era morrer
Teve coragem de dizer "isso não me diz nada mais"
Preferiu enfrentar todas as acusações


E tatear no escuro
Honestidade pra manter o sangue quente
Orgulhoso em ver, daqui pra frente só você


Ouça a música e dance como um louco buscando por autonomia
Deixe seu coração bater
Não sinta vergonha feche os olhos agora guie sem as mãos
deixe seu coração bater


Nem errado, nem certo
Nem bem, nem mal
Nem rico, nem pobre
Vencedor ou perdedor
Humilde ou soberbo
Apenas trilhando algo que é só seu
Dentro e fora de moldes
Criando outros clichês


Ouça a música e dance como um louco buscando por autonomia
Deixe seu coração bater
Não sinta vergonha feche os olhos agora guie sem as mãos
Deixe seu coração bater


Por liberdade e mais ação
Deixe seu coração bater
Por mais um sonho, outra mentira
Deixe seu coração bater


Outras letras desse e dos demais álbuns disponíveis aqui.

E o Rio de Janeiro, continua lindo?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ao visitar o blog http://haznos.org, me deparei com essas imagens atuais sobre o Rio de Janeiro, e percebi que há algum tempo o Rio de Janeiro vem perdendo um pouco da sua beleza, ocultada pela violência e ações armadas de policia contra traficantes, formando uma guerra dentro da cidade.
Será que o mundo pode dizer que o Rio de Janeiro continua lindo?



Link com mais imagens:
 

2009 ·Axis of Justice by TNB